a arte dá nos nervos

2008,agosto28,quinta-feira às 10:41PM | Publicado em crônica, critica-se | 7 Comentários
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“Nessuna cosa si può amare nè odiare, se prima non si há cognition de quella”
Leonardo da Vinci

O

que me dá nos nervos na arte e ao mesmo tempo me encanta é o modo como ela se disfarça de outras coisas dando uma atmosfera poética a estas coisas – a atmosfera poética é um estado de atenção amplificada, que torna os detalhes poéticos – a palavra poética em si já substitui todas as outras: a atmosfera melancólica é um estado depressivo que faz qualquer detalhe parecer triste e assim vai indo, e a possibilidade deste sistema lingüístico (ou mais que isso, sensorial) de percepção é que determina a poesia.
Há trabalhos de intervenção urbana performática que discorrem sobre passar perigo em ambientes urbanos: mas se passa muito menos perigo que qualquer praticamente médio de le parkon. O que em princípio diminuiria qualquer mérito do aventureiro artístico. Mas é na maneira como olha e como faz olhar (convidando) que mora a arte. Fazer conscientemente, falar da feitura fazendo, vivenciando, experimentando. É o que se recorta dali. Por isso alguns riscos em galerias valem tanto mais que outros muito mais numerosos e de “qualidade técnica” (aspas para relativizar) superior num esboço do Alex Ross. O erro está em quem se perde nesta avaliação (e até formandos em artes fazem isso) e analisa o material em si, quando em verdade ele é peça em favor de uma idéia.Peça porque se trata de uma equação, que como equações avançadas contam com referenciais. Às vezes são equações para provarem conjeturas. E às vezes a arte é a conjetura em si, os estros adivinhando possibilidades que a física quântica talvez burocratize.Mas as criações subjetivas que fiquem para as apreciações subjetivas, que aí se conversam na mesma língua, poderíamos dizer. Eu fiz uma interpretação de Paranoid Park e da relação deste filme com sua música, depois descobri que muitas combinações foram feitas ao acaso por Van Sant – mas a essência faz sentido, a obra se fecha, no sentido de estar redondo, de ser coesa dentro de si mesma (e também daquele papo que a obra pode fugir ao domínio do obreiro). O artista não pode escolher donde a bola virá, mas quando ela vir ele tem de saber aonde mandar. O action paiting de Pollock, para alguns yankees o ápice do modernismo e do grande diálogo da pintura, a ponto de pô-lo em termo, pode ter nascido ao acaso (isento-me aqui por não saber ao certo).Eu teria de ter em verdade o mérito do silêncio e não me pronunciar assim sobre este assunto. Mas escrevi escrevendo, e se tu lês agora é porque está publicado, para não perder mais tempo com isso – embora seja evidente que eu vá perder. Eu vejo pessoas com senso estético nato apurado, pessoas inteligentes, que escrevem bem e tudo o mais perdendo tempo com isso. Não há mais porque questionar a arte contemporânea. É uma discussão estéril. E Isso ocorre até com estudantes de arte que lêem livros sobre o assunto, que têm a oportunidade de estudar teoria e crítica de arte (leitura estimulante, aliás). Que dirá no meio virtual, que qualquer um escreve o que quer sem ter conhecimento prévio. E já que estamos num meio assim, eu me aproveito dele, dando um prato cheio para os que queiram criticar-me dizendo que apenas desfilo algumas obviedades e referências. Pois bem, lá vamos.A informação substituir a coisa em si, ou a todas as coisas, a referência substituir o referencial, para ser mais técnico, é uma característica do sistema pós-moderno, porque isso deixa tudo mais rápido, ou se faz necessário por ser a única possibilidade. E a internet atende a esta demanda ao dar espaço a todos, ao permitir que cada um crie a referência para si mesmo, ao iniciar um processo de relação de poder tal qual Foucault elucidou, de todos para com todos e não de cima para baixo. Mas neste jogo democrático, há uma possibilidade ruim ou, mais que isso, assustadora: a de as opiniões e pitacos (a referência) substituírem todo um conhecimento já erigido e registrado em livros (o referencial). Eu mesmo faço isso neste exato momento, chovo no molhado. Chovo no molhado porque qualquer livro decente sobre pós-modernismo responde a tantas questões filosóficas às quais estamos submersos. E qualquer livro decente de história da arte (ou mesmo indecente) torna a pergunta, a polêmica e tudo o mais que envolve arte contemporânea (ou Duchamp, desde a década de 20!) questões tão resolvidas que figurariam tranquilamente em enciclopédias (como de certa forma já figuram). As polêmicas autênticas podem ser igualmente estendidas para o passado também, percorrendo todas as páginas da enciclopédia.Não há porque reinventar a roda (a menos que seja uma reinvenção consciente, como a de Duchamp, ou como o plágio assumido na poesia, uma reinvenção que é no movimento/ ação e não no resultado (a hiper-Marylin Monroe de Warhol mitificada e ao mesmo tempo descartável, repetível – a sopa de tomate tal e qual)). Há que se usar a roda. A reinvenção pejorativa é a colaboração que não precisamos ler por aí. Questões quarentonas sendo levantadas, quando poderíamos discutir coisas deste sistema aceitando-o (porque é inevitável sua presença e importância) – e aí que está o mérito do silêncio: há quem as discuta, mesmo no meio virtual, então não se deve retroceder.

O lado vilão que existe é o caráter de dominação que as coisas tomam quando entram no poder, ou o exagero do outro lado para se manter – o PT antes e depois de ocupar a presidência. A não aceitação da arte funcional e aplicada em escolas de belas artes (o que não é tão condenável, afinal há o design gráfico e outros cursos) é que gera os tais engodos que irrita a tantos. BBB é legal. Não há mal nenhum em cantar Chitãozinho e Chororó em voz alta. O preconceito em relação à arte funcional, à comunicação em massa, ao entretenimento, ao popular é tão preconceito quanto qualquer outro, é tão fechado quanta a porta que fechavam para os impressionistas, que hoje estão por aí a enfeitar calendários em consultórios médicos. Mas cada um deve lutar pelo seu espaço sem degradar o que não conhece. Os que acreditam na arte como uma expressão pura e subjetiva de um talento (e eu creio nela como sendo assim também) têm espaço para exercer sua expressão – e creio que a Transvanguardia Italiana e consequentemente os escritos de Achille Bonito Oliva têm alguns elementos para embasar isso, tal qual o prazer da criação, o artista livre etc (embora eu inda me encante mais do movimento devido à difícil ironia visual que eles buscaram) – o espaço é de todos, prova disso é a exposição de street art que ocupa todo o Santander Cultural, um dos principais sítios de Bienal do Mercosul.
O que também irrita (e faz o papel de vilão da arte, generalizando a todos os envolvidos e os rebaixando a uns pseudo-intelectuais que de fato existem) são os recém-chegados (que podem permanecer assim por anos) que vêem simplesmente no método já algum mérito – uma instalação boba é tão boba quanto um óleo bobo; um vídeo granulado e com narração oblíqua e música sobreposta em camadas pode ser tão óbvio quanto uma novela água-com-açúcar; um artista conceituado pode ter projetos não tão bem sucedidos; uma Palma de Ouro em Cannes pode ser um engodo. Há gente que abana o rabo só de ouvir que um filme é todo em plano-seqüência, coisa que não é novidade desde a Arca Russa, ou mais ainda desde Festim Diabólico. É deles muito provavelmente que vem a maioria dos narizes torcidos. Como disse Hannah Arendt, “o revolucionário mais radical se torna um conservador no dia seguinte à revolução”, e a tendência do conservadorismo é opressora. Eles, bem como os que apedrejam qualquer coisa que não fique boa numa parede sem saber onde pisam, devem ser desprezados, a menos que se institua um movimento pró-arte contemporânea (lutando contra os dois casos), semelhante aos que enfrentam o racismo, o machismo, a homofobia e os abusos e preconceitos de toda sorte (preconceitos antigos, mas ainda perenes – o mesmo caso).

Até porque às vezes as vanguardas se disfarçam de mau-gosto e eu sempre penso que o pós-modernismo dá enfim voz ao povo, aceita definitivamente o humano – pois é uma desistência do horror e da empolgação ante um novo mundo do início do último século do milênio passado (cataloga os preguiçosos, os hedonistas, o pessoalzinho que quer curtir a vida e diz que todos podem ser assim).

E, claro, se “a arte revela o humano”, ela vem cumprindo sua missão. Se antes isso era retratá-lo (até a fotografia, num pensamento objetivo que beira o simplório), passou a ser revelar sua ânsia coletiva, e após sua ânsia individual, ou alegria, ou raiva, ou ideologia, enfim, revelar-se. As obras que iniciaram o pós-modernismo ilustram de maneira elementar as definições dele. E, como tudo, um pouco numa via de mão dupla, definiu e definiu-se. E sofisticam-se para expressarem as coisas cada vez mais como são, como surgem. Assim reporto-me a mais um índice de transformação do século XX: Wittingenstein e a crença de que os limites da linguagem são os limites do mundo, do pensamento. A linguagem (todas as artes) que dê um jeito para acompanhar nossas cabeças, independentemente se aplicarmos as artes ao cotidiano, o cotidiano às artes, ou às artes a arte. Em meio aos meios mais especializados isso meio que acontece (como essa minha tríplice utilização para meio – vide vós que a ingenuidade intencional é um recurso, é como meditar) sem querer querendo, muitas vezes.

A atmosfera poética, como falei alguns parágrafos antes (citando apenas algumas possibilidades) é um estado de amplificação: da coisa em relação ao observador, ou do observador em relação à coisa, como supor saber uma verdade do universo. Amplificar é (também) o que a arte faz com a própria arte, como qualquer ciência ou ramo do saber. Picasso amplificou as distorções da tauromaquia de Goya. Para Matisse, o desenho é um registro do gesto, e muitas ações de hoje (ou dos anos 60) são lupas nesse raciocínio – a matéria é um registro do gesto, do que aconteceu. Ou seja, continua-se do que foi feito anteriormente. Considera-se a história (até quando o objetivo é condená-la). É como um time de futebol, como uma pesquisa científica, como a fabricação de um produto, um passando a peteca para o outro blá, blá, blá. Ramifica-se do que já fora antes, como uma árvore que vai da raiz à flor, para não deixar de apelar para mais uma metáfora simples.

Quanto aos arrebatamentos, Gabriel Orozco diz que a arte não pode mais aspirar ser emocionante, pois a Benetton sempre será mais. Aí entendamos emocionante mais para música ao fundo e cabelos ao vento, mais para uma propaganda natalina do Zaffari. Uma emoção gritada, cantada. E o que dizer quando ao amassar uma argila, o próprio Gabriel diz que suas mãos são seu coração? Num movimento simples, sem nenhuma técnica tradicional, uma expressão belíssima. Então é também de sensibilidade, de emoção que falamos. Os trabalhos de Jorge Macchi que trazem as desapercebidas músicas de fundo e os créditos finais do filme para o centro de uma exposição são de chorar baixinho, dentro da cabeça. Faz The Long and Winding Road parecer exagerada (nem é preciso me convencer de Beatles, eu já tenho uma lista de suas 100 melhores músicas quase pronta para publicação).

Ou as garrafas de Coca-Cola de Cildo Meireles: se apenas vermos a fotografia num livro (“arte visual”) elas parecerão ser o mesmo jogo de Warhol. Porém, se nos informarmos a seu respeito, veremos que na contramão da superficialização pós-moderna significada por Andy, Cildo deu um conteúdo à garrafa (encheu-a) e com sua ação criou uma maneira de significar a resistência à opressão. Além da idéia por si só já se valer, ele ainda usa de um mesmo elemento para metaforizar a comparação entre a angústia da sociedade latino-americana e brasileira com a norte-americana. É da consistência que Ítalo Calvino proclamaria, mas não pôde proclamar como queria, para o próximo (este) milênio (plagiei-me daqui). Digo porque talvez não seja só isso (o próprio Cildo critica o excesso de verbalização como característica da arte contemporânea), mas a idéia é redonda.
É preciso então atingir a arte, ou deixar-se atingir por ela, tanto faz o esquema. Quem assistir Vertigo (ou o spoilerano título Um Corpo que Cai ou pior ainda A Mulher que Viveu Duas Vezes) sem lançar o olhar para além da história contada, pode não perceber a reflexão sobre o poder da imagem e a relação desta com o que representa (algo que se vê em A Vila, por exemplo, preguiçosamente acusado de um suspense mal-sucedido) que há ali. Ou os modelos de Robert Bresson, para o qual os atores são apenas referencias para a criação de relações e metáforas: ao ver seus filmes alguns cidadãos saem da sessão a dizer que os atores não se mexem, não têm expressão, são paradões ( certamente eles devem estar no time que diz que “o coringa rouba o filme”).
O prazer da arte é também o prazer da integibilidade, para além de sua força visual. Como na obra Uma Vista, de Cássio Vasconcellos: seria apenas mais um aglomerado de fotos finamente expostas, não fosse a submersão do indivíduo na cidade e a fragmentação dela propostas pela montagem.
É o prazer da elucidação, de perceber o corpo da obra, de conversar com ela, ouvi-la, mesmo quando o que se ouça seja um grito, uma arroto, um espirro.
É chover no molhado, mas saber como se está chovendo. Pois chovendo no molhado criamos uma grande poça, que se acumulou em rio, que vem desde os gregos e antes deles nos homens das cavernas inundando a cidade, e ao mesmo tempo que dá água, desabriga, traz à tona o lixo – mas sempre transforma.
A arte deixou de ser plástica para ser visual, e hoje (há tempos) deixa de ser visual para ser também sensorial, auditiva, presencial, ativa, intelectual, interativa etc não só no seu significado mas também em seu formato.
E se pensarmos no que dizia Picasso, que toda arte é atemporal, pois ela sempre tem de ser de seu tempo, arte contemporânea é um pleonasmo.
Arte é arte, deu.
E, voltando a citar Leonardo, “quanto mais conhecemos, mais amamos”.
Então a arte não dá nos nervos, ela encanta.
Ou encanta justamente por atingir os nossos nervos.

 

 

 

 

 

 

 

 

rapsódia dominical atrasada de atraso justificado

2008,julho5,sábado às 2:27PM | Publicado em crônica, diário, hojes | 1 Comentário
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a Eliana (a dos dedinhos, a de se pôr a mão inteira, as palminhas também) de domingo último (que já não é mais o último, ao longo do texto explico) um cão adestrado, que são cães que não comem carne, somente ração, não no chão, mas na mão (as paupérrimas rimas – ou riquíssimos ecos – são para reforçar o tom de sempre que se tem nisso, poema pobrão, pobraço – e probidade, aproveitando a deixa, que se tem nisso), a fim de que equivalha a um prêmio. Por outro lado, a lei 9.503, o CTB, Código de Trânsito Brasileiro, alterada pela lei 11.705/2008, não determina que se dê dinheiro ou que se dê isenção (e normalmente não se dá nenhum dos dois, no máximo um descontinho no IPVA antecipado) para quem sempre foi certinho, para quem, quadrado, nunca bebeu uma gota de álcool porque ia dar uma volta na quadra (à esquerda 4x ou à direita em igual nº) para secar o carro. O fato que a única coisa que eu sabia que fazia as pessoas não beberem era o antibiótico. Agora esta lei.

No domingão do Faustão (paupérrimas rimas calham aqui também) tigres que não comem carne, tigres domesticados, que são tigres de Kanchaburi, que são tigres cuidados por monges, se é que são os mesmos constantes na revista Discovery Magazine de outubro de 2004 (um ano que durou mais de um ano para mim) edição nº 3 (3 de outubro eu nasci, mas não de 2004, pois teria 4 anos ou este ano faria 5 na data dita, o que me tornaria um fenômeno do crescimento) por cuja posse paguei oito reais e noventa centavos (R$ 8,90). Digo isso porque eu via o imortal se firmando como líder do campeonato num aparelho televisivo, e isso dos tigres aparecia no outro, pois estava num bar por não ter querido ir ao campo naquele dia, e bares têm mais de uma TV, e distribuídas em mais de um canal pois nem todos são gremistas, e nem todos gremistas querem ver o jogo do Grêmio. E vi porque tigres são fascinantes, fascinantes, são cânceres da natureza, então digo tudo isso pois assisti à matéria sem som, e com a atenção (tensão não houve, pois os tigres estavam dentro da televisão e o tricolor vencia fácil) permutada entre uma TV e outra.

No ZH, Marcos Rolim mui oportunamente falava da vergonhosa demissão do motorista do Palácio Piratini. Vide vós que andei pelos veículos populares (não me refiro aos carros mil, ou carros mis, se houvesse plural neste mil-adjetivo) e sim a isso que me referi (TV aberta, jornais de maior circulação em suas terras).

Em suma, aqui são episódios de domingo último, dia vinte e dois de junho de dois mil e oito (22/06/2008), portanto um texto atrasado, mas o tempo me não importa muito, não nesse sentido, de sucessão, de ordem, de medida, de mensurar informações, pois elas cá estão ainda. E se me proponho a falar do ônus da ordem nada melhor que me livrar dele.

E finalmente o atraso justificou-se justamente por causa dele: hoje, já quinta-feira (que devido a novo atraso não é mais hoje, mas sim semana passada, e agora, neste momento, terça, dia 1º de julho de 2008), já passadas mais de 96 horas do domingo (e agora horas e horas), antes de sair de casa ouvi uma reportagem que quem via era outra pessoa a respeito de uma rosa que nascera espontaneamente sem espinhos em Fortaleza.

Uma rosa sem espinhos.

Chamam-na Iracema, homenagem à sedosa pele da célebre personagem de José de Alencar (s/ “de” é o Ilmo., ou V. Ex. a., ou ainda “apenas” Sr. Presidente em exercício quando o Lula não está, ou simplesmente o vice).

É certamente umas das metáforas-chave, essa da rosa ter espinhos.

E neste caso ela não tem. Uma subversão-chave, diria, com propriedade de quem disse o que agora mesmo disse.

Era uma verdade, uma regra quebrada. E neste caso, a regra quebrada metaforiza a regra instituída: tirar os espinhos da rosa.

Voltando àquele domingo, no domingo meu, de vida privada, meu avô, o seu (não seu de teu, seu de Sr. (ou V. Ex. a., ou Ilmo., tanto faz, tipo seu Madruga) Marcolino, disse (o que era para ser epígrafe deste):

“Se eu bebo um copo de vinho não me muda nada.

Agora, se eu tomo um tanto assim (indicou com o dedo o equivalente a menos de 100 ml, acredito) de cachaça, não é que me dê sono nem nada, me dá coragem.”

Seu Marcolino

Meu patrão na repartição disse o seguinte na segunda seguinte àquele domingo:

“Eu não gastei um centavo este final de semana (isso num contexto que, mais que dar a entender, dizia (entanto sem todas as letras) que foi porque teve de dirigir e portanto não bebeu). ”

Meu patrão na repartição

Vide vós as vantagens da vida regrada. Do cão não comer carne.

A colheita da lei (da ordem) já aparecendo. E da ordem para o progresso, como diz a nossa bandeira, ou pelo menos a bola (esfera) azul que há no meio dela, segundo a qual eles, a ordem e o progresso, podem ser mesmo considerados uma dupla, enfim, dela para ele é um tapa.

Já vislumbro novas leis: a proibição de quaisquer tamanhos (e não somente a mini, que por sinal nem é proibida) de saia para evitar brigas em bares, para evitar ciúmes e conseqüente atos violentos e conseqüente homicídios culposos e/ ou dolosos.

A proibição de garotas (algumas) gostarem de rapazes rebeldes (alguns), a fim de evitar que rapazes empinem motos, bicicletas, pipas (o perigo da rede elétrica), executem saltos mortais em piscinas (perigosíssimo) e tantas outras façanhas apaixonantes dignas dos mais interessados e interessantes olhares femininos.

É certo que a estética canina carrega consigo o sacrifício, vida de cão, underdog, cão do caralho, eu não sou cachorro não, e o sacrifício remete a treino, que talvez seja a palavra que eu deveria ter usado, claro, sacrifício para alguns, mas confinamento de atividades num modo geral. Então o cão do lobo foi-se disciplinando (uma miríade de anos treinando, até na sua indisciplina, de cometer erros, aproximando-se dos humanos e à imagem e semelhança (em tentativa) desses) até tornar-se cão. E os cães são potencialmente piores que crianças, são piores até que a Casadovinho (tema a ser abordado em seguida), e o que os faz ficar bem é o cumprimento das ordens, é o que, oprimindo-os, torna-os melhores.

E além disso a lei incentiva o transporte coletivo, o táxi (uma coisa meio NY), posto que ninguém quer ser motorista, especialmente conduzir ébrios no próprio carro sem poder se tornar um deles – nem a opção de, na impossibilidade de ir contra, juntar-se ao inimigo. E talvez o mesmo faça com a boêmia local, ir a festas a pé no próprio bairro, até o momento de proibirem andar na rua bêbedo (ok, está foi uma ironia exagerada e, portanto, devido à semântica dessa palavra, desnecessária). Já não se bebe mais em estádios no RS, e quase tivemos ano passado Grenal campo único, quase vira no seio de seu espetáculo maior só GRE ou só NAL. Pois sim, se não bebermos quando dirigirmos não haverá problemas.

Algumas abstenções sempre fizeram bem aos budistas, aos militares, aos abdominais definidos entre outros felizes exemplos.

Mas há ossos do ofício. Há mesmo mortos do ofício.

O rei do Chapolin, o rei que ganhou a roupa que só os inteligentes podiam ver, que em verdade me fez lembrar o Hans Christian Andersen, que em verdade tal rei, o Rei Nu, era seu, e fora adaptado por Roberto Gómez Bolaños, assim como o foram Chaplin (ou melhor, Carlitos) e Peter Sellers (ou melhor, Inspetor Jacques Clouseau), por isso, sem desmerecer o grande trabalho do Chave del Ocho, eu prefiro o Carlos “Quico” Villagrán, que aliás fez, e muito bem, o papel do rei pelado, pelado de inteligência, inclusive, pois não via o tecido, ou astúcia, pois não percebeu a fraude, porém, voltando ao que dizia, penso que não se tratava efetivamente de tal rei, pois o monarca que eu tentava lembrar e lembrei o rei nu, era em verdade um rei que fazia uma lei conforme as coisas sucediam e é bem famoso justamente por este hábito e me ocorreu que como eu confundi talvez confundira-se o Hans Christian Andersen ao pensar que o rei de Roma cuja roupa o rato roera era o rei da roupa fraudulenta de sua imaginação tão fértil que teve esta imagem semeada como se idéia dele mesmo fosse.

Uma colega minha cujo nome não citarei mui oportunamente me informou que eu deveria trocar meu carro, o qual eu adquiri em 2006, apesar de ser modelo/ano 2005, e mesmo na concecionária e 0 o quis assim, atrasado, pois era o modelo de minha preferência, enfim, o meu, o Trovão Azul (homenagem a um peixe beta morto pela sua esposa na infância em vista da nossa ignorância em relação aos hábitos acasalares de tal espécie), já teve seu 2º aniversário comemorado, beira os quarenta mil km, já tem suas marcas, por isso tudo oportunamente me disse a inominada colega que ano que vem vem o novo modelo, que na Europa já seria velho, ou ao menos sabido, mas sabido, no outro sentido, é o meu, que sabe me deixar o levar aonde eu quero quase automaticamente e já esconde as coisas que eu esqueço quase como se soubesse isso também. Virão novos Clios (que também é uma das nove musas, aquela que carrega um moleskine escrito Thucydide na capa, que inventou a guitarra, e que pode bater no peito de dizer eu sou a musa da criatividade e da história – essas duas realmente andam muito próximas, se pensarmos na invenção de histórias, bem como nos atos que fazem alguém participar da versão real da história, aquela ciência humana, no caso). Sim, novos Clios virão, mas não novos trovões, pois trovões são meio que raios, e portanto não repetem seus fracassos, sucedem num lugar só, seu sucesso muito se deve a seu fracasso, então, a este tipo de fracasso sempre inédito, então novos trovões não vêm, ou o ditado está errado, ou foi ditado errado.

Se eu acatasse o conselho dado (e não vendido) pela minha colega, isso me deixaria mais rico, mais avançado, mais progredido – tudo o que uma nação ou qualquer lugar que mantenha uma bandeira gostaria de ser. E me deixaria sem meu Trovão.

Trovão é chamado também o rugido dos tigres.

Mas a quem e para que ruge um tigre vegetariano, ou onívoro, ou mantido a rações, que seja? Que, nascendo, tendo sido planejado para matar, não mata?

Um tigre sem garra é uma coisa triste demais; porém um tigre com garras que as olhando se pergunta para que as tem talvez seja duas vezes mais triste, ou talvez pior ainda o tigre que caça bolas e nem sabe que poderia estar vivendo do que brinca, estar caçando um antílope, ou até um búfalo, ou até um urso, com a emoção de ter de vencer para comer, ter na caça a vida em vez do hobby, e este é o caso mais triste destes três tigres tristes e porquanto seja três vezes mais triste, já que antes foram duas e simples.

A Amy Casadovinho está p/ lá da casa do caralho, ou para lá de Bagdá, ou Marrakesh, enfim, isso segundo a imprensa, e me surpreende até que haja surpresa nisso, que isso não é novo, e os jornais chamam-se NEWSpappers, embora em português seja Jornal (diurnale, de diário – e, sabemos, nem todos os dias são diferentes). Enfim, novamente, a moça de voz tão bonita (ou a voz de uma moça tão inquieta) faz coisas que a maioria das pessoas não acha bonito, mas para ela creio que seja, senão não faria. O prazer sempre é bonito para quem o sente, mesmo que por fora possa parecer feio ou ridículo. “Deixa ela (sic.) quietis”, diria Mussum, ou beberia mui felizmente da sua bebida (hic)(de soluço). Coisa que nenhum dos dois deveria ter feito tanto (e tampouco Vinícius, e todos os exemplos que vêm em flash nas nossas cabeças), mas talvez se não tivessem feito não falaríamos deles agora, ou daqui a pouco, que seja.

A (in)conseqüência da vida selvagem, do tigre comer carne.

Sua ordem é a selvageria. É com a selvageria que os animais se organizam melhor do que nós, a menos que nosso caótico sistema seja um organismo organizado se visto de fora, sem as sensações de quem o sofre por dentro, stress possivelmente dividido pelos animais também dentro de seu sistema que externamente parece perfeito (como dizem, a natureza é perfeita).

Se a ordem comum dominasse a Whinehouse talvez ela prendesse sua poderosa voz, seu harmonioso trovão. Muito do que ela faz é proibido. Mas a quem quiser lhe ordenar, ela ruge:

No, no, no.

Não, não, não.

Na, na, na,

ni, nã, não.

Havia um velho que sempre passava o dedo no gargalo da garrafa de azeite de oliva. Sua esposa igualmente sempre dizia que era uma falta de educação para com os outros presentes à mesa. E é em defesa dele que eu falo um pouco – a coisa brechtiana de margens opressoras com caras de santinha.

Como o punir?

Se ele faz o que lhe é de instinto fazer, exerce seu prazer.

Tire as crianças da sala, não mude a sala por causa delas.

As crianças que sejam protegidas. Os não-fumantes que fiquem nas salas fechadas. Os incomodados que se retirem.

Porém no escuro de cinema eu ainda mato um mastigador exagerado de pipoca.

Então o chupador de azeite de oliva incomoda.

Como o punir?

Aí vem a lógica do velho do saco. E quem quiser o desafiar que desafie.

Controle da selvageria tem de ser moderado, para que a selvageria se modere espontaneamente, sob pena de, oprimida, ela, como uma mola, voltar-se mais e mais forte contra quem a impede, contra quem a impele não poder ser.

O bom senso cuidaria disso. Mas no Mc, se sai um pedido errado, eles jogam no lixo, jogam dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebolas, pepinos e pão com gergelins novinhos direto no lixo. Do contrário o pedido errado seria objeto de ocorrência intencional com fins de benefícios ilícitos, do tipo levar um nº 1 grátis, ou uma batata média, ao menos. E eu aposto com vocês que ia dar muito. Infelizmente. Então nosso bom senso precisa ser censurado, sob pena de virar bagunça. Ou espinhos, talvez.

Precisamos da lei. Evidentemente. Precisamos de punição severa para quem se torna uma arma letal no trânsito (ou em qualquer outro lugar). A parte da tolerância zero não é boa, aliás, a tolerância zero à parte – tolerância zero é piada, e piada da cômica personagem do cômico finado Milani.Tolerância existir sempre é bom, o seu excesso é tão ruim quanto qualquer excesso, e sua falta é tão ruim quanto qualquer falta.

Alguma alcoolemia ao trânsito não nos fará mal. E querem resolver com a lei a várzea que era até agora. Pouco puniram indivíduos realmente assassinos em carros com o rigor que vem sendo punidos os copos de cerveja, as taças vespertinas de vinho que fazem bem à saúde e os brindes de champanha.

A minha colega é super legal, mas como ela vem se meter na minha vida?

Como esta lei da porra me aterroriza?

Não mais (talvez) poderemos tomar uma e voltar para casa devagarzinho, quase parando, tomando cuidado.

gancho = metáfora : trovão tigre três coragem outubro (revolução) proibido atraso mudar ordem progresso atraso bola opressão tolerância selvageria flor nascida espinhos rosa domingo tv regrada quebrada erudição etc

Eu pensava no fim do (daquele, agora) domingo no poema I, 3 dos Sonetos a Orfeu, porque o havia lido, na rima ABABCC (na tradução de Augusto para o português BR, a língua brasileira, que o próprio Augusto vem ajudando a construir) vs. ABACBC (original de Rilke), e na materialidade, ou somente no movimento mesmo, das palavras próximas alento/ vento, Verrint/ Wind. E num poema quase seguinte a este, o I, 11, da conjunção dos astros e alegria por crer na ilusão. “Vem que a felicidade mora aqui, tudo é ilusão” cantaram também no domingo popular da televisão aberta do nosso Brasil, Didi e Dedé, juntos novamente, como a ordem e o progresso. Agora falta só o Dadá Maravilha, o Dodô artilheiro dos golos bonitos e algum Dudu por aí, e daí teremos um quinteto vogal, que poderá ser vocal ou de qualquer outra atividade.

E no fim da grade televisiva comercial daquele domingo um programa local o Tele-Domingo (o qual há tempos não assistia por me deixar depressivo ao lembrar-me da segunda-feira vindoura e conseqüente tédio incutido nela por causa de um sistema rotineiro de aquisição de dinheiro), que, aliás, talvez seja o que de melhor a RBS nos dê, dava uma reportagem sobre eutanásia animal, e eu penso que o cão pela incondicionalidade com que se entrega é realmente o melhor amigo do homem, e não poderia o Uísque ser sua versão engarrafada, posto eu ter pensado (e citado – o nome, não alguma frase) em Vinícius lembrei-me disso, pois antes disso o homem é o melhor amigo do Uísque, até por ter lhe dado a vida ao lhe libertar dos grãos, o contrário do que fez com o cão, de cujo qual privou-lhe a selvageria (mas talvez tenha o libertado do lobo e talvez o uísque também seja incondicional).

E parei em amigos pois falávamos (se considerarmos isso uma conversa) em cães, e falei (ou falamos, então) em Didi e Dedé, Quico e Chaves, amigos que foram e voltaram, que são mas não foram muito tempo e hoje aqui no centro de Canoas cantavam a música Amigos para Sempre naquela versão brasileira, aquela da primavera ou qualquer das estações, e isso, hoje, 4 de julho, ajude a justificar o atraso. E o atraso é também um recurso conceitual que lanço mão não espontaneamente mas me apropriando do acaso como Pollock talvez tenha feito da tinta e tantos outros exemplos, pois a maioria do que aqui escrevi relativo à lei seca no trânsito foi no calor da hora, e isso permanece atual, há notícia todo dia, é a Isabella Nardoni do momento.

E o Hababaca, fora a coisa de nos trazer o drástico de Bufallo Bill para nossos tempos, fora a coisa de mostrar que a realidade da morte não é tocante, pensemos no exemplo do cão: o cão não se sabia preso.

Talvez não saibamos o quanto estamos presos.

Ou não valorizamos o saber de estarmos vivos. E livres, do que se pode dizer ser vivo por excelência.

Então é preciso viver urgentemente. Ou libertar-se para isso, também urgentemente.

Transformar a pressa em prática, em coragem continuada em vez de pessimismo adquirido, ou invés mesmo, pois isso semanticamente simboliza o contrário (ao invés de ir, voltou, descer, subiu) para poder desamarrar-se, para não morrer.

Pois amarrados morreremos. E morremos aos poucos.

O que faz do ser humano ser mais humano?

O ser humano vem sendo domesticado.

O cão é mais cão quando é mais lobo ou quando é mais gente?

O cão é cão porque não é completamente lobo e porque não é completamente gente.

O ser humano para matar ou para criar uma obra-prima desvia-se do mesmo modo do comum.

Abster-se do comum para se extremar. Abster-se do comum imposto.

E ainda assim humano.

E emerge do coração uma necessidade de erudição, de se livrar da TV aberta, da janela aberta que nos encerra nela. Uma jovem nua para um jovem padre. Uma doce flor aflorando bonita e cheia de adjetivos e pleonasmos. Para verter o processo contrário, e resgatar verdades da profundidade atemporal e não imprimi-las em superfícies sazonais. O sacrifício pela beleza, nem que seja uma beleza que sirva a mim mesmo, somente, o sacrifício de criação.

A Arte é uma ferocidade.

A maneira de achar felicidade é a ferocidade de cada um.

Du mußt dein Leben ändern.

A abstinência faz dos cães mais cães e dos tigres menos tigres.

e se habacuc ao cusco desse um churras?

2008,junho2,segunda-feira às 12:29PM | Publicado em critica-se, Não classificado | 9 Comentários
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S

e Habacuc desse ao cão um banquete, um bolinho de carne que fosse, sei lá, e o deixasse comer livremente, engordar, brincar, continuaria a mostrar a hipocrisia à qual se refere (e que realmente existe), pois as pessoas felizes ao verem um bichinho salvo refletiriam a mesma omissão, sem que ele corresse o risco de virar um Hababaca. Mas ele queria que as pessoas abrissem o bico para poder lhes apontar o dedo. Se ele realmente pensasse a arte como uma maneira de atingir (em todas as conotações) as pessoas, teria sido uma maneira bem mais refinada esta de encher o cusco de comida.

Ou se soltasse o cão em determinado ponto, forjaria um happy end deixando mais sinuosa tal hipocrisia.

E da obra poderíamos tirar uma lição ainda, de uma imagem (de um miserável, seja animal ou gente) que gera sentimentos nobres nos observadores exibida na vida real, que mostra que se não poderia ver beleza alguma nesta gravidade.Mas o discurso dele é bem claro, ele quer mostrar a hipocrisia das pessoas. Então me parece que o escopo dele é polêmica mesmo. É a polêmica da qual poderíamos criar até uma modalidade ou corrente de arte, de tantas obras que – nascidas de idéias até boas – desvirtuaram-se em busca do caminho mais polêmico, mais gratuito, mais auto-promocional. E que subestima os iniciados sem nem mesmo incluir os leigos. E de polêmica nada necessário nos dias de hoje. E por mais que todos colaborem com a obra ao falar dela, este processo não é novidade nenhuma. Ele por si só é apenas um método, já antigo, e por si só não tem mérito nenhum (para quem quiser dizer que a obra dele não foi compreendida em sua totalidade de fazer a sociedade se refletir (isso todos as coisas fazem a todo momento)). E a polêmica por si só é retrograda, é uma coisa de quarentas anos atrás.

Abaixo o Hababaca, por tirar uma vida assim por auto-promoção ou por não se esforçar numa linguagem mais sofisticada e mais marcante. Todavia sem grandes vivas para as campanhas contra ele, pois devo concordar nalguns pontos com este rapaz aqui.

 

Porém a piedade é instintiva, é quase uma dor física (e talvez aja fisicamente, numa esfera muito menos visível, em patamares infinitesimais, mas fisicamente, pelo fato de não se poder evitar, mas somente resistir, naquilo que se chama espírito ou equivalente, e por isso tudo doa conforme a resistência de cada um).

O que dá força a piedade é a indefensão das vítimas. E a dos animais (julgamos nós, ao menos, e com boas constatações científicas a respeito) vai além, abarca até a consciência.

A nossa compaixão no seu estado mais intenso é pela ignorância do animal. Pela forma abstrata com que ele sente, sem saber o porquê, ou mesmo de porquês – e na abstração as coisas são puras. Ele ignora. Sofre tão somente.

É como a ignorância do boi velho, do cavalo morto.

E por isso tudo eu sinto pena, grande pena, mesmo que seja desse recorte específico.

Se lançarmos um olhar isento (não sei bem de quê) sobre isso, talvez a pena não valha a pena. E de longe nada vale mesmo. A morte é comum, bem comum, e a crueldade também. De longe, até se fosse com a nossa mãe, amor da vida etc, em nenhum caso caberia piedade alguma, se ampliarmos o mesmo raciocínio que nos levaria a não se tocar pelo cão (se formos isentos – não sei bem de quê – em tudo). E a arte às vezes necessita também desta visão, deste plano geral frio, um ponto de vista de deuses, de desprezo pela vida (o politicamente correto, ou só o correto, não pode delimitar o terreno da criatividade, das constatações).

Então isso é arte, mas arte ruim (não má, não falo disso), pobre, de linguagem pobre (a reflexão boa gerada pela obra é mérito de quem a pensa e não está no sistema criado pelo artista, por mais que quem o defenda supervalorize sua dimensão extra-galeria (novidade nenhuma, como dissera)).

Mas por mais que se tente ver com uma mão na cabeça, a outra fica no coração.

jogador camisa 8 e 1/2

2008,abril10,quinta-feira às 4:45PM | Publicado em 2º caderno | 6 Comentários
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Nem falarei muito agora para não falar muitíssimo – fá-lo-ei em outra hora – posto que posto a fim de divulgar o abaixo assinado para assinarmos e assassinarmos a idéia de unificação da língua portuguesa, porque o objetivo não será cumprido (dentro do Brasil mesmo se falam portugueses diferentes).

Não conheço a história dos abaixo assinados, não sei qual é seu desempenho médio, mas sou fã dos acentos gráficos (todas as proparoxítonas devem ser acentuadas graficamente) que não devem ser alterados, mas outras regras importantes talvez serão.

O engraçado é que o site é in english, ou seja, Name Required etc. Mas é porque é um site (sítio!) mundial.

Ei-lo.

E aqui eis a proposta de alterações, para ninguém assinar sem ler.

E aqui o que está em vigor.

São alterações que mudam mais a gramática lusitana, que penso deve ser preservada como está – até porque efetivamente não oferece nenhuma dificuldade para o entendimento dos brasileiros e é coerente com a pronúncia usada naquele país – e continua sendo uma forma de identificar se o que tu lês é brasileiro ou não.

A língua portuguesa é uma ferramenta perfeita, as regras têm grande coerência entre si e as regras lusitanas definem a maneira de pronúncia correta das palavras, como havia quase acabado de dizer.

Aliás, se é para unificar, já existe o inglês que unifica até japoneses e argentinos.

E realmente não precisa, é como querer unificar Pelé e Garrincha num só jogador, que seria, pela média, o camisa 8,5. Não dá.

Foram usados textos de Oswald de Andrade, Fernando Pessoa e João de Lobeira para a composição da imagem.

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