uma coisa mais leve e muitíssimo maior

2008,março24,segunda-feira às 11:49AM | Publicado em crônica, diário | Deixe um comentário
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A sexta santa foi calor. A noite foi daquelas noites que só nela é possível encarar a rua (tal como uma personagem masculina de Machado de Assis que preferia a noite ao dia, cujo conto a que pertencia não me recordo pois havia confundido com Miss Dollar, que li também em 2002, possivelmente), embora durante dia inteiro tenha sido pouco possível ficar em qualquer lugar (aí se inclui a casa) sem esquentar muito.

Ideal p/ aventuras noturnas. Eu imagino na praia, à qual este ano não fui. Sábado o mesmo: mormaço, noite tropical.

E comemorava-se nesta época Cristo morto. Porém nenhum silêncio.

O domingo em si, o dia da ressurreição, foi cinza.

Nenhum barulho.

Cristo está de volta. E volta a melancolia, a reflexão.

* * *

Ontem, fazendo o caminho POA-Canoas, presenciei o incêndio na fábrica de fertilizantes Yara, que segundo a minha mãe era de velas. A fumaça preta já alcançava muitos metros. Claro que deixarei bem claro que não é uma coisa boa incêndio, vai ter problema para muitas pessoas, embora graças a deus (que estava comemorando seu 1975º aniversário de ressurreição) não houve ferido algum, mas essa desgraça toda, poluição causada, isso tudo é horrível etc.

Mas a sensação era a de ver uma nuvem do mal de perto. Era de ver o poder do fogo.

E era fascinante:

uma coisa muito maior, muito mais leve e muito mais poderosa que nós, mexendo-se, no céu.

Tanto que uma porção (talvez até uma multidão) de curiosos aglomerou-se nos arredores do infortúnio.

Hoje faz uns 28ºC e está nublado. Passou por mim hoje no centro de Canoas um cara igual ao Shyamalan, ou ao menos igual (no sentido de “lembra”) a todos os outros descendentedes de indianos.

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do lado de dentro do filme

2008,fevereiro28,quinta-feira às 10:22PM | Publicado em alto-ajuda, crônica | 6 Comentários
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S

e eu passar e ver um incêndio (ou mesmo ver o mesmo na televisão, o que seria ligeiramente mais provável) e descobrir que tem um casal no último andar (tipo o 6º, nada muito exagerado) eu diria, ou gritaria, ou pensaria (o que é ligeiramente mais provável) “lança a criança para o bombeiro!”, como aliás aconteceu (e foi noticiado, por isso que eu sei que aconteceu, não foi algo perto da minha casa) dia desses (e vejam vocês, foi noticiado – a coisa é rara).

Eu teria feito o mesmo.Na teoria, mas se eu tivesse lá ia ser ruim de eu defenestrar um filho. Imagina olhar a carinha dele. Talvez pulasse eu e quando chegasse lá embaixo tocava ele para cima p/ algum bombeiro pegar, ou mirava um bombeiro especificamente. Ou o seguraria para cima durante a queda a fim de amortecer durante o choque.

A paixão da vida de alguém (conhecido como amor da sua vida) casar-se-á com outro. O outro, ou seja, o que não é o outro, o original, o verdadeiro amor, entra na igreja e “comenta” de modo muito influente os dizeres “se alguém tiver alguma coisa contra esse matrimônio que fala agora ou cala-se para sempre”. Você, assistindo, fala “é isso!” (ou “yes”, se você for americano, ou metido a americano, ou até mesmo idiota).

Eu teria feito o mesmo (se o roteiro da novela me orientasse a isso).Pois imagine a mesma situação. Na vida real, esqueci de dizer. É brabo de alguém fazer isso, deixar chegar a esse ponto e esquecer de desistir no último minuto. Coragem é (inclusive eu farei uma série com isso, do tipo das figurinhas “amar é”…) esquecer de desistir.

Coragem é cumprir um certo previsível, um previsível simples, até óbvio. A coragem é óbvia, mas não é fácil.

Pode pôr a música-tema da abertura de Irmãos Coragem (irmãos, é preciso coragem…) na vitrola que lá vai mais um exemplo, aliás, um lema para mim (sim, senhoras e senhores, eis uma máxima minha):

coragem é viver como se estivesse no lado de dentro do filme.

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