[OPS iii] cri-critica-se (ou o silêncio da sutileza)

2009,fevereiro28,sábado às 2:05PM | Publicado em crônica, hojes | 1 Comentário
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Em férias da repartição desde ontem. Amanhã viajo. Meu mais recente texto: Cri-critica-se (ou o silêncio da sutileza) na coluna do OPS – O Pensador Selvagem. Ofereço-lho. Até a volta (1 ou 2 semanas). E ando pensando em fazer algo que eu nunca pensei que faria: voltar ao Blogger. Foi mais ou menos nesta época que vim para o wordpress.com. Geral baba o ovo do wordpress, especialmente em relação ao Blogger, mas acho que a questão é o .org, pois o .com deixa muitas coisas a desejar em relação ao serviço googlense (mas evidenmente tem vantagens também). Mas apenas pensando alto, depois vejo o que faço. Por enquanto, fiquem com o texto:

bonequinho_o_globo aplaudindo

TRECHOS:
“E daí o Health Ledger faz o papel do Coringa e todo mundo sai da sala dizendo “o Oscar é dele”, sendo que a maioria esmagadora dos outros concorrentes (as atuações e não os atores) nem foram conhecidas. Como designar um melhor sem conhecer os piores que ele? É fundamental conhecer para criticar, ou ao menos ser suficientemente honesto para apresentar as características da opinião (se é pessoal, leiga etc.).”
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“Ninguém (ninguém = maioria) vê (ou se importa com) a diferença entre Helvética e Arial (…) se você quiser usar Arial para escrever algum recado no seu escritório ou até mesmo fazer um cartaz, tudo bem, mas jamais fale dela como índice de excelência de design, porque isso pertence à Helvética.”

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do lado de dentro do filme

2008,fevereiro28,quinta-feira às 10:22PM | Publicado em alto-ajuda, crônica | 6 Comentários
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S

e eu passar e ver um incêndio (ou mesmo ver o mesmo na televisão, o que seria ligeiramente mais provável) e descobrir que tem um casal no último andar (tipo o 6º, nada muito exagerado) eu diria, ou gritaria, ou pensaria (o que é ligeiramente mais provável) “lança a criança para o bombeiro!”, como aliás aconteceu (e foi noticiado, por isso que eu sei que aconteceu, não foi algo perto da minha casa) dia desses (e vejam vocês, foi noticiado – a coisa é rara).

Eu teria feito o mesmo.Na teoria, mas se eu tivesse lá ia ser ruim de eu defenestrar um filho. Imagina olhar a carinha dele. Talvez pulasse eu e quando chegasse lá embaixo tocava ele para cima p/ algum bombeiro pegar, ou mirava um bombeiro especificamente. Ou o seguraria para cima durante a queda a fim de amortecer durante o choque.

A paixão da vida de alguém (conhecido como amor da sua vida) casar-se-á com outro. O outro, ou seja, o que não é o outro, o original, o verdadeiro amor, entra na igreja e “comenta” de modo muito influente os dizeres “se alguém tiver alguma coisa contra esse matrimônio que fala agora ou cala-se para sempre”. Você, assistindo, fala “é isso!” (ou “yes”, se você for americano, ou metido a americano, ou até mesmo idiota).

Eu teria feito o mesmo (se o roteiro da novela me orientasse a isso).Pois imagine a mesma situação. Na vida real, esqueci de dizer. É brabo de alguém fazer isso, deixar chegar a esse ponto e esquecer de desistir no último minuto. Coragem é (inclusive eu farei uma série com isso, do tipo das figurinhas “amar é”…) esquecer de desistir.

Coragem é cumprir um certo previsível, um previsível simples, até óbvio. A coragem é óbvia, mas não é fácil.

Pode pôr a música-tema da abertura de Irmãos Coragem (irmãos, é preciso coragem…) na vitrola que lá vai mais um exemplo, aliás, um lema para mim (sim, senhoras e senhores, eis uma máxima minha):

coragem é viver como se estivesse no lado de dentro do filme.

roupagem

2008,janeiro26,sábado às 1:14PM | Publicado em crônica, femme | 4 Comentários
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A moda está sempre a descobrir (no sentido de inventar, como já havia apontado Borges, antes mesmo de eu achar que eu havia visto essa relação, e depois de a palavra ter-se desmembrado do radical primitivo comum) uma nova maneira de deixar as mulheres bonitas. Os homens também, mas falemos das mulheres, pois a palavra bonita é mais bonita que a palavra bonito.

Paralelo básico: a arte. Sempre reinventando uma maneira de aplicar suas criatividades (ao ritmo da seta de Zenão).
Sempre lirismo, sempre criatividade, porque não talento atrás de cada manifestação, por mais que se queiram isentar do artista isso as constatações pós-modernas. Nunca falta filosofia, sempre sobra volúpia. De volta ao assunto (voltando ao assunto): elas, as que impuseram suas belezas e também as que deixaram à disposição da moda a mesma, estiveram sempre bonitas: com os cabelos curtos e calças centro-pê dos anos 80, os vestidões dos anos 50, os pêlos não tratados da idade da pedra lascada, os redtags com meias de futebol na pré-adolescência burguesa dos anos 90.

a verdade sobre a vida e a morte

2007,outubro12,sexta-feira às 8:46PM | Publicado em crônica | 1 Comentário
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Eu vi um rato morto no chão. Um chão de concreto, a calçada, no caso, abaixo dele. Não sei exatamente quanto tempo levou para que as pessoas não percebessem mais que se tratava de um rato, entre os que não perceberam e pisaram e entre outras ações orgânicas de decomposição ordinária até que ele virasse a mancha que virou quando eu o vi. A partir de então, passou a ser pisado vulgarmente, pois estava no chão e parecia, repito, tão somente uma mancha.

Mas, por mais que as pessoas pisassem, ele jamais entrou na calçada.

Eu já fui a alguns funerais. Há neles diversas facilidades para que o corpo vá terra adentro, tal como cavar um buraco e antes de preenchê-lo adequar o corpo a uma caixa (o caixão) para que o mesmo permaneça lá “protegido”.

Mas o que o pessoal (ou a maioria, pelo menos) quer, é enviar o morto (através da alma, geralmente) ao céu (ou trazer de volta o corpo, para os mais pretensiosos). Inimigos se silenciam, patrões deixam seus empregados trabalharem somente pela manhã porque alguém de proximidade não coberta por lei certamente não aparecerá mais por aí (pois se estivesse viajando o destino poderia…), inimigos, ou ao menos nem tanto para chamá-los inimigos, fofoqueiros, que sejam, silenciam-se. E põe óculos escuros.

Mas, por mais que as pessoas rezem, chorem, pensem positivo, façam minutos de silêncio, ele não sobe ao céu.

Em ambos os casos, eles diluem-se, aos poucos, por aí. Para nós os respirarmos. Tanto o rato, quanto o gato, um pum solto por um velho, o território já queimado da Atlântica, a Lady Di, os seismossauros, a moça que tocou o filho no lixo e depois se matou, o amor da vida de cada um uma hora ou outra.

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