palavra.imagem.pele

2008,setembro5,sexta-feira às 3:44PM | Publicado em 2º caderno, hojes | Deixe um comentário
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No Jô, ontem, três mulheres: uma linda, outra linda e outra linda: lindas.
Deu-me curiosidade.
Lançarei uma metáfora bagaça (brega) para explicar: plantar curiosidade é um dos adubos da beleza da mulher, como se a mulher fosse a terra do que planta (até não ficou tão brega).

Isso vale para tudo, mas neste caso considero o corpo. Ou melhor, considerando que o rosto faz parte do corpo, e assim sorrisos e olhos, a imagem, da curiosidade ligada à imagem (por isso o vestido é um das intervenções mais inteligentes na nudez).

Elas deram seu endereço na web.
Fui ao endereço.
Havia um banner delas no Paparazzo.
Fui ao Paparazzo.
Elas já estavam lá, todas, semi-nuas.

Se cedermos ao virtual e somente isso é tudo tão, tão fácil.
Mas a resposta do que é fácil é proporcional ao esforço.
“Oi, meu nome é João, sua panturrilha é tão bonita que eu moraria com ela” no virtual vira um comentário, na vida real não é bem assim. Aí de devermos aprender alguma com a gentileza do mundo virtual.
Mas não é isso: a imagem é somente a imagem e não o que representa, assim como a palavra é só a palavra, e não o que representa: porque o modo de mandar até uma cantada (que já é algo estranho) meio estranha (mais estranha ainda) é o determinante. Porque não são as palavras, mas a voz, a entonação, o momento, assim como é o cheiro, a pele, o movimento: claro que a ossatura (a imagem, as palavras) estruturam isso tudo, são um projeto – mas realizar relaciona-se a construir.
Porque mais que isso é o que damos ao que vemos – e aí entra nossa imaginação preenchendo o espaço que o virtual oferece. Levanta que eu corto, cruza que eu cabeceio, passa que eu chuto, alça que eu enterro.
O gozado (olha o abuso de frases com sentido ambíguo para cabeças maldosas (na conotação de mau tipo “dogão é mau”)) ainda é a permuta de funções: no caso da palavra a imagem pode fazer um papel de realização e a influenciar: voltando ao infame exemplo de cantada: muita mulher por aí ia se o Chico dissesse “tu é sempre assim ou tá fantasiada de gostosa?”.

Enfim, muita filosofia sobre o mesmo de sempre, então paro já.

***

es.tro¹
sm (gr oístros)
1. Entusiasmo artístico; veio, gênio, inspiração.
2 Época em que a fêmea está pronta a receber o macho.

oestrum/ oestrus/ estrus
sm
1. a regularly recurrent state of sexual excitability, heat.
2 inspiration, poetic inventiveness, talent.

Estro²
sm (gr oístros) Entom Gênero (Oestrus) de moscas no qual se inclui Oestrus ovis, espécie cujas larvas se desenvolvem normalmente na cavidade na¬sal dos carneiros; originária da Europa, intro¬duziu-se no Brasil.

oestrus,
do latim: abatão, a mosca das bestas (segundo meu amigo Filipe Rosseti, estudante de muitas línguas), aquela que pica e os bichos ficavam nervosos. Alguns dizem ser tão somente a mutuca.

***

Expointer, touros-riconceronte, porcos mansos, pessoal pegando trem na Luiz Paster a fim de evitar a estação Esteio lotada.
Um homem de gravata na TV dizendo que a pele da chinchila (que é muitíssima mais densa e macia que o cabelo humano – especialmente em relação ao meu – li na Wikipédia) é a mais valiosa do mundo, além de ser muito durável e reconhecível de longe…

E sabe no que a pele da Chinchila fica linda?
Na Chinchila.

***

Aquela coisa, né: as pegadoras (não porei isso de tag para não receber um ibope que não mereço), usando só uma pele de chinchila, dizendo pro Chico “dá para jogar uma bolinha de gude com esses olhos?” ele ia.

***

A pele na origem, a palavra na origem, a imagem na origem:
A palavra na imagem: a imagem na pele.

A mosca na velha, a velha a fiar.

sobretudo sob nada

2008,junho19,quinta-feira às 8:19PM | Publicado em crônica, femme, hojes | 1 Comentário
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4ºC em Canoas anteontem. 4 “cê”, 4 centígrados. 1, 2, 3, 4, mais nem um. Lembro-vos que a água (aquele líquido que bebemos um pouco para ñ morrer e muito para viver) congela, vira pedra, vira em cubos uma ferramenta para gelar a própria água com quatro pontos menos. Imaginem no Chile, nos Andes, na Antártida, em Dublin há uns meses atrás.

Os poucos Celsius mudam a paisagem, mas, no caso de Canoas, sob cujo céu durmo e muitas vezes acordo, sobre a qual não neva (mas já nevou na década de 50, segundo os velhos) muda mais a paisagem vetorial, que são os seres, vivos, obviamente, mas também porque não os mortos que talvez durem um pouco mais (?).

Ex.: mulheres. Um padrão se determina: põe-se mais roupas. Umas aproveitam para ficarem ridículas, outras para ficarem capas de revista. Isso se se falasse como o povo pensa, pois é o que os olhares (refiro-me aos olhares de intenções instintivas, ditas más, e não àqueles que tiram das coisas outras coisas que não estão tão evidentes (sim, a poética etc.)). As “ridículas” se parecem crianças, bebês cheios de roupas, empacotados com o CUIDADO FRÁGIL que nem na propaganda antiga. E não raro usam moletons do Mickey falsificado (ou moletons falsificados do Mickey verdadeiro).

E assim elas ficam bonitinhas (que não é feia bem arrumada como dizem, é bonitinha, um bonito não tão urgente de consumação, ou ainda uma consumação homeopática).

Então não só uma questão de invólucros: a beleza está também na disciplina de se erigirem indefectíveis e assíduas numa manhã que começaria só ao meio-dia de acordo com a vontade dos cobertores (um acórdão, pelos comentários hoje foi foda sair da cama das pessoas); há também na insegurança em não sair mais desarrumada, na noção estética da escolha das roupas ou ainda na manipulação das tendências captadas em revistas ou noutras moças. Ou está justamente no ponto contrário, no desprezo a isso tudo, ou numa esfera ainda mais relativa na boa ou má sorte da exceção: não só a de quem não teve tempo e saiu um dia com um ramelo gelado no olho ou um ranho congelado no nariz, como também a da virada para lua de quem resolveu sair bem para arrasar (a partir de) hoje (no caso, naquele dia, dia 17 de junho).

E, claro, sobretudo no que está sob todas as roupas, e em como estas todas sobre ela influenciarão na noção que se terá sobre ela quando ela estiver sob nada (s/ sobre ela que ia ficar bagaça a fu).

Uma orelha não pode ser alterada. E poucas coisas o podem numa mulher, especialmente sem um intervalo de tempo devido, que é o existente entre vê-la com e sem roupa, geralmente. Nestes dias frios, a nudez é como a menor boneca de uma boneca russa, abaixo de vários outros modelitos que se revelam conforme o dia fica menos frio.

Sob nada elas seriam o que são. Sob nada que elas podem guardar surpresas. Pouco muda, neste caso (nesta paisagem), devido ao estado atmosférico: uma veia, uma coloração mais ou menos rosada ou vermelha por causa da temperatura. O que muda é a temperatura mesmo, o humor, e aquelas coisas que os olhares (não os instintivos, não o do pessoal que olha as bundas como eu deixei subentendido com a palavra instintiva umas linhas (quiçá parágrafos) acima) captam. E, voltando ao visualmente, tudo o que ela fez e escolheu antes, pois a nudez só fica nua depois de se despir do que provoca, do que a faz se fazer necessária.

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NUDEZ

NUDEZ APARECIDA

ROUPAGEM

rosa

2008,maio5,segunda-feira às 7:09PM | Publicado em femme, joão-lírico | 2 Comentários
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A ROSA

Fala-se em haver (nos olhos, na boca, na vagina, no coração)
rosas.
Quando ela é uma
orelha.

Quando nela
se escondem os
cabelos como laços
que se voltam sugados um pouco
para trás dela, como se o corpo fosse
um lençol com um peso (ela, afinal) em cima.

Em suma, como se o corpo estivesse sempre deitado,
olhe a orelha:

se falasse, falaria
como criou o corpo todo
ao ouvir cada instrução, para cada parte que,
a partir dela, cega e muda, fora construída. Uma flor, de fato,
semeando.

Ou, se falasse, confessaria
que fora posta no final,
como um adorno último,
que também é uma ferramenta
para o corpo se saber quão belo.

Como um beijo, posto rosa,
não se pode saber ao certo se
veio antes ou depois.

Que com um beijo na orelha
inicia-se tudo, ou com o mesmo
se consagra tudo.

Olha, com calma:
se não falar, ela deixa olhar.
Se falasse, a orelha não seria
rosa.

Ora
se a orelha não fala
é fato que seja rosa:
seu cheiro em sentido inverso
o som.

da moça que sempre passa por mim

2008,abril18,sexta-feira às 3:47PM | Publicado em femme | 1 Comentário
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Hoje ela deu não um tropeço, mas uma desequilibrada enquanto vinha imponente como sempre vem no alto do seu salto (às vezes de tênis, mas sempre do alto, e sempre imponente).

Enfim, hoje ela desequilibrou-se.

Se eu fosse o Seiya eu dava um meteoro de pégaso nela. Mas não de socos.

Explico.

8

2008,março8,sábado às 4:00PM | Publicado em femme | Deixe um comentário
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dia internacional da mulher

sobre mulheres

nudez

2008,fevereiro28,quinta-feira às 10:06PM | Publicado em femme, joão-lírico | 1 Comentário
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    A nudez é detida, não escondida.

    regras de xadrez – peão

    2008,fevereiro19,terça-feira às 12:21AM | Publicado em bobajada, caderno de esportes, femme, gente | 1 Comentário
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    No xadrez, sabe-se que:
    a) O peão pode mover-se para uma casa, imediatamente à sua frente, na mesma coluna, que não se encontre ocupada.
    b) o peão pode mover-se para uma casa ocupada por uma peça do adversário, que esteja diagonalmente à sua frente, numa coluna adjacente, capturando aquela peça.
    Ou seja, peão só anda para frente, não tem como voltar atrás e a única maneira de trocar de caminho é capturando uma peça.
    Ou seja,
    para mudar de caminho, um peão precisa comer alguém.

    nudez aparecida

    2008,fevereiro15,sexta-feira às 11:07PM | Publicado em femme, joão-lírico | 4 Comentários
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    As roupas no chão.
    O cobertor retirado.
    A nudez está coberta pelo desejo.
    No coito, coberta ainda, de prazer.
    Somente depois a nudez fica despida.

    flor

    2008,fevereiro15,sexta-feira às 11:06PM | Publicado em femme, joão-lírico | Deixe um comentário
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    Quando distribuíram as flores do prazer, os homens, invejosos,
    usaram da força para ficar com as maiores, deixando
    somente as muitíssimo pequenas para as mulheres.
    Ela, com sua calma, plantou esta flor menor e desta,
    com o pólen dela mesmo, brotaram muitas outras muito
    menores ainda.
    A mulher exibiu a pequena – mínima -, e guardou dentro de si mesma
    as menores ainda.
    Os homens, ainda com a força, tentam levá-las.
    As mulheres, ainda com calma, conseguem guardá-las
    e multiplicá-las às escondidas.

    fruto

    2008,fevereiro15,sexta-feira às 11:05PM | Publicado em femme, joão-lírico | Deixe um comentário
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    O mesmo fruto que o homem tem, a mulher tem também, porém aberto e
    despedaçado.
    Por isso esse aspecto de quebra-cabeças: é preciso montar a mulher,
    juntar as suas partes.
    O fruto do homem é casca, sente lá alguma coisa.
    Mas se intensifica deveras quando a seiva de
    seu fruto toca-lhe as paredes internas.
    O fruto da mulher: todo interno.
    Saber-se sabor.

    roupagem

    2008,janeiro26,sábado às 1:14PM | Publicado em crônica, femme | 4 Comentários
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    .´`.
    A moda está sempre a descobrir (no sentido de inventar, como já havia apontado Borges, antes mesmo de eu achar que eu havia visto essa relação, e depois de a palavra ter-se desmembrado do radical primitivo comum) uma nova maneira de deixar as mulheres bonitas. Os homens também, mas falemos das mulheres, pois a palavra bonita é mais bonita que a palavra bonito.

    Paralelo básico: a arte. Sempre reinventando uma maneira de aplicar suas criatividades (ao ritmo da seta de Zenão).
    Sempre lirismo, sempre criatividade, porque não talento atrás de cada manifestação, por mais que se queiram isentar do artista isso as constatações pós-modernas. Nunca falta filosofia, sempre sobra volúpia. De volta ao assunto (voltando ao assunto): elas, as que impuseram suas belezas e também as que deixaram à disposição da moda a mesma, estiveram sempre bonitas: com os cabelos curtos e calças centro-pê dos anos 80, os vestidões dos anos 50, os pêlos não tratados da idade da pedra lascada, os redtags com meias de futebol na pré-adolescência burguesa dos anos 90.

    dois

    2007,dezembro22,sábado às 6:02PM | Publicado em alt+3 ou ♥, femme, joão-lírico | 2 Comentários
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    mãe que balança o berço

    2007,outubro12,sexta-feira às 8:57PM | Publicado em femme, joão-lírico | Deixe um comentário
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    a mão que balança o berço não é a mesma que fizera o berço;
    a mão que fez o cobertor não é a mesma das mãos nenhumas anteriores.
    para o habitante do berço entanto toda mão e tudo mais é mãe.

    mãe maldita retardada tem de morrer

    2007,outubro12,sexta-feira às 8:38PM | Publicado em crônica, femme, gente | Deixe um comentário
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    Logo cedo dia desses, o apresentador dizendo que não entra na cabeça dele como uma mãe abandona o filho (evidentemente uma mãe havia abandonado um filho em circunstâncias suficientemente desumanas para virar notícia, e ele comentava a respeito).

    Não é aqui querer sair defendendo toda sorte de criminosos, mas o que não entra na minha cabeça é como não entra na cabeça de alguém que qualquer coisa pode entrar na cabeça de alguém conforme as circunstâncias. Soam-me hipócritas avaliações sobre os padrões que se desviam. Não é querer me juntar ao coro dos que criticam a programação da televisão destinada ao público médio, mas que ninguém se dê a moral para atirar a primeira pedra. E mesmo a “maldade”, se alguém fosse “do mal” (dispensando “não existe bem e mal” etc) por natureza, estaria seguindo seu instinto, buscando seu prazer. Prende, pena de morte, esquarteja, lincha, o que o povo quiser; mas não acha incompreensível, que não há ação sem motivação.

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