JOÃO’S OPINIÕES ruma ao ano II

2008,setembro12,sexta-feira às 3:13PM | Publicado em editorial, hojes | 2 Comentários
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1% de século. 1 ano. 365 dias. 8.760 horas. 525.600 minutos. 31.536.000 segundos.
Bem, o resto ou é fração de segundo, ou fração de século, ou de milênio.
Não revisei o cálculo, até porque o dia tem mais de 24 horas e num nível civil este ano foi bissexto. Mas deixemos assim pela simbologia.

Enfim, 1 ano no ar. Claro que em 1 ano (e em todas as outras unidades equivalentes) a maior parte do tempo eu não estava necessariamente produzindo, até porque as coisas são assim, mas boa parte do tempo eu pensava “eu tenho de deixar este blog mais fiel ao que realmente surge, em vez de ter aquela pá cheia (ou pás cheias – um carrinho de mão, pá, pá, parararapá) de anotaçõezinhas de idéias e textos apenas iniciados”.

Enfim, a velha discussão a respeito de possibilidade e realização, de qual eu tenho mais um texto rascunhado.

Enfim, para relembrar (em CAPS LOCK):
POST nº2: 1º POST, a pedra fundamental.
E os blogs que se uniram (mas tudo que tem lá veio p/ cá) e formaram este:
ESCREVÊ-LA
PQPETC

JOÃO’S OPINIÕES ANTIGO

E ainda no clima CAPS LOCK:  QUE ESTA DATA SE REPITA MUITAS E MUITAS VEZES, PELO MENOS UM TREZENTOS E SESSENTA E CINCO AVÓS DELA MESMO EU GARANTO, POSTO NÃO TER PLANOS DE ENVIAR TUDO À LIXEIRA AMANHÃ DE MANHÃ.

E, como não poderia deixar de ser, quem está de aniversário é o JOÃO’S OPINIÕES, mas quem ganha o presente é você:

e se habacuc ao cusco desse um churras?

2008,junho2,segunda-feira às 12:29PM | Publicado em critica-se, Não classificado | 9 Comentários
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S

e Habacuc desse ao cão um banquete, um bolinho de carne que fosse, sei lá, e o deixasse comer livremente, engordar, brincar, continuaria a mostrar a hipocrisia à qual se refere (e que realmente existe), pois as pessoas felizes ao verem um bichinho salvo refletiriam a mesma omissão, sem que ele corresse o risco de virar um Hababaca. Mas ele queria que as pessoas abrissem o bico para poder lhes apontar o dedo. Se ele realmente pensasse a arte como uma maneira de atingir (em todas as conotações) as pessoas, teria sido uma maneira bem mais refinada esta de encher o cusco de comida.

Ou se soltasse o cão em determinado ponto, forjaria um happy end deixando mais sinuosa tal hipocrisia.

E da obra poderíamos tirar uma lição ainda, de uma imagem (de um miserável, seja animal ou gente) que gera sentimentos nobres nos observadores exibida na vida real, que mostra que se não poderia ver beleza alguma nesta gravidade.Mas o discurso dele é bem claro, ele quer mostrar a hipocrisia das pessoas. Então me parece que o escopo dele é polêmica mesmo. É a polêmica da qual poderíamos criar até uma modalidade ou corrente de arte, de tantas obras que – nascidas de idéias até boas – desvirtuaram-se em busca do caminho mais polêmico, mais gratuito, mais auto-promocional. E que subestima os iniciados sem nem mesmo incluir os leigos. E de polêmica nada necessário nos dias de hoje. E por mais que todos colaborem com a obra ao falar dela, este processo não é novidade nenhuma. Ele por si só é apenas um método, já antigo, e por si só não tem mérito nenhum (para quem quiser dizer que a obra dele não foi compreendida em sua totalidade de fazer a sociedade se refletir (isso todos as coisas fazem a todo momento)). E a polêmica por si só é retrograda, é uma coisa de quarentas anos atrás.

Abaixo o Hababaca, por tirar uma vida assim por auto-promoção ou por não se esforçar numa linguagem mais sofisticada e mais marcante. Todavia sem grandes vivas para as campanhas contra ele, pois devo concordar nalguns pontos com este rapaz aqui.

 

Porém a piedade é instintiva, é quase uma dor física (e talvez aja fisicamente, numa esfera muito menos visível, em patamares infinitesimais, mas fisicamente, pelo fato de não se poder evitar, mas somente resistir, naquilo que se chama espírito ou equivalente, e por isso tudo doa conforme a resistência de cada um).

O que dá força a piedade é a indefensão das vítimas. E a dos animais (julgamos nós, ao menos, e com boas constatações científicas a respeito) vai além, abarca até a consciência.

A nossa compaixão no seu estado mais intenso é pela ignorância do animal. Pela forma abstrata com que ele sente, sem saber o porquê, ou mesmo de porquês – e na abstração as coisas são puras. Ele ignora. Sofre tão somente.

É como a ignorância do boi velho, do cavalo morto.

E por isso tudo eu sinto pena, grande pena, mesmo que seja desse recorte específico.

Se lançarmos um olhar isento (não sei bem de quê) sobre isso, talvez a pena não valha a pena. E de longe nada vale mesmo. A morte é comum, bem comum, e a crueldade também. De longe, até se fosse com a nossa mãe, amor da vida etc, em nenhum caso caberia piedade alguma, se ampliarmos o mesmo raciocínio que nos levaria a não se tocar pelo cão (se formos isentos – não sei bem de quê – em tudo). E a arte às vezes necessita também desta visão, deste plano geral frio, um ponto de vista de deuses, de desprezo pela vida (o politicamente correto, ou só o correto, não pode delimitar o terreno da criatividade, das constatações).

Então isso é arte, mas arte ruim (não má, não falo disso), pobre, de linguagem pobre (a reflexão boa gerada pela obra é mérito de quem a pensa e não está no sistema criado pelo artista, por mais que quem o defenda supervalorize sua dimensão extra-galeria (novidade nenhuma, como dissera)).

Mas por mais que se tente ver com uma mão na cabeça, a outra fica no coração.

um de abril e um de maio atrasados

2008,maio12,segunda-feira às 7:30PM | Publicado em hojes | Deixe um comentário
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um de maio, dia do emprego – que se fosse dia do trabalho ninguém tirava feriado

dia do emprego 1 e 2
dia do emprego 3 & 4
dia do emprego 5

um de abril, dia dos bobos

um de abril

da graça das coisas

2008,abril30,quarta-feira às 5:18PM | Publicado em alto-ajuda, crônica | Deixe um comentário
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“A

coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?”

Este texto é creditado ao grande (tão grande quanto Buster Keaton) Charles Chaplin. Recebi por e-mail hoje com a indicação para passar, sob pena de azar, a 10 sortudos em potencial que infelizmente não serão condecoradas com a missão.

Muito poético o texto, claro. Todo devaneio é um pouco poético, até o padre voador é meio poético. E todo devaneio é permitido. Então longe, bem longe de mim criticar negativamente Carlitos – que no fundo Chaplin é Carlitos, tal como Clark é Superman e não o contrário – a despeito dos esforços dos roteiristas em deixá-lo mais humano.

A vida tem de ser como ela é mesmo. Assim mesmo, mesmo assim.

O melhor tem de parecer vir antes, para parecer que o melhor é agora, a fim de que quando o depois vir, o melhor pareça ter sido o depois, ou seja, o melhor sempre pareça ser parte do agora.

Assim se é feliz sempre – desde que se aja, reaja, desde que se tenha coragem – e ter coragem é usá-la.

Até porque tem a anedota aquela dos charutos (que eu prefiro traduzir para bombons, embora charutos também sejam bons): dois homens ganham caixas de bombons com diferentes bombons. O primeiro (ou segundo, tanto faz, mas apenas um deles – que se oporá ao outro) deixa o melhor para depois. O outro (o segundo etc) come os melhores primeiros. Donde que percebemos: um todo dia tinha seu melhor bombom; o outro, seu pior (ou o ruimruim). E tem também a história da seta de Zenão, pois eu tenho a impressão de que quem acha que a infância é melhor que a maturidade são os mesmos que acham que Michelangelo é arte e Duchamp não é.

O tempo às (ou muitas) vezes é incompreendido. Mas ele sabe o que faz com a gente – e ele mesmo é poético. A gente que às (ou muitas) vezes não sabe o que fazer com ele.

 

notícia d’alma

2007,outubro12,sexta-feira às 8:59PM | Publicado em joão-lírico | Deixe um comentário
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a verdade sobre a vida e a morte

2007,outubro12,sexta-feira às 8:46PM | Publicado em crônica | 1 Comentário
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.~-.

Eu vi um rato morto no chão. Um chão de concreto, a calçada, no caso, abaixo dele. Não sei exatamente quanto tempo levou para que as pessoas não percebessem mais que se tratava de um rato, entre os que não perceberam e pisaram e entre outras ações orgânicas de decomposição ordinária até que ele virasse a mancha que virou quando eu o vi. A partir de então, passou a ser pisado vulgarmente, pois estava no chão e parecia, repito, tão somente uma mancha.

Mas, por mais que as pessoas pisassem, ele jamais entrou na calçada.

Eu já fui a alguns funerais. Há neles diversas facilidades para que o corpo vá terra adentro, tal como cavar um buraco e antes de preenchê-lo adequar o corpo a uma caixa (o caixão) para que o mesmo permaneça lá “protegido”.

Mas o que o pessoal (ou a maioria, pelo menos) quer, é enviar o morto (através da alma, geralmente) ao céu (ou trazer de volta o corpo, para os mais pretensiosos). Inimigos se silenciam, patrões deixam seus empregados trabalharem somente pela manhã porque alguém de proximidade não coberta por lei certamente não aparecerá mais por aí (pois se estivesse viajando o destino poderia…), inimigos, ou ao menos nem tanto para chamá-los inimigos, fofoqueiros, que sejam, silenciam-se. E põe óculos escuros.

Mas, por mais que as pessoas rezem, chorem, pensem positivo, façam minutos de silêncio, ele não sobe ao céu.

Em ambos os casos, eles diluem-se, aos poucos, por aí. Para nós os respirarmos. Tanto o rato, quanto o gato, um pum solto por um velho, o território já queimado da Atlântica, a Lady Di, os seismossauros, a moça que tocou o filho no lixo e depois se matou, o amor da vida de cada um uma hora ou outra.

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