obama lá

2008,novembro5,quarta-feira às 11:43PM | Publicado em crônica, gente, hojes | 3 Comentários
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Como disse no Twitter (ou twittei), hoje um Lindemberg filho de Richthofen poderia atirar uma Isabella Nardoni pela janela que não teria vez no JN nem noutro lugar: só dá Obama.
O Sarney falou que é uma consagração da democracia (ou algo assim). Muita gente falou isso, mas não bastasse falar, ainda brilharam os olhos.
Agora eu penso nesta coisa brasileira de olhar assim (um “assim” fã) para os E.U.A..
Há seis anos atrás um torneiro mecânico que se formou no movimento grevista operário tornou-se presidente do Brasil.
Claro que eu entendo a euforia geral em volta do Obama (e a imprensa já faz seu trabalho para amplificar isso), e eu mesmo torci para ele, mas, em termos de consagração de democracia, o nosso four-fingers já é o bastante. Ou seja, piadas e piadas, e nada de olhos brilhando.
O Brasil é uma harpia que acha que ser águia é muito melhor.

Para não perder o costume, quem quiser assistir o vídeo que fiz sobre democracia no viés do número 8 (!) (está também uns posts abaixo) vide aqui.

Lembra quando diziam o ZAZ mudou e agora virou Terra? Pois bem, este post era uma mensagem no Twitter e agora (não hoje, mas somente atualizei hoje) virou texto no Amálgama.

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a 1ª pedra

2008,outubro28,terça-feira às 10:11AM | Publicado em crônica, hojes | 4 Comentários
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Eloá morreu. A culpa é da imprensa. A culpa é da polícia. A culpa é do culpado. A culpa é da Eloá. A culpa é do amor. Bruno Barreto disse que o caso de Lindemberg é parecido com o do ônibus 174. Sandro participou da chacina da candelária. A polícia participou da chacina da Candelária. A imprensa falou que a chacina da Candelária não é legal. Lindemberg ama Eloá. Sandro não amou. Luiz Eduardo Soares escreveu um livro (entre tantos outros) no livro uma coisa que mostra (entre tantas outras) o BOPE é cruel. José Padilha dirigiu um filme a partir do livro de Luiz. Capitão Nascimento para presidente. O BOPE é herói. José Padilha dirigiu o documentário ônibus 174. Um policial do BOPE matou sem querer a refém. O BOPE é vilão. Bruno Barreto pode ir ao Oscar com o filme 174 última parada. Bruno Barreto é herói. Bruno Barreto perdeu o Oscar em 97. Bruno perdeu o Oscar. José e Luiz pensaram o ônibus 174. Gabriel o Pensador fez uma música 175 nada especial. O policial errou o tiro. O Lindemberg perdeu a vida. O Lindemberg errou. O Sandro errou. A imprensa disse que eles erraram. A imprensa disse que Bruno perdeu o Oscar. A imprensa não disse que ela errou. 40 mil pessoas no enterro de Eloá. 1 pessoa no enterro de Sandro. Sandro morreu.

Bem, falando mais racionalmente (ou oficialmente, pois raciocínio da mesma forma e a irresistível comparação-clichê fôrma) sobre o assunto, fiz um comentário tão extenso que o poderia transformar em texto, mas como inventaram o link, vide o texto de João Paulo Lima ao qual o comentário seguinte se reporta, para eu registrar sem os palavrões o que fico falando mais ou menos para todo mundo quanto o assunto é este. E assim é bom porque já dá para se saber o processo que resultou naquele texto caixa 14pt lá em cima. Ei-lo:

Esta síntese de ficção e realidade seria uma tendência pós-moderna, de a vida real ser o espetáculo, dos 15 minutos de fama. Mas o que prudentemente chamaste atenção é para o fato da imprensa “ficcionar” a realidade, ou seja, forjar uma hiper-realidade, ainda que o real alterado seja o do mundo criminal, da notícia, o que exige muito mais responsabilidade (ou neste caso culpa) do que um produto cultural, como um reality show.

Porém eu repenso o papel de um terceiro elemento que agrega o seqüestro em si, que complementa o papel da polícia e da imprensa: nós, os espectadores, os que também contam a história.
Criticamos a imprensa, mas a visão que temos foi fornecida por ela. Claro que podemos filtrar a informação que recebemos, mas não podemos ter mais informações do que temos. Analisamos o caso da TV sem conhecer pessoalmente nenhum dos envolvidos e neste sentido colaboramos para dar a ficção desta realidade, porque ainda não possuímos o conhecimento desta realidade.
Há quase um consenso em dizer que houve erro da polícia e que o rapaz se alterou devido à presença da imprensa.

Sobre o que falou Bruno Barreto, há a teoria de Luiz Eduardo Soares, da invisibilidade dos meninos de rua, da qual ele fala no documentário de José Padilha. Segundo ele, o menino de rua quer ser visto, quer marcar sua existência no mundo, pelo qual passa despercebido (quando aponta a arma ele está a estender a mão para pedir ajuda). O caso do seqüestro pode ter sim suas semelhanças (e muito provavelmente tem), porém no universo de Lindemberg, dele para Eloá, para seus amigos, para o mundo todo ver; mas temos de lembrar que é um caso pessoal, posto que o caso do Sandro do ônibus 174 é o recorte de um caso genérico, baseado no estudo de um nicho (sub)social (perdoem-me os termos não técnicos): os meninos de rua. Mas o caso de Lindemberg é muito específico, não se pode classificá-lo ainda num nicho determinado, como se pôde no caso de Sandro (e isso somente após ir atrás das informações da vida do rapaz, de investigar uma possível origem de sua motivação – o filme de José Padilha citado antes é um belo estudo sobre isso).
O que quero dizer é que é cedo para falar e que temos apenas uma superfície, fornecida pela imprensa. A impressão que tenho é que fazemos análise sobre uma versão de história, desde o começo encaixamo-la no caso do rapaz-que-faz-uma-besteira-vira-um-show-e-gera-uma-tragédia-sem-querer, subestimando sua capacidade criminal e superestimando esta influência da imprensa, e tudo isso sem ainda conhecer a história mais a fundo.
Com a ação policial o buraco é ainda mais embaixo, pois muito da técnica que aprendemos para criticar a técnica deles vem novamente da imprensa, de entrevistas de especialistas, opiniões de autoridades no assunto etc. Mas, a não ser raríssimas exceções de alguns que devem ter algum conhecimento tático sobre seqüestros, o conhecimento destas opiniões não nos habilita a fazer análises próprias. Somos ainda leigos. Eu posso dizer que tal fulano especialista nisso e naquilo disse que eles erraram, mas eu não tenho condições de afirmar o mesmo.

Claro que teu texto analisa o caso também como um exemplo, como ilustração (mas não somente isso) desta influência da imprensa, o que é muito bem observado. E sutilmente fala da fabricação (ou “potencialização”) de criminosos por parte dela e da polícia, outro ponto importantíssimo. “A responsabilidade da mídia sensacionalista precisa ser discutida e apurada”, como disseste, bem como a hipótese da polícia ter cedido à pressão da mídia (quando talvez nem devesse deixá-la se envolver tanto, dar tanta atenção). Assim é importantíssima não tanto a conclusão (porque se tem falado dela por aí), mas a análise (e o recurso de comparação com a tragédia) que usaste para se chegar a ela. Mas creio que temos de ter cuidado ainda com a simplificação do fato (não é o caso do teu texto, mas sim do que ele pode gerar nos seus leitores) para não sermos também vítimas desta “recriação do real”.

para pará: pára.

2008,setembro30,terça-feira às 6:36PM | Publicado em Não classificado | Deixe um comentário
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Talvez a saída seja falar diretamente ao Pará, a fim de que ele pare, ele, com sua definição subjetiva de terra, e de seu céu sobre a terra, na qual todos usam seu nome, ou numa esfera mais subjetiva ainda, subjetiva porque real, porque o Pará é um nome, porque ele é um pedaço da Amazônia, e seu pedaço, ou sua Amazônia, se voltarmos a abstração Pará, deveria ela reagir, com seus jaguares, suas sucuris e até trazer uns guarás do pantanal, estes que mesmo não ferozes assustariam os filhos dos trabalhadores, para que aquelas pobres gentes arranjassem um jeito outro de se alimentar, e para que aqueles ricos arranjem um outro ouro fácil que não queime nossa floresta. Se a Europa queimou as dela e todos queimaram as suas, se a Índia desgraçadamente (e desgraçadamente somente se usa em certezas) mata seus tigres para fazer viagras placebianos que vá tudo para o inferno, porque não é porque teu primo pula num poço que tu vais pular também.
Eu não sei o que fazer além do pouco que faço da cidade, que é ajudar quem faz alguma coisa, dize-me, se souberes.

Discordamos muitos de música, de arte, da vida, do que quer que seja, mas há unanimidades porque verdades simples: e a floresta queimada virando pasto para gado, virando plantação de soja que virará alimentação de gado, ou virando madeira é isso que nos dá vontade de matar não alguém, mas quem faz isso.

p.s.: após o Lula lá assinar o negócio da língua portuguesa, talvez tenha de mudar com o tempo os acentos ali em cima. Minha opiniãozinha sobre o assunto está aqui.

rapsódia dominical atrasada de atraso justificado

2008,julho5,sábado às 2:27PM | Publicado em crônica, diário, hojes | 1 Comentário
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a Eliana (a dos dedinhos, a de se pôr a mão inteira, as palminhas também) de domingo último (que já não é mais o último, ao longo do texto explico) um cão adestrado, que são cães que não comem carne, somente ração, não no chão, mas na mão (as paupérrimas rimas – ou riquíssimos ecos – são para reforçar o tom de sempre que se tem nisso, poema pobrão, pobraço – e probidade, aproveitando a deixa, que se tem nisso), a fim de que equivalha a um prêmio. Por outro lado, a lei 9.503, o CTB, Código de Trânsito Brasileiro, alterada pela lei 11.705/2008, não determina que se dê dinheiro ou que se dê isenção (e normalmente não se dá nenhum dos dois, no máximo um descontinho no IPVA antecipado) para quem sempre foi certinho, para quem, quadrado, nunca bebeu uma gota de álcool porque ia dar uma volta na quadra (à esquerda 4x ou à direita em igual nº) para secar o carro. O fato que a única coisa que eu sabia que fazia as pessoas não beberem era o antibiótico. Agora esta lei.

No domingão do Faustão (paupérrimas rimas calham aqui também) tigres que não comem carne, tigres domesticados, que são tigres de Kanchaburi, que são tigres cuidados por monges, se é que são os mesmos constantes na revista Discovery Magazine de outubro de 2004 (um ano que durou mais de um ano para mim) edição nº 3 (3 de outubro eu nasci, mas não de 2004, pois teria 4 anos ou este ano faria 5 na data dita, o que me tornaria um fenômeno do crescimento) por cuja posse paguei oito reais e noventa centavos (R$ 8,90). Digo isso porque eu via o imortal se firmando como líder do campeonato num aparelho televisivo, e isso dos tigres aparecia no outro, pois estava num bar por não ter querido ir ao campo naquele dia, e bares têm mais de uma TV, e distribuídas em mais de um canal pois nem todos são gremistas, e nem todos gremistas querem ver o jogo do Grêmio. E vi porque tigres são fascinantes, fascinantes, são cânceres da natureza, então digo tudo isso pois assisti à matéria sem som, e com a atenção (tensão não houve, pois os tigres estavam dentro da televisão e o tricolor vencia fácil) permutada entre uma TV e outra.

No ZH, Marcos Rolim mui oportunamente falava da vergonhosa demissão do motorista do Palácio Piratini. Vide vós que andei pelos veículos populares (não me refiro aos carros mil, ou carros mis, se houvesse plural neste mil-adjetivo) e sim a isso que me referi (TV aberta, jornais de maior circulação em suas terras).

Em suma, aqui são episódios de domingo último, dia vinte e dois de junho de dois mil e oito (22/06/2008), portanto um texto atrasado, mas o tempo me não importa muito, não nesse sentido, de sucessão, de ordem, de medida, de mensurar informações, pois elas cá estão ainda. E se me proponho a falar do ônus da ordem nada melhor que me livrar dele.

E finalmente o atraso justificou-se justamente por causa dele: hoje, já quinta-feira (que devido a novo atraso não é mais hoje, mas sim semana passada, e agora, neste momento, terça, dia 1º de julho de 2008), já passadas mais de 96 horas do domingo (e agora horas e horas), antes de sair de casa ouvi uma reportagem que quem via era outra pessoa a respeito de uma rosa que nascera espontaneamente sem espinhos em Fortaleza.

Uma rosa sem espinhos.

Chamam-na Iracema, homenagem à sedosa pele da célebre personagem de José de Alencar (s/ “de” é o Ilmo., ou V. Ex. a., ou ainda “apenas” Sr. Presidente em exercício quando o Lula não está, ou simplesmente o vice).

É certamente umas das metáforas-chave, essa da rosa ter espinhos.

E neste caso ela não tem. Uma subversão-chave, diria, com propriedade de quem disse o que agora mesmo disse.

Era uma verdade, uma regra quebrada. E neste caso, a regra quebrada metaforiza a regra instituída: tirar os espinhos da rosa.

Voltando àquele domingo, no domingo meu, de vida privada, meu avô, o seu (não seu de teu, seu de Sr. (ou V. Ex. a., ou Ilmo., tanto faz, tipo seu Madruga) Marcolino, disse (o que era para ser epígrafe deste):

“Se eu bebo um copo de vinho não me muda nada.

Agora, se eu tomo um tanto assim (indicou com o dedo o equivalente a menos de 100 ml, acredito) de cachaça, não é que me dê sono nem nada, me dá coragem.”

Seu Marcolino

Meu patrão na repartição disse o seguinte na segunda seguinte àquele domingo:

“Eu não gastei um centavo este final de semana (isso num contexto que, mais que dar a entender, dizia (entanto sem todas as letras) que foi porque teve de dirigir e portanto não bebeu). ”

Meu patrão na repartição

Vide vós as vantagens da vida regrada. Do cão não comer carne.

A colheita da lei (da ordem) já aparecendo. E da ordem para o progresso, como diz a nossa bandeira, ou pelo menos a bola (esfera) azul que há no meio dela, segundo a qual eles, a ordem e o progresso, podem ser mesmo considerados uma dupla, enfim, dela para ele é um tapa.

Já vislumbro novas leis: a proibição de quaisquer tamanhos (e não somente a mini, que por sinal nem é proibida) de saia para evitar brigas em bares, para evitar ciúmes e conseqüente atos violentos e conseqüente homicídios culposos e/ ou dolosos.

A proibição de garotas (algumas) gostarem de rapazes rebeldes (alguns), a fim de evitar que rapazes empinem motos, bicicletas, pipas (o perigo da rede elétrica), executem saltos mortais em piscinas (perigosíssimo) e tantas outras façanhas apaixonantes dignas dos mais interessados e interessantes olhares femininos.

É certo que a estética canina carrega consigo o sacrifício, vida de cão, underdog, cão do caralho, eu não sou cachorro não, e o sacrifício remete a treino, que talvez seja a palavra que eu deveria ter usado, claro, sacrifício para alguns, mas confinamento de atividades num modo geral. Então o cão do lobo foi-se disciplinando (uma miríade de anos treinando, até na sua indisciplina, de cometer erros, aproximando-se dos humanos e à imagem e semelhança (em tentativa) desses) até tornar-se cão. E os cães são potencialmente piores que crianças, são piores até que a Casadovinho (tema a ser abordado em seguida), e o que os faz ficar bem é o cumprimento das ordens, é o que, oprimindo-os, torna-os melhores.

E além disso a lei incentiva o transporte coletivo, o táxi (uma coisa meio NY), posto que ninguém quer ser motorista, especialmente conduzir ébrios no próprio carro sem poder se tornar um deles – nem a opção de, na impossibilidade de ir contra, juntar-se ao inimigo. E talvez o mesmo faça com a boêmia local, ir a festas a pé no próprio bairro, até o momento de proibirem andar na rua bêbedo (ok, está foi uma ironia exagerada e, portanto, devido à semântica dessa palavra, desnecessária). Já não se bebe mais em estádios no RS, e quase tivemos ano passado Grenal campo único, quase vira no seio de seu espetáculo maior só GRE ou só NAL. Pois sim, se não bebermos quando dirigirmos não haverá problemas.

Algumas abstenções sempre fizeram bem aos budistas, aos militares, aos abdominais definidos entre outros felizes exemplos.

Mas há ossos do ofício. Há mesmo mortos do ofício.

O rei do Chapolin, o rei que ganhou a roupa que só os inteligentes podiam ver, que em verdade me fez lembrar o Hans Christian Andersen, que em verdade tal rei, o Rei Nu, era seu, e fora adaptado por Roberto Gómez Bolaños, assim como o foram Chaplin (ou melhor, Carlitos) e Peter Sellers (ou melhor, Inspetor Jacques Clouseau), por isso, sem desmerecer o grande trabalho do Chave del Ocho, eu prefiro o Carlos “Quico” Villagrán, que aliás fez, e muito bem, o papel do rei pelado, pelado de inteligência, inclusive, pois não via o tecido, ou astúcia, pois não percebeu a fraude, porém, voltando ao que dizia, penso que não se tratava efetivamente de tal rei, pois o monarca que eu tentava lembrar e lembrei o rei nu, era em verdade um rei que fazia uma lei conforme as coisas sucediam e é bem famoso justamente por este hábito e me ocorreu que como eu confundi talvez confundira-se o Hans Christian Andersen ao pensar que o rei de Roma cuja roupa o rato roera era o rei da roupa fraudulenta de sua imaginação tão fértil que teve esta imagem semeada como se idéia dele mesmo fosse.

Uma colega minha cujo nome não citarei mui oportunamente me informou que eu deveria trocar meu carro, o qual eu adquiri em 2006, apesar de ser modelo/ano 2005, e mesmo na concecionária e 0 o quis assim, atrasado, pois era o modelo de minha preferência, enfim, o meu, o Trovão Azul (homenagem a um peixe beta morto pela sua esposa na infância em vista da nossa ignorância em relação aos hábitos acasalares de tal espécie), já teve seu 2º aniversário comemorado, beira os quarenta mil km, já tem suas marcas, por isso tudo oportunamente me disse a inominada colega que ano que vem vem o novo modelo, que na Europa já seria velho, ou ao menos sabido, mas sabido, no outro sentido, é o meu, que sabe me deixar o levar aonde eu quero quase automaticamente e já esconde as coisas que eu esqueço quase como se soubesse isso também. Virão novos Clios (que também é uma das nove musas, aquela que carrega um moleskine escrito Thucydide na capa, que inventou a guitarra, e que pode bater no peito de dizer eu sou a musa da criatividade e da história – essas duas realmente andam muito próximas, se pensarmos na invenção de histórias, bem como nos atos que fazem alguém participar da versão real da história, aquela ciência humana, no caso). Sim, novos Clios virão, mas não novos trovões, pois trovões são meio que raios, e portanto não repetem seus fracassos, sucedem num lugar só, seu sucesso muito se deve a seu fracasso, então, a este tipo de fracasso sempre inédito, então novos trovões não vêm, ou o ditado está errado, ou foi ditado errado.

Se eu acatasse o conselho dado (e não vendido) pela minha colega, isso me deixaria mais rico, mais avançado, mais progredido – tudo o que uma nação ou qualquer lugar que mantenha uma bandeira gostaria de ser. E me deixaria sem meu Trovão.

Trovão é chamado também o rugido dos tigres.

Mas a quem e para que ruge um tigre vegetariano, ou onívoro, ou mantido a rações, que seja? Que, nascendo, tendo sido planejado para matar, não mata?

Um tigre sem garra é uma coisa triste demais; porém um tigre com garras que as olhando se pergunta para que as tem talvez seja duas vezes mais triste, ou talvez pior ainda o tigre que caça bolas e nem sabe que poderia estar vivendo do que brinca, estar caçando um antílope, ou até um búfalo, ou até um urso, com a emoção de ter de vencer para comer, ter na caça a vida em vez do hobby, e este é o caso mais triste destes três tigres tristes e porquanto seja três vezes mais triste, já que antes foram duas e simples.

A Amy Casadovinho está p/ lá da casa do caralho, ou para lá de Bagdá, ou Marrakesh, enfim, isso segundo a imprensa, e me surpreende até que haja surpresa nisso, que isso não é novo, e os jornais chamam-se NEWSpappers, embora em português seja Jornal (diurnale, de diário – e, sabemos, nem todos os dias são diferentes). Enfim, novamente, a moça de voz tão bonita (ou a voz de uma moça tão inquieta) faz coisas que a maioria das pessoas não acha bonito, mas para ela creio que seja, senão não faria. O prazer sempre é bonito para quem o sente, mesmo que por fora possa parecer feio ou ridículo. “Deixa ela (sic.) quietis”, diria Mussum, ou beberia mui felizmente da sua bebida (hic)(de soluço). Coisa que nenhum dos dois deveria ter feito tanto (e tampouco Vinícius, e todos os exemplos que vêm em flash nas nossas cabeças), mas talvez se não tivessem feito não falaríamos deles agora, ou daqui a pouco, que seja.

A (in)conseqüência da vida selvagem, do tigre comer carne.

Sua ordem é a selvageria. É com a selvageria que os animais se organizam melhor do que nós, a menos que nosso caótico sistema seja um organismo organizado se visto de fora, sem as sensações de quem o sofre por dentro, stress possivelmente dividido pelos animais também dentro de seu sistema que externamente parece perfeito (como dizem, a natureza é perfeita).

Se a ordem comum dominasse a Whinehouse talvez ela prendesse sua poderosa voz, seu harmonioso trovão. Muito do que ela faz é proibido. Mas a quem quiser lhe ordenar, ela ruge:

No, no, no.

Não, não, não.

Na, na, na,

ni, nã, não.

Havia um velho que sempre passava o dedo no gargalo da garrafa de azeite de oliva. Sua esposa igualmente sempre dizia que era uma falta de educação para com os outros presentes à mesa. E é em defesa dele que eu falo um pouco – a coisa brechtiana de margens opressoras com caras de santinha.

Como o punir?

Se ele faz o que lhe é de instinto fazer, exerce seu prazer.

Tire as crianças da sala, não mude a sala por causa delas.

As crianças que sejam protegidas. Os não-fumantes que fiquem nas salas fechadas. Os incomodados que se retirem.

Porém no escuro de cinema eu ainda mato um mastigador exagerado de pipoca.

Então o chupador de azeite de oliva incomoda.

Como o punir?

Aí vem a lógica do velho do saco. E quem quiser o desafiar que desafie.

Controle da selvageria tem de ser moderado, para que a selvageria se modere espontaneamente, sob pena de, oprimida, ela, como uma mola, voltar-se mais e mais forte contra quem a impede, contra quem a impele não poder ser.

O bom senso cuidaria disso. Mas no Mc, se sai um pedido errado, eles jogam no lixo, jogam dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebolas, pepinos e pão com gergelins novinhos direto no lixo. Do contrário o pedido errado seria objeto de ocorrência intencional com fins de benefícios ilícitos, do tipo levar um nº 1 grátis, ou uma batata média, ao menos. E eu aposto com vocês que ia dar muito. Infelizmente. Então nosso bom senso precisa ser censurado, sob pena de virar bagunça. Ou espinhos, talvez.

Precisamos da lei. Evidentemente. Precisamos de punição severa para quem se torna uma arma letal no trânsito (ou em qualquer outro lugar). A parte da tolerância zero não é boa, aliás, a tolerância zero à parte – tolerância zero é piada, e piada da cômica personagem do cômico finado Milani.Tolerância existir sempre é bom, o seu excesso é tão ruim quanto qualquer excesso, e sua falta é tão ruim quanto qualquer falta.

Alguma alcoolemia ao trânsito não nos fará mal. E querem resolver com a lei a várzea que era até agora. Pouco puniram indivíduos realmente assassinos em carros com o rigor que vem sendo punidos os copos de cerveja, as taças vespertinas de vinho que fazem bem à saúde e os brindes de champanha.

A minha colega é super legal, mas como ela vem se meter na minha vida?

Como esta lei da porra me aterroriza?

Não mais (talvez) poderemos tomar uma e voltar para casa devagarzinho, quase parando, tomando cuidado.

gancho = metáfora : trovão tigre três coragem outubro (revolução) proibido atraso mudar ordem progresso atraso bola opressão tolerância selvageria flor nascida espinhos rosa domingo tv regrada quebrada erudição etc

Eu pensava no fim do (daquele, agora) domingo no poema I, 3 dos Sonetos a Orfeu, porque o havia lido, na rima ABABCC (na tradução de Augusto para o português BR, a língua brasileira, que o próprio Augusto vem ajudando a construir) vs. ABACBC (original de Rilke), e na materialidade, ou somente no movimento mesmo, das palavras próximas alento/ vento, Verrint/ Wind. E num poema quase seguinte a este, o I, 11, da conjunção dos astros e alegria por crer na ilusão. “Vem que a felicidade mora aqui, tudo é ilusão” cantaram também no domingo popular da televisão aberta do nosso Brasil, Didi e Dedé, juntos novamente, como a ordem e o progresso. Agora falta só o Dadá Maravilha, o Dodô artilheiro dos golos bonitos e algum Dudu por aí, e daí teremos um quinteto vogal, que poderá ser vocal ou de qualquer outra atividade.

E no fim da grade televisiva comercial daquele domingo um programa local o Tele-Domingo (o qual há tempos não assistia por me deixar depressivo ao lembrar-me da segunda-feira vindoura e conseqüente tédio incutido nela por causa de um sistema rotineiro de aquisição de dinheiro), que, aliás, talvez seja o que de melhor a RBS nos dê, dava uma reportagem sobre eutanásia animal, e eu penso que o cão pela incondicionalidade com que se entrega é realmente o melhor amigo do homem, e não poderia o Uísque ser sua versão engarrafada, posto eu ter pensado (e citado – o nome, não alguma frase) em Vinícius lembrei-me disso, pois antes disso o homem é o melhor amigo do Uísque, até por ter lhe dado a vida ao lhe libertar dos grãos, o contrário do que fez com o cão, de cujo qual privou-lhe a selvageria (mas talvez tenha o libertado do lobo e talvez o uísque também seja incondicional).

E parei em amigos pois falávamos (se considerarmos isso uma conversa) em cães, e falei (ou falamos, então) em Didi e Dedé, Quico e Chaves, amigos que foram e voltaram, que são mas não foram muito tempo e hoje aqui no centro de Canoas cantavam a música Amigos para Sempre naquela versão brasileira, aquela da primavera ou qualquer das estações, e isso, hoje, 4 de julho, ajude a justificar o atraso. E o atraso é também um recurso conceitual que lanço mão não espontaneamente mas me apropriando do acaso como Pollock talvez tenha feito da tinta e tantos outros exemplos, pois a maioria do que aqui escrevi relativo à lei seca no trânsito foi no calor da hora, e isso permanece atual, há notícia todo dia, é a Isabella Nardoni do momento.

E o Hababaca, fora a coisa de nos trazer o drástico de Bufallo Bill para nossos tempos, fora a coisa de mostrar que a realidade da morte não é tocante, pensemos no exemplo do cão: o cão não se sabia preso.

Talvez não saibamos o quanto estamos presos.

Ou não valorizamos o saber de estarmos vivos. E livres, do que se pode dizer ser vivo por excelência.

Então é preciso viver urgentemente. Ou libertar-se para isso, também urgentemente.

Transformar a pressa em prática, em coragem continuada em vez de pessimismo adquirido, ou invés mesmo, pois isso semanticamente simboliza o contrário (ao invés de ir, voltou, descer, subiu) para poder desamarrar-se, para não morrer.

Pois amarrados morreremos. E morremos aos poucos.

O que faz do ser humano ser mais humano?

O ser humano vem sendo domesticado.

O cão é mais cão quando é mais lobo ou quando é mais gente?

O cão é cão porque não é completamente lobo e porque não é completamente gente.

O ser humano para matar ou para criar uma obra-prima desvia-se do mesmo modo do comum.

Abster-se do comum para se extremar. Abster-se do comum imposto.

E ainda assim humano.

E emerge do coração uma necessidade de erudição, de se livrar da TV aberta, da janela aberta que nos encerra nela. Uma jovem nua para um jovem padre. Uma doce flor aflorando bonita e cheia de adjetivos e pleonasmos. Para verter o processo contrário, e resgatar verdades da profundidade atemporal e não imprimi-las em superfícies sazonais. O sacrifício pela beleza, nem que seja uma beleza que sirva a mim mesmo, somente, o sacrifício de criação.

A Arte é uma ferocidade.

A maneira de achar felicidade é a ferocidade de cada um.

Du mußt dein Leben ändern.

A abstinência faz dos cães mais cães e dos tigres menos tigres.

e se habacuc ao cusco desse um churras?

2008,junho2,segunda-feira às 12:29PM | Publicado em critica-se, Não classificado | 9 Comentários
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S

e Habacuc desse ao cão um banquete, um bolinho de carne que fosse, sei lá, e o deixasse comer livremente, engordar, brincar, continuaria a mostrar a hipocrisia à qual se refere (e que realmente existe), pois as pessoas felizes ao verem um bichinho salvo refletiriam a mesma omissão, sem que ele corresse o risco de virar um Hababaca. Mas ele queria que as pessoas abrissem o bico para poder lhes apontar o dedo. Se ele realmente pensasse a arte como uma maneira de atingir (em todas as conotações) as pessoas, teria sido uma maneira bem mais refinada esta de encher o cusco de comida.

Ou se soltasse o cão em determinado ponto, forjaria um happy end deixando mais sinuosa tal hipocrisia.

E da obra poderíamos tirar uma lição ainda, de uma imagem (de um miserável, seja animal ou gente) que gera sentimentos nobres nos observadores exibida na vida real, que mostra que se não poderia ver beleza alguma nesta gravidade.Mas o discurso dele é bem claro, ele quer mostrar a hipocrisia das pessoas. Então me parece que o escopo dele é polêmica mesmo. É a polêmica da qual poderíamos criar até uma modalidade ou corrente de arte, de tantas obras que – nascidas de idéias até boas – desvirtuaram-se em busca do caminho mais polêmico, mais gratuito, mais auto-promocional. E que subestima os iniciados sem nem mesmo incluir os leigos. E de polêmica nada necessário nos dias de hoje. E por mais que todos colaborem com a obra ao falar dela, este processo não é novidade nenhuma. Ele por si só é apenas um método, já antigo, e por si só não tem mérito nenhum (para quem quiser dizer que a obra dele não foi compreendida em sua totalidade de fazer a sociedade se refletir (isso todos as coisas fazem a todo momento)). E a polêmica por si só é retrograda, é uma coisa de quarentas anos atrás.

Abaixo o Hababaca, por tirar uma vida assim por auto-promoção ou por não se esforçar numa linguagem mais sofisticada e mais marcante. Todavia sem grandes vivas para as campanhas contra ele, pois devo concordar nalguns pontos com este rapaz aqui.

 

Porém a piedade é instintiva, é quase uma dor física (e talvez aja fisicamente, numa esfera muito menos visível, em patamares infinitesimais, mas fisicamente, pelo fato de não se poder evitar, mas somente resistir, naquilo que se chama espírito ou equivalente, e por isso tudo doa conforme a resistência de cada um).

O que dá força a piedade é a indefensão das vítimas. E a dos animais (julgamos nós, ao menos, e com boas constatações científicas a respeito) vai além, abarca até a consciência.

A nossa compaixão no seu estado mais intenso é pela ignorância do animal. Pela forma abstrata com que ele sente, sem saber o porquê, ou mesmo de porquês – e na abstração as coisas são puras. Ele ignora. Sofre tão somente.

É como a ignorância do boi velho, do cavalo morto.

E por isso tudo eu sinto pena, grande pena, mesmo que seja desse recorte específico.

Se lançarmos um olhar isento (não sei bem de quê) sobre isso, talvez a pena não valha a pena. E de longe nada vale mesmo. A morte é comum, bem comum, e a crueldade também. De longe, até se fosse com a nossa mãe, amor da vida etc, em nenhum caso caberia piedade alguma, se ampliarmos o mesmo raciocínio que nos levaria a não se tocar pelo cão (se formos isentos – não sei bem de quê – em tudo). E a arte às vezes necessita também desta visão, deste plano geral frio, um ponto de vista de deuses, de desprezo pela vida (o politicamente correto, ou só o correto, não pode delimitar o terreno da criatividade, das constatações).

Então isso é arte, mas arte ruim (não má, não falo disso), pobre, de linguagem pobre (a reflexão boa gerada pela obra é mérito de quem a pensa e não está no sistema criado pelo artista, por mais que quem o defenda supervalorize sua dimensão extra-galeria (novidade nenhuma, como dissera)).

Mas por mais que se tente ver com uma mão na cabeça, a outra fica no coração.

olho (ou olho por olho) no Bida

2008,maio9,sexta-feira às 2:41PM | Publicado em Não classificado | Deixe um comentário
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O Bida, o tal Vitalmiro Bastos de Moura, foi absolvido da acusação de ser o mandante do assassinato de Dorothy Stang esses dias, não sei se não foi anteontem. O fato de este resultado ser exatamente o contrário do de antes (ou seja, a acusação) é no mínimo estranho. Não acompanho o caso, mas uma coisa eu sei: o casal Nardoni provavelmente não ia matar mais ninguém, mas estes fazendeiros que mandam (notem que não usei vírgula, especificados, os fazendeiros, portanto) à sua maneira nas terras setentrionais continuarão fazendo o que querem lá. Então é muito perigoso. Então se há vestígio de alguma impunidade aí, atentem-se, reclamem-na tanto quanto possam, a freira velhinha recebeu abrupta e covardemente o termo de sua vida também. Pobre dela. Peçamos JUSTIÇA, no sentido burocrático e na esfera social, neste caso ela será muito útil.

 

faz-me rir, brasil-zil-zil

2008,maio5,segunda-feira às 7:06PM | Publicado em gente, hojes | 1 Comentário
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Sabe o que ia ser muito engraçado? Se descobrissem que realmente houve uma terceira pessoa no Nardoni’s defenestrações. E nem precisava ser o André travesti do Ronaldo. Imagina a voz do povo (enquanto voz de deus) gritando “puta que pariu, linchamos as pessoas erradas!” Aí o povo teria de gritar em coro (como gritou Lula lá porque o Lobão chamou no domingão em 89, como gritou Collor, Collor no Raul Gil no tirando o chapéu) para que eles ressuscitassem, contando que sua (ou Sua?) voz realmente possuísse o status da do todo-poderoso – nem que fosse para chamar Jesus, tipo “filhão, dá um jeito nessa porra aí p/ o Pai”. Mudemos de assunto, o assassinato já deu o que tinha de dar. Afinal, tão incomum quanto um pai matar a própria filha é um pai amar a própria filha e constituir família com ela. Ou terremoto no Brasil. Ou um padre voar 5.000 m com balões. Ou o Ronaldo, com aquela namorada, com tantas outras na lista, ir dar um rolé com uns parceirões. Que coisa o Ronaldo, hein? Provavelmente ele não sabia que elas, os travestis, estavam travestidos de mulheres, mas não eram mulheres. Aliás, uma curiosidade é que é “o” travesti, mas todo mundo fala “ela” – penso que para ser democrático(a) com os dois gêneros dentre os quais visualmente flutua. Mas foi, segundo o próprio, o pior erro da vida de Ronaldo, que anunciou ontem em rede nacional que é humano. Mas sem chance, o povo não perdoa: castigo para ele também, junto com o padre, que quis voar (aliás, Bartholomeu de Gusmão deve estar se retorcendo no túmulo a fim de deixar o mesmo e correr atrás dos seus direitos de uso da alcunha padre voador), e com o Rubinho 257 GPs Barrichello, que apesar de nunca ter se envolvido publicamente com a prostituição, especialmente com colegas de cromossomos Y, é um péssimo exemplo por não ter substituído Senna à altura, missão, aliás, que qualquer brasileiro, como vencedor que é, faria s/ maiores dificuldades. Qualquer um no lugar do Rubinho venceria todas e desobedeceria aos patrões – como todos fazem dia-a-dia atrás de seus sonhos em cada atividade trabalhista ao longo do nosso Brasilzão; ninguém no lugar do Ronaldo correria atrás de um pouco de promiscuidade, especialmente os jogadores de futebol e os ricaços, eles nunca fazem isso. Aliás, realmente não sei como há tanta demanda de prostituição se a procura praticamente inexiste. E ninguém também sairia irregular com seu próprio veículo, como o fez o fiel depositário do próprio mal o capitão que naufragou uma galera na floresta Amazônia ontem – ponto para os certinhos. Ontem também, na sua revista eletrônica semanal, o Fantástico, houve uma matéria sobre uma faculdade do Rio de Janeiro à qual não irei citar pois a Globo – que tem um Ibope relativamente maior que o meu – já tratou de queimar o filme (mas é a Unigranrio) que teria uma porção de alunos do ensino fundamental estudando lá se fosse possível os matricular pois eles conquistariam vaga no vestibular se tivessem capacidade legal para usufruir da aprovação nele como já havia dito. Mas fica a pergunta: onde os burros, os que têm preguiça de estudar, os azarados, os que não tiveram condições e outros tantos fariam faculdade? E quem preencheria as vagas de funções medíocres que o mercado demanda? Como cumprir funções que exigem a mesma falsidade com que foram conquistadas? Onde os profissionais medíocres especializar-se-ão em mediocridade? Pensemos. E esperemos pelos próximos heróis e vilões do povo, e pela permuta entre estas duas condições das personagens que o povo vai ou não com a cara (ou vê ou não na imprensa). O Brasil é engraçado, ouve-se muito isso. O Pânico na TV fez uma tomada na frente do puxadinho da Hebe (medido em quarteirões). Cada carro que aparecia… Tudo bem o Michael Jackson ganhar tanto dinheiro, mas tinha uns ali que não havia explicação. E muito do povo nem se fala. Nem precisava o Vesgo e o Sílvio lá para ser engraçado.

O Brasil é engraçado, mas o resto do mundo o é também (donde temos a manchete da semana).

nardoni vs. richthofen

2008,abril22,terça-feira às 2:38PM | Publicado em gente | 12 Comentários
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Imaginem se fosse Alexandre Richthofen ou Suzane Nardoni? Ou seja, se fossem pai e filha? Quem seria o mais rápido? Quem levaria a melhor? Qual técnica prevaleceria, o arremesso de descendentes ou o sono eterno dos ascendentes conquistado a ferro? Matricídio + parricídio vs. defenestração de cadáver infantil?

 

Alexandre Nardoni

 

vs.

 

Suzane von Richthofen

 

Outras questões a serem refletidas: quem você levaria para o céu?

Quem você perdoaria? Em quem você meteria um chumbo na cabeça? A quem você daria a prisão super-perpétua, aquela que dura até a eternidade, até a vida após a morte? Quem merece o dente por dente, olho por olho? Quem você traria na próxima encarnação de parente p/ o seu pior inimigo? Quem é o melhor coadjuvante, os irmãos cravinho cravando ou a madrasta pior que a madrasta da Branca de Neve? Quem teve mais cobertura da imprensa? O que vale mais, omitir um erro brutal ou matar por “amor” (entre muitas aspas)?

 

p.s.: segundo dizem, ou Jesus, ou a Bíblia, ou a igreja, ou a moral e os bons costumes: não julgueis. E se for dirigir, não beba.

jogador camisa 8 e 1/2

2008,abril10,quinta-feira às 4:45PM | Publicado em 2º caderno | 6 Comentários
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Nem falarei muito agora para não falar muitíssimo – fá-lo-ei em outra hora – posto que posto a fim de divulgar o abaixo assinado para assinarmos e assassinarmos a idéia de unificação da língua portuguesa, porque o objetivo não será cumprido (dentro do Brasil mesmo se falam portugueses diferentes).

Não conheço a história dos abaixo assinados, não sei qual é seu desempenho médio, mas sou fã dos acentos gráficos (todas as proparoxítonas devem ser acentuadas graficamente) que não devem ser alterados, mas outras regras importantes talvez serão.

O engraçado é que o site é in english, ou seja, Name Required etc. Mas é porque é um site (sítio!) mundial.

Ei-lo.

E aqui eis a proposta de alterações, para ninguém assinar sem ler.

E aqui o que está em vigor.

São alterações que mudam mais a gramática lusitana, que penso deve ser preservada como está – até porque efetivamente não oferece nenhuma dificuldade para o entendimento dos brasileiros e é coerente com a pronúncia usada naquele país – e continua sendo uma forma de identificar se o que tu lês é brasileiro ou não.

A língua portuguesa é uma ferramenta perfeita, as regras têm grande coerência entre si e as regras lusitanas definem a maneira de pronúncia correta das palavras, como havia quase acabado de dizer.

Aliás, se é para unificar, já existe o inglês que unifica até japoneses e argentinos.

E realmente não precisa, é como querer unificar Pelé e Garrincha num só jogador, que seria, pela média, o camisa 8,5. Não dá.

Foram usados textos de Oswald de Andrade, Fernando Pessoa e João de Lobeira para a composição da imagem.

stones, scorsese, stop com essa de UAU ele é louco

2008,abril9,quarta-feira às 5:42PM | Publicado em 2º caderno | Deixe um comentário
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Aposto que se o Keith Richards fosse liso que nem o Juan Carlos Ramírez Abadía versão boneco de cera do Freddie Mercury iam falar piores coisas ainda.

Falar-se-á muito em Stones por causa do filme do Scorsese. Não vi ainda, não falarei do filme, nem dos Stones, mas deve ser bom, porque O Aviador (p/ não falar de tantos outros) é magnífico e Let it Bleed (para não falar de tantos outros) idem. E se Scorsese e Dylan foram uma dupla de ataque fazendo golos para a história americana, Martin e os linguarudos o serão para a irreverência e revolução – de quem tem revolução na paleta há tempos. E claro que os Rochas Rolantes, assim como Romário, têm uma influência comportamental (não tanto quanto a musical) importante também. Agora “UAU! ELE É LOUCO” porque Keith Richards cheira (cheirou ou cheirava) as cinzas do pai é BBB. Maior cara de gozação isso. E uma caralhada de gente fala nisso por aí, e quando eu digo gente, eu digo veículos de comunicação. Essa resposta tem maior cara de gozação (não cara de gozo). E, se for verdade, porque mesmo isso seria polêmico? Deve ser muito menos nocivo que outras coisas que ele cheira (e diametralmente menos estimulante). Além do que, se pensarmos bem (pensemos): é uma ligação de uma intimidade com o pai que poucos podem ter, especialmente em se tratando de um pai morto. Aliás, semelhante relação só pode ser alcançada através do canibalismo ou por técnicas canibais associadas às da carniçaria e putrefação.

I ♥ BBB

2008,março26,quarta-feira às 11:55AM | Publicado em 2º caderno, crônica, diário, gente | 4 Comentários
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bbb8

Ou melhor, I ♥ final de BBB.

O ♥ não era p/ tanto. Mas eu gosto da final. Aceitei isso ontem. Quando apareceu a Pitty, deu até vontade de cair no clichê, falar mal dela, dos participantes, chamá-los medíocres , da manipulação (às vezes eu perco a paciência e penso que quem se deixa manipular pela TV merece ser manipulado) etc. Mas ontem, não sei se era o bom humor, mesmo os greatest hits da Pitty estavam divertidos, a despeito de suas verdades adolescentes à matrix de “pane no sistema”.

Ontem a fraqueza das personagens (concordo com o pessoal que ninguém em tese mereceria levar uma cifra de 7 dígitos assim, mas por outro lado, expor-se dessa maneira é preciso no mínimo coragem, ou um tipo de coragem, que seja, e muita boa sorte) privilegiou a final, a indecisão na decisão (que pode ser tudo armado como muitos dizem, assim como pode haver leptospirose nas latas de alumínio). Mas, no fim, gosto do rosto da Gyselle (com y e dois l) com uma cara de emburrada, triste e emocionada enquanto Bial a comparava com as feras, ao dizer que elas (e ela) só comem e dormem, e só não o fazem quando vão à caça – o que me fez lembrar que aquele rosto dos olhos negros e então entristecidos encabeça o mesmo corpo que dança incansável e furiosamente, um corpo belo, popularmente belo.

No último capítulo eles editam a história (real, de fato) que se passou e isso que me agrada. São recursos de narração os mais óbvios possíveis, de cinema despretensioso (no mal sentido) água com açúcar. Em verdade, os recursos de edição são os mesmos de uma colação de grau, com a diferença de que o material tem bem mais horas a serem editadas. E não tem de agradar família alguma. Só as felizes famílias regadas à pipoca após as aparições justamente de Juvenal Antena: aí valem as fofocas, barracos, corpões etc. E se na formatura eu me emociono ao mesmo tempo em que acho tudo meio brega, tenho a mesma sensação no BBB.

Lembro de quando o Rafael declarou-se para Mariana dizendo que não poderia a beijar pois estava com um problema no dente, ou ele sendo flagrado olhando para ela com candura depois de tanta promiscuidade (ele se aliviava individualmente sob os edredons), com sua voz em off dizendo o quanto gostava dela; ou o Dhomini dando uma de Romário na copa de 94 e ganhando o Brasil à base da marra; o nerd xaropão Tirso (que tornou-se adjetivo por uns tempos) desbancando um bonitão lá – é vida real empacotada, ou melhor, enlatada e artificializada, como uma lata de sopa de tomates Campbell.

Falando nisso, se o formato do programa submetesse-se ao seu conteúdo, aí seria moderno, e talvez por isso ultrapassado; mas ele é pós-moderno, consagra conceitos de tribalismo, superficialidade, caos, despretensão, igualdade de ofícios, falta de autoria. Trata a fama como magia. É a acomodação do que fora antecipado por Warhol (não se preocupem não irei mandar a dos 15 minutos) e por outros. Uma tribo de sonhos oficialmente assexuada, mas ordenada pela sensualidade, ratos de laboratório do esquemão George Orwell. E, no fim, paradoxalmente, seus atores são como poesias concretas, de forma e conteúdo convergidos; são como a eliminada Juliana, de uma beleza à qual não precisa se submergir, uma sedução menos de casa; é superficial da superficialidade da imagem, do rosto de Gyselle, que sorri, deixa de sorrir, até chora, mas sempre está a tentar ganhar 1 barão de barões.

Uma pequena tribo fútil, que só vê quem quer, e possui uma lógica própria que premia a casualidade (afinal muitos de nós se ficassem à vontade lá poderiam ser fenômenos nacionais, e vi tantos candidatos ótimos terem sido eliminados logo de início e outros pamonhas virarem lendas, até porque o BBB é feito de gentes comuns, tanto que é só comparar a Casa dos “Artistas”), ao mesmo tempo em que valoriza a reação mais que a técnica, que o talento, como numa Copa do Mundo. E como numa Copa do Mundo, as fórmulas se reformulam dentro dessa lógica própria, e certos desvios de sorte valem muito. O que enche o saco é o reflexo de uma popularidade chata, óbvia, que se vê na preferência do povo, especialmente quando se tem algum candidato favorito pessoal que não vence. Eu cheguei a esse ponto só uma vez: fui fã do Professor Aloprado. Àquela época eu acompanhei toda a parte final (TV aberta). Quando aparecia o Endemol Globo eu ficava até triste. Tanto que a edição posterior àquela, a do superestimado Alemão, eu abandonei. Donde só retornei na reta final dessa, mas sem a mesma assiduidade.

Agora, como uma coisa pode emburrecer, daí eu não sei. O Big Brother é um produto e como tal pode ser consumido como se queira: é como a coca (cola). Você pode ler Guimarães Rosa, ser mestre em xadrez (com o mesmo critério que faz de BBB um índice de superficialidade, dá para fazer de índices de certa erudição – tão clichês também) e assistir BBB. Xadrez também é um produto e pode não ter todo seu potencial utilizado. Evidente que João e o jogo milenar (para não repetir nomes) podem ser considerados abridores de mente por excelência, ao passo que o Reality Show (a fim de não reprisar títulos) pode confinar além de jovens sarados a mente dos mais bobinhos. Pode-se emburrecer com qualquer coisa. Assim como se pode se encantar com Rilke e João Cabral, com Décio Pignatari e tantos outros, eu gosto da poesia pop do Bial direcionada a dois nervosíssimos cidadãos sedentos por fama e dinheiro.

O Reality show joga limpo: eles estão ali para ficarem sumariamente milionários e todo mundo sabe, todo mundo aceita. Pior é quem ligava para dar 1 milhão para a Mara achando que estava fazendo uma boa ação, ô boa ação fácil. Mas que bom que ela pode ajudar a filha dela agora.

Mas não é p/ tanto (estou a me repetir hoje, em todos os níveis). Mesmo que pareça exagero o pessoal que passa o dia no Paper View e que trata cada paredão como reveillon, não é muito diferente de quem mergulha na obra e quer ler tudo que Balzac escreveu em detrimento de todo o resto. Estou me repetindo, mas só para afirmar que cada um faz o que quer.

Evidente que se a TV tivesse mais qualidade, manipular-se-iam as mentes para elas se não permitirem manipulação. E repito os parênteses lá de cima: quem se deixa manipular pela TV merece ser manipulado.

Só que a questão é essa: não dá p/ se exigir tanto. Como qualquer outra coisa que faz muito sucesso, o BBB gera ódio em muitos dos que não colaboram para tal sucesso. Eu mesmo tinha um anteprojeto de fazer um estêncil bbb6 no qual o 6 contaminava os b e virava um 666 – vi num livro de estênceis argentino uma idéia semelhante em relação à Xuxa (xxx, six, six, six, como dizem haver na música marquei um xis, um xis...).

E se hoje o Chaves del Ocho é clássico, é cult, o Big Brother Brasil o será nalguns anos.

E mesmo que seja um produto não da, mas para a burrice (quem se arrisca a definir burrice?), basta usar com moderação: uns instantes de “burrice” fazem bem, acalmam a cabeça.

Porém, no final do programa, eu enjoei um pouco mesmo, e hoje pela manhã recalculei o peso da exposição total na idéia de enviar um vídeo para a nona edição. Mas cogitei, afinal, eu sou brasileiro. E no fim (mas uma repetição – notem: BBB formato repetido, Campbell’s Soap, clichês… a repetição acabou tomando forma conceitual), foi só uma espiadinha (muito bagaça esse final, hein?).

Um bJoão e/ou um Grando abraço.

mãe maldita retardada tem de morrer

2007,outubro12,sexta-feira às 8:38PM | Publicado em crônica, femme, gente | Deixe um comentário
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Logo cedo dia desses, o apresentador dizendo que não entra na cabeça dele como uma mãe abandona o filho (evidentemente uma mãe havia abandonado um filho em circunstâncias suficientemente desumanas para virar notícia, e ele comentava a respeito).

Não é aqui querer sair defendendo toda sorte de criminosos, mas o que não entra na minha cabeça é como não entra na cabeça de alguém que qualquer coisa pode entrar na cabeça de alguém conforme as circunstâncias. Soam-me hipócritas avaliações sobre os padrões que se desviam. Não é querer me juntar ao coro dos que criticam a programação da televisão destinada ao público médio, mas que ninguém se dê a moral para atirar a primeira pedra. E mesmo a “maldade”, se alguém fosse “do mal” (dispensando “não existe bem e mal” etc) por natureza, estaria seguindo seu instinto, buscando seu prazer. Prende, pena de morte, esquarteja, lincha, o que o povo quiser; mas não acha incompreensível, que não há ação sem motivação.

POST nº 2: 1º POST

2007,setembro13,quinta-feira às 3:41AM | Publicado em crônica, editorial | 3 Comentários
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(ou post de estréia)

A vontade que me dá (e eu que a ela dou sustentação) é fazer uma retrospectiva 2007 e até mesmo 2006, parcialmente, ao menos, a fim de falar de todos os assuntos que eu perdi de falar aqui por não ter começado o aqui propriamente dito antes: William Bonner e o debate com maior número de regras da história; Campos de Carvalho; campos de futebol; Maria Augusta e Michael Moore, com inaplicável confronto dando larga vantagem àquela; superestimações; cotidiano impressionante; decepções; Bruce Lee; violência; cinismo por causa da violência; hipocrisia; coisas boas também; coisas bonitas também; Wittgenstein e a trasnvanguardia; Brasília; Rio de Janeiro; etc etc etc.

Enfim.

Bem da verdade que eu poderia decretar neste espaço um espaço-tempo indefinido e por tempo indeterminado, e é o que farei: entretanto perdi o fio da meada das notícias aquelas, embora deixe estabelecido por ter achado uma boa idéia o negócio do espaço-tempo. Portanto, feliz natal. (Já que natal é tempo de boas ações, fiquemos nele). Em suma, falar sobre tudo. Mas não agora, posto que o espírito da estréia (e isso é uma estréia) é estrear, é perder o medo de estreante e conhecer outros que não se sabia antes. Assim não tem nada que ver com a importância das palavras (1ª vez que eu escrevo palavra aqui – a estréia tem dessas coisas). E ela (a estréia, não a palavra) tem de ser cheia de erros (eros, se fosse um erro, aí faltando um r, erado, no caso, mas que Eros também é importante numa estréia). Pouco se lembra da estréia, então esse post ficará abandonado tal como um posteabandonado, mas com a lâmpada funcionando (essa invisibilidade da estréia me permite certas “tentativas”, para ser eufêmico, a propósito, 1ª vez que usa aspas aqui). Ou então teria de aqui fazer uma introdução: aí vão umas: “pois bem, não sei se vocês lerão ou não leram, se bem me querem, mal me querem, mas é de grátis, eu sou livre e posso falar. Pode ser uma notícia, uma crítica de qualquer coisa (até de uma crítica), uma imagem bonita”; ou aquela coisa “aconteceu? Pá. Eu boto lá (aqui, no caso)”, mas não seria o caso de tudo, pois há agências etc para esse tal de tudo; ou se fosse irônico “por bem (ou por mal) já que está aqui, leia. Ou ao menos veja, olha só, tem um monte de letrinhas”, ou se quisesse discorrer sobre isso diria “cada uma delas foi pensada por nações e povos inteiros para pertencerem a cada palavra. Cada uma destas se submete a regras, e as que estão aqui foram porque eu as aloquei assim”, ou simplesmente se eu fosse de citar Drummond eu diria “(…) e contempla as palavras” mas todas essas tentativas se verteram frustradas, pois não era eu e até mesmo este “não era eu” tem seu percentual alto de clichê, um pouco mais que o restante que divide também tais elementaridades. Donde quase seria levado a concluir (e a crer) na súmula de não ter o que falar – “pensa e só, boca fechada não entra mosca”. Pára e recomeça. Em tempo: próspero ano novo.

Renovar o sopro vital, ou simplesmente usar as resoluções reveillônicas (próprias de reveillon) p/ equivaler inércia a constrangimento e coagir mudanças. Honestamente eu queria mesmo um estado de espírito tão eufórico que me seria permitido almoçar chocolate sem os ônus químicos dessa ingestão incomum. Um estado de espírito do revés do stress (talvez a popular euforia), mas com um pouco de stress para não ser só euforia, entende? Evoluir (e isso não é uma ONG). Em vez de vestir-se no escuro ou usar a mão esquerda no mouse, utilizar o superestimado lado direito do cérebro (e o não menos lado esquerdo do peito) em planos de metas subjetivas, preocupar-se com as emoções. Ver o mundo de fora por estar tanto tempo dentro do próprio (ou mundo de dentro), o popular “seu mundinho”, do tipo “sai do seu mundinho, guri”. E eu, que posso ter quase 25, ou quase 30, ou 40, ou 90 me não importaria (como aquele correio eletrônico com power point espalhado pelo mundo e perdido nalgumas caixas de entrada que tem uma mensagem pregadora de atitudes pós-modernas inseridas na despreocupação que as mulheres mais velhas têm especificamente em relação à representação generalizada das mais jovens apresentadas nos slides anteriores, já que aquelas mais velhas usam chapéu roxo), eu aqui.

Fato: na minha própria esfera eu me sinto um amador (na conotação lusitana, inclusive, a mesma que chama desenhista de desenhador) em busca do que um amador (ainda em todos os sentidos) busca. Buscas (com o mesmo sentido de evoluir antes usado). Avante. Num vôo certeiro, em vez de um sistema de degraus, numa aventura vetorial que jamais ousaram ousar. E também defender a natureza. Salvar o Congo, a Amazônia, os tigres, a arte. Daí me vem e me cai a ficha da normalidade. E fica tudo normal, bem normal.Você já pode ter me visto no centro, por exemplo. Ou você já pode ter me visto como exemplo, por exemplo. Saber-se-ia daí que eu existo. Mas eu existo mesmo (pois penso, logo…), e uma prova disso é eu estar escrevendo isso (e você lendo, talvez). Mas o que dizer nesse espaço enorme (a tela em branco)? Posso dizer: há gente que vive de vender frutas. Ou colaborar com mais um relato pessoal e diário (ou quase diário, no que “constante” substituiria bem) para a nouvelle historie, ou estabelecer um canal em minha consciência, ou dizer-lhes que irão conseguir e que, mais que isso, e antes disso, eu vou conseguir. Há coisas (e aí eu repito o que era lá de cima que foi usado numa hipótese que não foi usada): pode ser uma crítica, uma cena, uma pessoa etc, há coisas que eu vejo/ ouço/ sinto/ penso/ percebo etc que me dão vontade de contar, opinar, nas quais eu me sinto mesmo um amador – isso vos garanto de meu próprio punho. Dia desses, por exemplo, achei um xampu com cheiro que me lembra alguma coisa, alguma coisa mesmo.
Um bJoão e/ou um Grando abraço

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