curtas sobre longas

2009,fevereiro5,quinta-feira às 9:07PM | Publicado em 2º caderno, critica-se, hojes | Deixe um comentário
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Atrasado: mas eis, num balanço geral e resumidíssimo de 2008, as obras-primas daquele ano que se foi, ou, para ser mais blasé, indicações (a ordem é para o caso de o mundo acabar e você poder assistir a somente um deles):

1) PARANOID PARK, Gus Van Sant [crítica]

2) THE HAPPENING (Fim dos Tempos), M. Night Shyamalan [comentário]

3) NO COUNTRY FOR OLD MEN (Onde os Fracos não têm Vez), Joel & Ethan Coen [comentário]

4) I’M NOT THERE (Não Estou Lá) (sobre este falarei uma hora destas, não gostei de algumas tomadas didáticas usadas para refrescar a memória de quem assiste, mas a reflexão sobre imagem artística/ personalidade, ou referência e referente, já o deixo suficientemente interessante para constar como uma boa indicação do ano passado).

E sobre 2009, comecei (no cinema) com O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON. A única chance que eu dei p/ o filme (atenção: pequeno spoiler) foi na cena do atropelmaneto, na qual a sequência então concluiu-se sabiamente sem mostrá-lo, exibindo o que poderia ter sido, embora já estivéssemos consciente do que realmente foi. Um belo recurso para mostrar a fatalidade, mostrar como não se pode voltar atrás, mesmo que se envelheça para frente. Mas aí, eles mostraram o atropelamento depois, para deixar tudo no seu lugar e assim. Pior que isso só o beija-flor ou o epílogo publicitário. É mais ou menos assim, se Patch Adams e Em Buscar da Terra do Nunca lhe agradaram, há mais chances de você gostar deste Curioso Caso de Benjamin Button.

Eu até tentei achar algum trabalho na relação imagem e conteúdo (um velho com um corpo jovem), mas isso não foi explorado pelo filme, dado que sua espinha se dá toda na sua proposta que, para além de ter se originado num conto de Fitzgerald, é também algo que todos já imaginaram. E é mais ou menos assim: se você abre mão da realidade (ou o compromisso com a realidade, já que cinema é sempre ilusão, é uma referência) você tem de ser responsável com isso (lembremos por exemplo do belo Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças). Quanto a Brad Pitt, já reconhecia alguma qualidade como ator (especialmente em Babel) e agora com o auxílio da maquiagem (já que “a academia” vê em transformações grandes méritos (vide estatuetas de Nicole Kidman narigudo, Charlize Theron monstruosa, Daniel Day-Lewis (será que eu tira o hífen?) deficiente físico, Hilary Swank homem, Marion Cotillard feia etc.). Até porque o Oscar, como as listas de 100 essenciais da Bravo, como a maioria das análises da Veja, Istoé, Folha de S. Paulo, Zero Hora etc., são distinções críticas destinadas ao grande público (o que deixa a função crítica num meio termo, numa versão light).

Caso alguém aí tenha visto o filme (ou somente de pensar na sua proposta) ou lido o conto, divido algumas reflexões sobre tempo e sobre velhice com alguns textos:

Idade Contemporânea

Da Graça das Coisas

Por fim, um texto de Luiz Carlos Oliveira Jr., sobre a sutileza ter sucumbido ao grito mais alto.

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involuntários [cnvrg^nc nº i]

2008,novembro12,quarta-feira às 9:53AM | Publicado em 2º caderno, caderno de esportes, cnvrg^nc, critica-se | 5 Comentários
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Genio es personalidad con dos duros de talento Picasso

Talento é paciência sem fim Gustave Flaubert

Gênio não é mais do que uma grande aptidão para paciência Buffon

Precisei trabalhar muito. Qualquer pessoa que trabalhar como eu pode chegar onde cheguei Bach

Genius is one percent inspiration, ninety-nine percent perspiration Thomas Edison

Beethoven já é mais generoso com o talento, aumenta em ponto percentual (o que talvez se neutralize com a margem de erro):

O gênio é composto por 2% de talento e de 98% de perseverante aplicação Beethoven

Mas aí temos Glauber com uma idéia na cabeça sem a câmera na mão:

A arte não é só talento, mas sobretudo coragem Glauber Rocha

Quando vi o Tcheco na capa gaúcha da Placar senti uma atmosfera de melancolia, no Tcheco feliz, na camisa tricolor, em mim, de que perdêramos a chance não na afobação do Figueira, mas durante o 2º turno todo e aquela cereja estragada tiraavante gremio tricolor

ndo o gosto de todo o bolo.
Mas no fundo, e o fundo compreende silêncio, imaginava uma coisa assim para ser como sempre é. A Geral apóia o tempo inteiro, os corneteiros largam a toalha a cada resultado não cumprido, mas em silêncio todos tinham fé na vitória contra o Palmeiras.
Jean, a última hipótese, foi um herói, até com o sacrifício no final, de expulsão pelo bem maior. As estréias todas seguras. O Grêmio seguro. Segure-se, São Paulo FC.
Tcheco precisava apenas acertar o gol, não importava a força, nada. São Marcos, íntimo de Deus, não fez nada: tinha de ser assim, ordens do patrão.

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Involuntariamente (ou Sean Penn foi muito sutil) Into the Wild encontra-se com Grizzly Man. Primeiro pela relação romântica do homem com a natureza selvagem ter um epílogo de falência ante ela: o homem quer se inserir na natureza e é consumido por ela. A natureza selvagem não é para homens. Até pela impossibilidade de ser completamente selvagem – o homem é homem por dominar a tecnologia, sem ela torna-se uma impossibilidade; o homem é homem por estar num processo contínuo de afastamento da selvageria.
Sean Penn romantiza seu personagem real, Herzog o desmistifica.
E aí temos o involuntariamente (ou sutileza) do encontro. O registro que temos das duas personagens é autobiográfico (direto, em Grizzly Man, e servido como base para pesquisa, em Into the Wild).
O destaque dado à frase Happiness is only real when shared dá a este último filme um status de cumprir a missão de Supertramp, mas involuntariamente denuncia que a história contada para ser lida é bem diferente da apenas contada.
É – para além das questões de homem inserido na natureza pura – um pensar sobre a construção de uma auto-imagem [há alguns bons textos de Ana Maria Mauad sobre o assunto relativ
amente ao Brasil e à história de sua sociedade].

Werner Herzog não tocou praticamente em câmera alguma, pois usou o material do próprio Timothy Treadwell; já no filme de Sean Penn temos um capricho na produção, um virtuosismo na fotografia, sendo utilizada como linguagem em muitos bons momentos (destaco a imagem em que ele confunde-se à plantação, sendo que a única coisa que o identifica é o modo de se mover, como se o caminhar (usaria andar, mas pareceria incêndio) estivesse isolado (por isso incêndio: “andar isolado”), até sumir na natureza (plantação)). Mais que umas imagens bonitas, é a fotografia em prol da linguagem, o que já não é (ou nunca foi) mérito por si só, em Miss Sunshine (uma espécie de comédia independente americana pré-fabricada) há uma cena assim em que a família ao fundo fica pequena e que os membros da família permutam no primeiro plano (numa relação de espaço captado semelhante à cena em que Alex/Chris está no topo da montanha e seu amigo velho mais abaixo). Ou seja, este recurso já é domado pela indústria e pela indústria de fazer filme com cara de independente, de arte. Ou seja, o cinema é mais que a qualidade das partes.

Mas ainda assim tem outras utilidades que escapam a seus feitores e conhecedores e pode-se utilizar o filme para outra função que não apreciar cinema, e usar assim de toda a idéia (Thoreau, Rousseau, paz & amor, ecologia) embutida no filme, tal como o rosto do ator se utiliza do personagem ou às vezes o contrário (Gael Garcia Bernal colaborando com o quê pop de Guevara).

O exagero observado pode ser dosado por quem não exagerou (tipo calibrar o chute ou um pneu sem o pré-estabelecimento de pressão no painel digital dos postos de gasolina atuais).
O exagero é útil.

E há de se usar um filme que não se gostou para não contabilizar nenhum tempo perdido (ou um tempo que não mereça ser contabilizada para o caminho para a nossa morte).

Mas agora refiro-me a outro. Acabei não sei por que assistindo Em Pé de Guerra. Fa-lo-ia em pé de guerra, mas usei meu otimismo para ver alguma coisa, já que a tentativa de usá-lo para não chamar ruim um filme sem pensar a relatividade dos adjetivo

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s: nalguns casos a dureza funciona melhor que a auto-ajuda, que a motivação, a aceitação, pois todo sabichão percebeu que por trás das piadas de sempre o Stifler melhorou por causa do homônimo do original e seu rival mr. Woodcock e os que tiveram a vida mudada pelo seu livro estavam como sempre – blá blá blá e ha ha ha pejorativos.
E o principal: tentar determinadamente resolver um problema dá nalguma coisa, dá numa solução, que pode não ser a solução do problema original, mas será uma solução original.

Algo como aquele filme O Mistério da Libélula – parecia estar resolvido, mas ainda havia no que remexer.
Um problema resolvido compreende satisfação, não aceitação.
A noção de catarse, orgasmo, alívio, eureka e coisas do tipo é indubitável.
É algo – numa certa medida – abrupto (em relação ao antes).

DETERMINAÇÃO, DETERMINACIÓN, DETERMINATION

Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo para vencer é tentar mais uma vez Thomas Edison

Cézzane teve sempre muita insatisfação em relação ao seu trabalho. Mas passou a pensar no resultado de sua pintura e passou assim a pensá-la diferentemente: abriu a linguagem dela para que todos pudessem explorar; Oswald de Andrade tinha dificuldades de escrever em métrica e se encontrou (mais que isso assumiu a causa) plenamente no verso livre; Van Gogh pintava daquele jeito meio no instinto; Garrincha, segundo ele mesmo (e talvez tenhamos aqui outro exemplo de construção de auto-imagem) dizia que ia para linha de fundo porque era fácil, nem sabia que era uma boa jogada; para que aprender a tocar se dá para fazer som com três notas? E temos Ramones olhando olhos nos olhos dos Beatles, do Pink Floyd.
Todos eles (numa visão simplificada) determinaram-se e fizeram de sua forma (mesmo incompleta, suja, nonsense, insuficiente) uma fôrma.
Há umas confusões na hora da direção tomada, mas talento nenhum é voluntário. Trabalho é outra coisa, neste sim se pensa. E assim que às vezes da nossa falta se faz um estilo.

E aí temos a estética desse ex-rapaz abaixo:

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As coisas viram cult. Eram nada demais, mas tomam, fora de seu contexto (o problema original, solução original) outra dimensão.
Como este movimento já enfadonho de trash voluntário caseiro.
O visual de Carlos Zéfiro/ Alcides Aguiar Caminha é atual. Foi até usado como capa para a Marisa Monte. O tosco com letras toscas hoje é buscado intencionalmente por designers (vide MTV) e realmente é um belo elemento para releituras. Carlos é mais uma vítima do retrô e evidentemente não falta quem já não economiza a palavra gênio.

Em sua obra desfilam termos da mais alta qualidade bagaceira, como grelhinho, racha, pirosca, numa atmosfera de vagabundas adormecidas em mulheres castas, à Nélson Rodrigues e à A Vida como Ela é no Fantástico, no qual a mulher é vitimada pelo próprio desejo, e daí se tem um universo de chifres, incestos e todas estas coisas proibidas que nos excitam tanto (porque as personagens são sempre objetos sexuais e isso não sabe de moral nenhuma, sabe-se somente de conceitos que os isolando os fortalecem).

As personagens às vezes mudam de rosto de uma página para outra e às vezes não estão bem de acordo com a situação. Muito provavelmente (não pesquisei a respeito) deve haver decalque de quadrinhos da época, como um advogado que parece clark kent, algumas marylins e posições de prazer com rostos de peças publicitárias.

E no meio da bagaçada toda rola (termo este usado com outra conotação por Carlos) uma palavra de amor:

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O hentai brasileiro honra antropofagias e é bem brasileiro mesmo, malandro, vagabundo, mal-feito.

Se eu tivesse 13 anos isso me seria muito útil. Mais eficaz que coisas produzidíssimas como as Pegadoras que se utilizam de moças reais. Porque no conjunto de suas insuficiências, exageros, licenças poéticas, anonimato, Carlos consegue uma coisa que a libido gosta bastante: promiscuidade. Porque o Milo Manara é harmonioso demais. Zéfiro põe as coisas como os meninos imaginam. É preciso ser mais sujo, mais exagerado, mais podrão.
O exagero às vezes é útil.

E, afinal, sempre se tem 13 anos embutidos nos outros mais que a gente põe na idade quando preenche um formulário.

[Pequeno update em 14/nov: mais um belo exemplo de talento involuntário para comédia e/ ou vítimas do retrô (ou de como este pessoal sem querer cria uma estética e humor originais), leia-se festas balonê e shows do Sérgio Mallandro lotados, enfim, vide alguns clipes do Fantástico resgatados por A. Inagaki] Quando tiver algum material para voltar, volto aqui e faço uma atualização linkando, para o caso de quem parar aqui buscando “carlos zefiro” ter na imagem acima um link para um bom site com seus catecismos e uma utilização minha para eles. Nada demais, uma coisa que até Rappin’Hood fez com Disparada do Vandré, que até o Gabriel (, o) Pensador fez com aquele disco que tinha aquela bela música Cachimbo da Paz (música do meu verão 98 (ou 99)), para citar tão somente os que não impressionam ninguém, pois a colagem (seu conceito, em verdade) é exaustivamente utilizada desde o cubismo e olhe lá.

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Aprofundar-me-ei mais além (porque no futuro e mais epistemologicamente – ou outro advérbio mais bem cabível) também nos textos de cinema e sobre o talento. Eles estão na cabeça, mas é muita coisa para escrever. Eu tenho um problema sério – que talvez tenha de canalizar para outras maneiras de expressão, como a música – de não terminar algo por sempre querer acrescentar algo. Então, como dizem tantas quotes, abandona-se. Por ora, isso.

E valho-me de novo e novamente da utilidade não-cinema de um filme:

Rather than love, than money, than fame, give me truth Thoreau

Num ponto de vista de relações humanas, a sinceridade pode ser cruel como a natureza, mas no fim é do que precisaremos e talvez nossa única saída.

Se eu tivesse 13 anos este vídeo teria grande utilidade.
Spears tem uma maneira bastante clara de ser sensual da cintura para baixo.
Eu valorizo muito as panturrilhas delicadas, mas um exagero às vezes é útil.

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Quem caiu aqui na busca não se preocupe, todas as fotos dão no mesmo vídeo, aliás, minha divulgação será importantíssima, posto que até a 1h21 de ontem (já hoje, no caso) ele havia sido assistido apenas (dispenso aspas, vós entendereis tratar-se de ironia em breve com o número a ser exibido agora) 11151269 de vezes (Ctrl C Ctrl V direto do TuTube para a precisão da estatística).

Eles não deixam to embed, mas no wordpress basta pôr .
Então embeba-se dela:

Ouça no volume mínimo.

Se tivesse uma parede na linha certamente a bola bateria nela. Porém é bom lembrar diretamente do germe do futebol brasileiro a pelada, o bater uma bola, o futebolzinho, daquele argumento que todo mundo usa quando a bola sai, mas a jogada é bonita, ou o time inteiro quando perde a partida: a bola tem de sair inteira. E tem mesmo. Então se a parede fosse no lugar exato onde a bola encostaria já estando fora da linha toda, acho que ela conseguiria passar bem rente à parede.

Pensava eu tratar-se de um escanteio, jurava que era, mas a bola foi lançada antes da linha do pênalti. “Só com elástico, Arnaldo”. É fisicamente impossível não digo, mas que é difícil é. Na sabedoria popular revelada pelos comentário, esta dádiva de hoje em dia, um rapaz chamado flyingvkusanagi falou em vento, outros defendem Galvão, outros comparam com gol olímpico… com isto concluo que Galvão estaria apenas vagamente errado, ou galvaobuenicamente errado, que é desprezar a hipótese de erro e achar-se certo em absoluto.

Galvão, involuntariamente, junto com o casal-âncora Sandra Anemberg e Evaristo Costa, é uma das grandes comédias da televisão brasileira. E para ser imitado, para ser visto no original mesmo. Não é um Sílvio Luiz, que sabe o que faz e que, reservada a contrastante proporção (que talvez já está implícita e contida na medida entre um narrador e um jogador) o garrincha dos narradores, com coisas como “tá todo mundo segurando o tchan”.

Quanto à afirmação física de Galvão, parece-me que ela se baseia quiçá na concepção de uma gravidade material/ visual de Einstein (o exemplo do sol num colchão e os planetas se aproximando a ele através da curva), ou na física quântica, ou do livro “o Segredo” (o jogador queria tanto a bola que ela voltou).
Mas o tira-teima procura, procura…

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Para quem ficou com dúvidas, aprecie o humor de seus colegas da Globo (e o pessoal que ficou no lugar do Roberto Marinho ainda paga o Casseta & Planeta):

O jornal Hoje já é comédia involuntária ao atender o aposentado sério, o pessoal que almoça em casa (como eu) e a dona de casa ao mesmo tempo, mais ou menos assim:

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2008,setembro26,sexta-feira às 6:47PM | Publicado em hojes, vídeo | Deixe um comentário
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SE NÃO PODE CONTRA ELES, NÃO SE JUNTE A ELES.

amor e grande amor

2008,agosto25,segunda-feira às 7:41PM | Publicado em 2º caderno, gente | 5 Comentários
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O ator James Marsden é o ator daquele papel daquele cara que é foda, mas que se depara com um concorrante mais foda que ele. Seus adversários são feitos de aço, de adamantium, de descobertas adolescentes.
Ele é o homem comum que perde para o homem de cinema, mas que é uma opção mais segura que a aventura de cinema. Realidade e fantasia. Proibido é melhor etc.
Ou, nestas lições que o cinemão exagerando nos dá, a diferença entre amor e grande amor.
O verdadeiro, o cotidiano, a luta diária vs. a fantasia, o sonho, o que poderia ter sido.

Filmes: X-men, Superman, The Notebook.
Personagens: Jean Grey (Famke Janssen); Lois Lane (Kate Bosworth); Allie Hamilton (Rachel McAdams); Superman/ Clark Kent (Brandon Routh); Wolverine/ Logan (Hugh Jackman); Noah (Ryan Gosling); e a parte mais fraca do triângulo: James Marsden (Ciclope/ Scott; Richard White; Lon Hammond Jr.).

u de utopia

2008,agosto12,terça-feira às 3:39PM | Publicado em 2º caderno, critica-se | 3 Comentários
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O logo logo no início do filme já diz a que o filme veio. É a marca do Batman, está no céu, mas não é tal e qual como conhecemos: este logo do cinema está para o logo do quadrinho assim como o logo do quadrinho está para a imagem de um morcego em si. É uma referência, uma citação, uma inspiração, um conceito, mas é outra coisa, uma coisa nova que, por dentre as nuvens, quase imperceptível, abre o filme sombriamente.

Não é como a esfera amarela que encima a página 40 do primeiro álbum da minissérie Cavaleiro das Trevas, porque estamos numa sala de cinema e o que vemos é cinema. E Batman mesmo é quadrinho, é capa azul, cinto amarelo, uniforme cinza. O Batman fica negro por causa das sombras, não carrega o negro no uniforme.

Sempre é necessariamente uma adaptação toda obra que vira filme – na literatura tanto quanto, por isso é preciso desprender-se do original – a linguagem é outra, e a equivalência da obra não deve estar no conteúdo e sim na maneira como usa da linguagem (por exemplo, eu imagino que o filme La Mala Educación, do Almodóvar, teria alguns recursos parecidos com o livro Budapeste, do Chico Buarque). Porém geralmente o caso dos super-heróis é mais linear: a comparação se dá na narrativa mesmo, no conteúdo, porque o super-herói em si é um conceito narrativo a ser explorado, é uma descrição (argumento) a ser materializada.

Então há sempre uma adaptação mais aguda (em verdade, no caso dos super-heróis, esta adaptação é algo mais superficial do que falava (não num tom pejorativo), como já havia mais ou menos dito ao usar a palavra linear linhas acima) quando se busca realidade. Do contrário, ou temos a coragem visual de Burton ou, claro, ao seu tempo e à sua proporção, o real enquanto realidade de cinema, como no caso do clássico Superman de Donner.

A atuação de Health Leader teve um impacto tão grande por aí que ele até morreu para mitificá-la (agora é um saco ficar ouvindo “o Coringa roubou o filme” – mas a crítica popular deve ser desprezada, caso contrário daria para escrever um livro só para odiá-la). Diverti-me muito, especialmente imaginando a versão brasileira. Mas nada que me levasse a escrever compulsoriamente, como noutros casos.

Bom, este blá-blá todo é porque vi V de Vingança. E não foi no Sistema Brasileiro de Televisão, pois deu anteontem, eu havia assistido uns dias antes.

Chicago, ou melhor, Gotham City, precisa de um herói com face, diz Batman. Mas um herói com face é humano, e portanto não pode ser herói. Um herói sem face é o que temos em V de Vingança. E um herói cuja face pode ser de todos, por não ser a dele.

Sempre falo das metonímias do cinema, como disse aqui, de algum elemento fílmico (que toma de empréstimo tantos outros: palavra, imagem, movimento, som, teatralidade etc, e, às vezes, a convergência destes) que resuma o filme todo.

E temos a cena acima. Resume não só o filme todo como a própria idéia de revolução: Evey beija (uma concretização), mas beija a máscara.

A revolução é um cheiro que nos faz comer algo que não tem semelhante gosto.

Ela fala no homem e na idéia, e ela beija a idéia, pois não pode beijar o homem, que em verdade ela nem conhece, que em verdade não importa. Ela beija a máscara a qual cabe a qualquer um (a idéia) e isso é explicado verbalmente já no início da fita e novamente no fim, sem que fosse preciso (as pessoas (todas, até as já mortas) retirando suas máscaras no final. Assisti sem ter lido o gibi e neste filme também não escreverei criticamente – como o fiz no lugar que foi linkado antes – porque o que li a respeito já me foi suficiente, não tenho a acrescentar. Mas do recorte dele (independente das diversas camadas das quais se originou), esta bela cena resume a utopia da revolução: V era uma paixão intangível para Evey, mas a paixão dela a fez se mover.

E no fim de tudo Batman é bat, simplesmente.

faltou o robin ou versão brasileira

2008,agosto11,segunda-feira às 7:07PM | Publicado em 2º caderno, bobajada | Deixe um comentário
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Não a v. Herbert Richards, a versão brasileira mesmo, com brasileiros.
Orçamentinho estourado, fantasia da Renner ou senão da Ughini ou Courolândia Couroesporte.

Hipótese 1

Bruce Wayne: Marcos Pasquim (ou qualquer outro da linhagem dos Raís – pois todos sabem que estas personagens se enraízam no Raí da Quatro por Quatro, a de 94, do Carlos Lombardi, que é um cara mulherengo, bom de briga, bom de bola, órfão de pai, que no fundo é sentimental, que ama verdadeiramente uma mulher somente, que fala “isso eu fiz só pra tu”)
Rachel: Daniele Winitz
Coringa: Murilo Benício (?), no caso desta versão, o Coringa teria uma mulher que seria apaixonada pelo Batman
Mulher Gato: Abigail (apesar de não ter, a Betty Lago tem de estar se tem um Raí presente).
Uniforme adaptado de modo a aparecer o peito cabeludo.
O Batman come a mulher-maravilha, a Catwoman, a Electra, a Mary Jane (mesmo sendo do universo marvel).

Hipótese 2

Bruce Wayne: Wagner Moura
Duas Caras: Lázaro Ramos
Rachel: Dira Paes ou Leandra Leal
Coringa: Sélton Mello, ou Matheus Nactergale, ou Dan Stulbach
O Batman é cearense ou baiano.

Hipótese 3

Atores buscados em comunidades carentes.
A voz cavernosa é a mesma, mas, na hora do interrogatório por exemplo, as palavras são “a coisa fedeu pro teu lado, mané, Jim, busca a vassoura!”.
A vassoura do Batman não é simplesmente uma vassoura preta com o logo.
Ela adentra o interrogado e se abre, e tal qual uma hélice faz a limpa no delgado.
E logicamente, dotado de fina ironia, o Cavaleiro das Trevas começa varrendo a sala e diz que quer clarear, “limpar” as idéias do Coringa.
Batmóvel: Kadete Conversível GTI 94 adesivado.

Hipótese 4

Bruce Wayne: Reynaldo Gianecchini
Chefe da máfia: Stepan Nercessian
Com. Gordon: Tony Ramos
Alfred: Milton Gonçalves
(olha que elenco, olha que disputa pelo prêmio Contigo!)
Direção do Jorginho Fernando, aí os adultos conversam sobre sexo, falam “trepar”, traições, declarações de amor. Um Batman mais humano, mais próximo, gente que nem a gente.
Seria a única versão que teria o Robin, Filipe Dylon, ou Rafael Almeida, ou Cauã Raymond, ou Erik Marmo, qualquer um deles pegando tanta mulher quanto o Batman.
O vigilante da Lapa.
Ou o cavaleiro do sol, porque trevas não é coisa do Brasil.

***

Why so serious quase vira o novo Pede pra Sair.

***

Eu não vi a versão dublada, mas parece que ia ser o Ettore Zuim.
Se fosse animação ia ser o Miguel Falabella, o que é uma decisão sempre estranha pôr um famoso, que nem aquele elefante desgraçado, que cada vez que aparecia no gelo me vinha o Diogo Villela à cabeça.

***

Como fazer um filme do Batman s/ o Robin?
É que nem a Sandy s/ o Júnior, Piu-piu s/ frajola.
Robin é carnaval, Robin é Brasil (até a máscara), Robin é futebol.
Santa pretensão, hein Cristhoper?
O Robin podia salvar vidas enquanto o Bruce providenciava uma mega rede com todos os celulares (será que pré-pago entrava?) da metrópole. Ele podia pegar uma procuração do Bruce e assinar os B.O. p/ liberar o Batman.
O telefone vermelho, o Adam West ter sido recusado, o pau-de-sebo, o pingüim, tudo bem… mas o Robin?

***

Quer dizer que a regrinha do Batman de poupar vidas não vale p/ cães?
Esperamos uma resposta, Batman.
A menos que os pobres Rotweillers tenham permanecido vivos.

***

Aguardamos agora o filme do Space Gost, este sim um verdadeiro mascarado.

sentir

2008,julho14,segunda-feira às 8:11PM | Publicado em crônica | 3 Comentários
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Shyamalan, além de transformar árvore nalguma coisa ameaçadora, um professor secundário de tênis brancos em herói, transformou uma equação exponencial em terror.

E tendo saído do cinema acostumado ao medo, reagi com ele ao que seria de candura, de desânimo da alegria.

Pois foi como terror com trilha sonora aguda que rememorei das penas que me deram ontem, em dois momentos isolados da tela escura da televisão para folgar do sol bonito demais do dia claro.

Rapidamente:

Na TVE, o caranguejo pobre movia lentamente as patas e tirava uma formiga, depois voltava e tirava outra, enquanto neste hiato eram dezenas ou dezenas de milhares as que, após descobrirem um ponto fraco entre suas juntas, nas quais a carapaça não o salvava, na alcunha de soldadas lhe raptavam os membros sem lhe raptar a vida ainda.

No Faustão, num quadro de humor, um humorista tinha de atingir um índice num aparelho virtual ao qual chamavam risômetro, e os segundos foram se indo, o índice não atingido, ele gaguejou e pediu desculpa.

Usando da bizarrice e dos gêneros como arma para ambigüidade, mergulhamos numa experiência áudio-visual sensorial (ecos do domingo passado) de arrebatamento, seja pelo terror, seja pela esperança. E embora ríramos, embora nos comovêramos, pagáramos e batemos palmas também para sentirmos medo. Tudo é do espetáculo (no melhor sentido da palavra, no sentido de aplaudir em pé num teatro).

Mas do medo extrai tudo contíguo a ele: assim a coragem, a imperfeição. Nas tais transformações que falava, Manoj Nelliattu faz com que as esperança e pessimismo brotem da mesma terra.

Então sentir medo é bonito.

E de ver não ser o que se é por importância tanta a alguma coisa – gaguejar, ficar nervoso – como de ver algo só e vivo acompanhar a própria morte e mesmo assim tenta escapar, numa certa inocência, numa certeira impotência.

E por coisas assim a piedade normal e estranhamente nos repleta o espírito.

E tanto é espetáculo que a imagem isoladamente de um caranguejo submetido a um ataque coletivo de formigas é de fluidez tão harmônica que bela, se nos despirmos da amizade que fazemos com o caranguejo.

Então se a apego inútil enfeie a música do espetáculo, talvez seja um mal este cuidado, pois o mundo tem de ir para frente e aos vencedores as batatas.

E talvez assim se encha o peito para que dê alívio a esta pena que se dá, as notas altas de suspense, e o coração precisa ser mimado, sentir-se útil, quando o resto todo sabe que aquilo é assim mesmo.

Mas deixemos a selvageria aos animais.

Aplaudamos também os que fracassam.

Que no fim são espetáculos todos. São nomes (fracasso e sucesso, medo e coragem etc) que a gente fica dando. Que a gente fica girando a mesma moeda. O coração só se enche e se esvazia, e algumas coisas aceleram, desaceleram ou impedem este processo.

Bonito é sentir.

indiana joão

2008,junho10,terça-feira às 11:18AM | Publicado em critica-se, diário | Deixe um comentário
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Antes de tudo, este título merece uma paródia a ser mais explorada. Mas já vale por enquanto.

É sobre Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (como se suspeitava desde o princípio). Sobre isso, iniciara eu um esboço mental ilustrando a ilustração do plano inicial, em que um carro cheio de jovens sendo guiado doidamente invade o espaço de uma frota militar guiada organizadamente: mudanças, o novo invadindo o velho, mas um velho que se mantém, um velho conotado de antigo, velha guarda, e não de ultrapassado. Mas, ao ler algumas críticas, vi que tudo o que está no filme já está bem marcado: a paranóia dos EUA; a visitação às propriedades originais da série, especificamente a relação estabelecida com o primeiro filme (e segundo aventura cronológica) da trilogia do século passado; o conflito ceticismo x mágico (sintetizado conceitualmente pela anamorfose que faz da ponte invisível no desafio final de A Última Cruzada, como disse aqui); as pontuações de época; um potencial não aproveitado plenamente; a afirmação da ação acima da realidade, criando um espaço de violência e risco lúdicos, como homenagem à ação e o que ela representa em cinema; o retorno a ícones de cinema, como Clint fez n’Os Imperdoáveis consigo mesmo, buscando o real de sua personagem lendária, e como Stallone e outros fizeram recentemente; a mitologia mesmo e a micro-mitologia de Jones, o universo mesmo e o micro-universo de Jones etc.

Só não posso ouvir o filme é longo demais. Isso pode até ser certo, mas é o tipo de crítica que não gosto de ouvir, simplesmente não gosto. Que ele tenha explicações desnecessárias, cenas repetidas, mas um filme nunca é longo demais. Todo diretor deve chorar algumas cenas cortadas pelo nobre trabalho do montador.

Mas eu tirei o melhor do filme: recebi um presente do meu subconsciente ou adquiri uma capacidade ainda não dominada de escolher os sonhos (o que talvez dê no mesmo): eu me sonhei como Indiana Jones.

S/ chapéu, s/ chicote, s/ estes clichês, mas numa aventura. Mistérios revelados. Queridos entes juntos, salvando-os. Ovos de dinossauros, dinossauros. Emoção de verdade que não acontecem de verdade. Tudo dando certo no final. Fugindo da morte, pulando quando se precisar pular, socando quando se é preciso (mas não necessário somente, vontade sempre).

Tanto no filme quanto no sonho, sabe-se que no final não se vai morrer. Então é um jogo de fugir da morte.

E no sonho, tem-se a sensação de que crer que não se morrerá é ser imortal.

E ontem pela manhã chovia (tal qual o mar num céu com furos de Saramago) aqui em Canoas-RS (precisaríamos de canoas, se eu fosse de trocadalhos do carilho (como este por si só sintetiza a babaquice (no bom sentido) deste método)) e, para ter dinheiro, é preciso vir p/ repartição colaborar com/ lutar contra a fama que os funcionários públicos têm.

E depois do sonho de ontem…

eu não nasci p/ isso.

a waltz for a night

2008,junho4,quarta-feira às 10:30PM | Publicado em alt+3 ou ♥, crônica, critica-se | 9 Comentários
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Spoilers, spoilers p/ caralho (mas nada que atrapalhe quem gosta de cinema).

1. Before

Em tudo (e no cinema, que faz parte de tudo, como tudo) há partes que resumem os todos. A mão pode resumir um corpo todo; um dedo, um corpo todo; a íris, idem etc. Ou o código genético, para ser mais científico, menos verborrágico e menos repetitivo. Neste processo metonímico, um fotograma (como Rypley atrás de um espelho que reflete Dickie, ou Matthew substituindo Theo também no espelho em the Dreamers, a anamorfose na ponte em Indiana Jones e a Última Cruzada, e outros tantos exemplos mais eruditos), um plano (skatistas-ícaros em câmera lenta voando até a falência em Paranoid Park, como muito bem observou Luiz Carlos Oliveira Jr.), uma cena, um diálogo ou qualquer outro elemento fílmico pode resumir o filme todo. Em Before Sunrise, é uma história que Jesse conta a Celine, sobre o arrebatamento ao ver um bebê nascendo, sobre o encantamento ao o ver respirar pela primeira vez vs. a constatação de que, um dia, ele irá morrer: uma visão inocente (semelhante à que o gato Che de Celine tem diariamente de seu jardim), portanto pura, e por isso justa com ambigüidade das coisas: deleitosa, mas desde sempre melancólica por ser sabido seu fim. As duas verdades gritantes da vida (a própria vida (milagre) e a morte) sob um olhar puro.

Eu sempre havia ouvido falar muito de Before Sunrise. E pensava (mas não com tom desafiante) no que o filme poderia ter de mais. Afinal, visto por fora, pela capa do DVD (ou pelo cartaz, para quem teve a boa sorte de assistir num cinema) são somente duas pessoas conversando.

Falarei dos motivos depois, primeiro do impacto: para ficar somente no cinema (embora tudo pertença a tudo, repetindo sempre) vale lembrar a anedota que Hitchcock contou a Truffaut, que me não lembro se li um trecho na livraria ou se li num livro de Mamet (mas com certeza ninguém me comentou, pois eu li), ao falar sobre roteiros relativamente à direção: ele conta de um homem que sonhou um filme que lhe parece fascinante durante o sono e ao acordar e anotar a história do sonho recém sonhado escreve apenas “homem se apaixona por mulher”.

Então se me fez intuitiva e subitamente óbvia a consistência que Ítalo Calvino proclamaria, mas não pôde proclamar como queria, para o próximo (este) milênio.

Há uma série de elementos quase independentes que o cinema combina. Ele acontece devido mais à combinação e menos aos elementos em si (e digo todos os elementos: produção, elenco, fotografia, orçamento, impacto nas revistas de fofoca, argumento, roteiro etc.). A lógica acadêmica (acadêmica no sentido de Oscar) de um todo ser bom e suas partes serem destacáveis (melhor fotografia, melhor som etc.) para o qualificar (própria da indústria (linha industrial) nalguns casos) imita uma lógica que se usa na vida mesmo para diversas escolhas pré-estabelecidas (a famosa “preferência”), como gostar de morenas, ou loiras, ou ruivas, ou magras, altas, tímidas, ricas, inteligentes etc. Porém se sabe não haver fórmulas: o processo de estimação é mais sofisticado.

Evidentemente muitas vezes é possível enumerar os elementos que chamaram a atenção por cumprirem um padrão predileto. É como quando se conhece uma moça (ou um moço, para as moças, ou para os moços que gostam de moços): às vezes se acha o que se esperava, mas noutras um dos pré-requisitos para arrebatar é surpreender.

E para se surpreender os padrões não funcionam. Ou funcionam, justamente por oprimirem o quadro da surpresa, como se empurrassem molas. Exemplo: para alguns a música seria dispensável no cinema (e muitas vezes ela é puro enfeite mesmo), para outros até o som seria dispensável (Vinícius de Moraes defendia que a única forma de cinema era o mudo quando era crítico, apesar de ser amigo de Orson Welles), como o pessoal do Dogma 95. Mas como dizer que cinema não pode ter música, se num filme como O Quarto do Filho, de Nani Moretti, o seu uso estabelece uma significação narrativa que, tal qual um canhão de luz num teatro, foca o estado subjetivo dos fatos narrados, complementa a história?

Então pode haver um esquema para cada idéia. Então a fotografia, o roteiro, até a montagem (que seria o elemento mais cinema do cinema, segundo Kubrick, Glauber e seu mestre Eisenstein, para ficar só nos populares e paradigmáticos) subordinam-se ao filme como obra (conceito). As coisas se estendem de maneira honesta a partir do conceito (ou idéia e/ou anseio) que as lançou, como numa geração espontânea, ou, contrapondo esta idéia e inda assim parando no mesmo lugar, o cumprimento de um destino: elas arranjam seu espaço e tornam-se o que são.

E este é o caso deste projeto. O casal se afirma como idéia um ao outro; e o(s) filme(s) afirma(m) a idéia de casal, o encontro das duas idéias anteriores e a reação delas em tal estado – tudo então é justo com isso, os planos-sequência, os enquadramentos, a música, a montagem – uma intervenção mínima para os registrar.

Um amante se tornando como tal é um processo de existência paralelo. Os amantes vivem num mundo próprio, de espaço e tempo particulares, definidos pelo movimento de seus atores, que são vetores que delimitam tal universo. E todos estes universos incontáveis que existem no mundo são belíssimos. Os amantes todos vivem coisas que precisariam de filmes para registrar. Mas bastaria uma câmera. Então aí está o fino filmar: criou-se uma realidade para a registrar, com as intervenções justas. O cinema (um possuidor de câmera(s)) simulou e registrou.

Então, cinema puro.

 

2. Sunrise

“Eu me confesso meio incomodado de estar em casa véspera de feriado, mas este filme salvou-me”, assim começava meu esboço inicial.

E tal frase me veio à cabeça na cena já perto do fim, que há um homem tocando cravo, que eles vêem pela janela: é cedo, ele está só, e, por alguns segundos, ele fica só no fotograma, ganha seu espaço único na montagem: aquele momento é dele: a arte repletando todo o espaço, a arte lhe bastando por valer por tudo.

Emocionei-me. Então me perdoem as elucidações ingenuamente didáticas, tais como as interpretações simbolistas, as considerações extra-filme, o ponto de vista de espectador. O Amor é Filme, de Lirinha, é o que, numa linha menos reta, me vem à cabeça.

Pelo conteúdo cênico, esta foi a montagem ficcional mais próxima que eu já vi da inalcançável realidade de se estar embebido numa atmosfera de descobertas, de se conhecer e ser conhecido por outra pessoa, de se maravilhar com as combinações e contrastes, e de perceber estes todos combinações e aquelas todas contrastes; de uma levíssima condição de se exercer a criatividade quando ela vem, de exercer-se como se é, de fazer piadas após declarações de amor oblíquas, ou ubíquas, por estarem presentes em cada replica e tréplica, amalgamá-las por vezes, de se não ver o tempo passar quando ele passa mais que antes e menos que depois.

Lembrou-me algumas coisas vividas e certamente a outros também.

Pelos referenciais, a história pontua uma mudança de era (já no início do filme Jesse fala sobre a idéia que teria para um programa, algo semelhante a um reality show, Celine replica dizendo-lhe que simplesmente acompanhar a vida real seria muito chato – operação que acabara de se iniciar no filme) – uma era que passa a se voltar para a realidade como tal, sem idealizações, o “fantástico” do cotidiano.

Porquanto é por excelência o conto de fadas contemporâneo: heróis de dentes não tão brancos.

Das coisas como são (podem ser). De um lirismo mais pé atrás. Uma linguagem mais Jorge Macchi e menos Oliviero Toscani.

Menos Romeu & Julieta, mas rivalizando em intensidade com eles. Em intensidade e em teor: estão ali a magnificência, o mistério, a ambigüidade e todas as coisas cabíveis ao amor, mas demonstrados num cenário crível, cético, ordinário: contemporâneo, na conotação de ainda presente, que ainda não morreu: na conotação de vivo.

Um encontro ao vivo.

Registrou-se um encontro.

O encontro entre o garoto de 13 anos que sonhava em começar a fazer as coisas e a senhora no leito de morte, para a qual a vida é uma lembrança revivida – ambos olhavam para o meio do caminho, mas o americano não se vislumbrava sair do início; a francesa já se sentia no fim.

Um encontro entre a França e os EUA (muito mais rico que em The Dreamers, por exemplo, a despeito do apelo visual e referencial daquele filme). A França encanta-se, romantiza, critica, protesta. Os EUA são mais práticos. O poema dado pelo mendigo e a quiromancia, após uma atmosfera mágica que nos leva a crer que ambos creram juntos por alguns momentos, são investigados racionalmente por Jesse, contrapondo a paixão com que a francesa se lança: ela supõe magia; ele, um processo cínico.

E assim eles vagam como pontos de vista personificados sobre questões das quais não se pode estabelecer uma verdade.. dão dois pontos de vista para os mesmos fatos. Compõem ambigüidades.

A vida (num de seus estados extremos) sob olhar puro.

Também o velho e o novo mundo, o feminino e o masculino, o oriente e o ocidente (se pensarmos geograficamente é como os países se relacionam relativamente um ao outro).

Entanto um encontro como o símbolo Yin e Yang, com um com um pouco do outro também (Jesse não resistiu à roda gigante).

Encontram-se as desconfianças, as necessidades, a bagagem pessoal de cada um, e uma intenção mútua e abstrata de continuar, que se afirma acima de tudo isso, punge como desejo, solicita realização.

E, por fim, um final (embora não no fim mesmo) comparável ao final de Sociedade dos Poetas Mortos, ao seu ritmo, seu ritmo de afirmação de rebeldia em formato clássico; comparado ao final de Cinema Paradiso, ao seu ritmo, como ode à memória e saudade conseqüente, como ode à inocência irrecuperável; comparável ao jogo de cinema, de metalinguagem, de brindar o espectador pelo seu poder de saber mais que as personagens sabem ou manipular seu ponto de vista, tais quais os finais clássicos de Cidadão Kane (mesmo que a questão Rosebud seja um jogo lúdico – e também por isso virtuoso – ante toda o mérito formal) e Vertigo (de pensar a imagem como fonte de verdade e a partir disso tornar ambas relativas); ou comparável ao impacto som x silêncio, no sentido de contraste de formas, como o epílogo primeiro sensorial e em seguida completamente silencioso como não o foi o Filme Falado de Manoel Oliveira (a barbárie é som, silêncio; a civilização, palavra).

Quando o casal despediu-se (au revoir/ later) despediram-se de um tempo, um tempo que permitia cada um levar apenas lembranças e esperanças (como a foto não tirada por Jesse). Fosse depois de 1995 (a era que terminava), salvar-se-iam num mundo virtual, em MSN, blogs, correio eletrônico, e-mails, Skype, MySpace, Twitter, Flickr… talvez se inseririam num meio-termo ausência/presença, subvertendo a prova de resistência do tempo à chama, deixando-a apagar aos poucos, por não a alimentar nem a deixar consumir-se.

Salvar-se-iam talvez no mundo virtual, ou se matariam como acabo de dizer.

Salvar-se-iam do mundo que lhes deu apenas um dia, dum mundo de sonhos impedidos por aviões, trens, faculdades, residências e dessas coisas desse mundo ao qual se convencionou chamar real.

Por tudo isso, Before Sunset tornou-se uma questão mitológica, tão esperado quanto O Retorno do Rei pelos que usam orelhinhas de elfo para ir às estréias com filmes de elfos.

 

3. Sunset

c: Maybe we should meet here in five years or something.

j: All right, all right, five year- Five years! That’s a long time!

c: It’s awful! It’s like a sociological experiment!

“L’absence diminue les médiocres passions, et augmente les grandes, comme le vent éteint les bougies et allume le feu.”

François de La Rochefoucault

São-nos apresentadas as imagens dos lugares de Paris por onde eles passarão, invertendo o processo do filme passado.

Logo essa inversão de fluxo consecutivo eu concluo se dará também na história: se antes houve a construção primeiro para a lembrança depois, agora a esperança antes para a (des)construção depois.

(Prematuramente) pensei: a realidade irá os enfrentar e eles perceberão que o que tiveram foi singular por ter surgido de uma situação singular, pois o laço que os uniu por algumas horas brotou de uma atmosfera absurda em cuja somente qual sentimentos utópicos podem brotar (lembrar Romeu & Julieta para ser mais clichê). Seria a situação, não eles.

E a realidade fatalmente os enfrentou e a tal inversão fatalmente estava certa.

E eu errado: they’re for each other, ils sont fait l’un pour l’autre.

Esperança antes, construção depois. Sem des.

Eles já se sabiam, eles já se esperavam. E se concluiriam.

Eles (e consequentemente o filme) retornam ao encontro anterior. Até porque seu reencontro só se dá devido ao registro da história do encontro anterior (o pequeno best seller de Jesse). Até porque eles são o filme, a ponto de forma e conteúdo se fundirem: a história contada é influenciada pela forma como fora contada: eles discutem se tiveram ou não uma relação sexual (tão importante naquele contexto quando a traição de Capitu), referenciando o fato de isso não ter ficado claro para os espectadores pelo filme anterior. Questões pendentes que interessam tanto aos dois quanto a nós (aqui não sabemos nada a mais que eles, descobrimos as coisas ao mesmo ritmo) são visitadas e revisitadas. Põe o papo em dia, falam dos planos, do que fizeram, e ficam cada vez mais perto, cada vez mais à vontade, cada vez mais com vontade, cada vez mais os mesmos daquele dia (quase inteiro) em Viena.

A felicidade recôndita de se saberem infelizes longe um do outro é intermitentemente revelada (as mulheres fingem, diz Celine, e ela mesmo finge se importar com a felicidade alternativa de Jesse, finge não se importar com a nova despedida porvir). Diante desse jogo, eu, de início, se fosse Ethan Hawke, teria dito já ao encontrá-la que a curiosidade que um pelo o outro nutriam suportaria a ascensão do espaço e que se extinguisse quando o acontecesse valeria a pena. Se primeiro foi tomar um lanche, depois foi descer do trem, e passar a tarde, que virou dia, noite… o tempo aumentou e eles o ocuparam, mas não gasosamente (ocupando o espaço dado), e sim solidamente (crescendo junto), mantendo a intensidade. Então era um medo o de acreditar no mérito do absurdo do encontro sem acreditar que o absurdo como elemento missionário. Porém os minutos passam, e eles não trocam telefone, nem e-mail, blog, Flickr, Twitter.

Eles têm suas vidas. Cada qual tem seu cônjuge: Jesse tem filho e esposa, Celine tem um namorado. Mas eles são coadjuvantes. Suas vidas separadas são coadjuvantes. O agente de Jesse, seu motorista, o corredor que os ultrapassa na praça, os vizinhos… coadjuvantes, coadjuvantes, coadjuvantes. Até a avó de Celine é coadjuvante (embora seja a menos coadjuvante (e por isso mesmo uma das poucas que aparece como imagem individual – à semelhança do tocador de cravo do primeiro filme)). Há somente os dois. Há, no máximo, Paris, mas Paris é uma extensão de Celine (uma metonímia ao contrário, a cidade representando sua habitante, a despeito de “”Oh it’s so French. It’s so cute.” Ugh! I hate that!”), a qual se vai revelando ao mesmo ritmo da cidade: à medida que Paris se descerra, Celine o faz no mesmo ritmo. Vê-se de fora, pelo viés de turista, de estrangeiro, até aproximar-se de sua faceta íntima, seus bairros, seus lares, suas gentes. A cidade de Paris enquanto Pasárgada de Jesse torna-se real. À medida que se aproxima de casa, Celine se abre mais e mais. Abertas as portas de seu apartamento. Celine abre-se.

E lá (ali) ela canta. Ela imita oficialmente a atitude de palco de Nina Simone após a ter imitado o filme inteiro.

Em vez do beijo desesperado (a caída de, ainda que inofensivas, ainda que pequenas, máscaras) à porta do trem no filme anterior, uma valsinha (mais leve, mais aliviada, mais tranqüila que os violinos que encerra o filme anterior).

A sensação agora não é o desespero. A sensação é o alívio.

Valsarão, definitivamente. Foi tacitamente decidido, definido, definitivamente.

Tanto pelo título, tanto pelo conceito do filme anterior, tanto pela perene ameaça do final vindouro, resistia-se. Mas Celine quebra a regra principal do projeto: “você vai perder o seu vôo”. Um pequeno zoom, close-up nele, que sabia. Ela sabia. Eles sabiam. Nós, no fundo, também.

Definitivamente, usada linhas acima, pode significar que define, mas pode significar algo que não mais se alterará.

Pode ser uma situação que ficou definida (e vai durar), pode ser uma situação que foi definida (foi decidida, vale para o momento). E do final, do depois do final, não sabemos.

E o final nos diz isso. Definitivamente.

Porquanto, por excelência, um filme de amor: de como ele inevitavelmente se instala, de como ele abrange uma combinação de acontecimentos e buscas (ou de todos os elementos) que nutrem a e nascem da sua contigüidade. Da fatalidade com que se consorcia.

De como ele, sempre sob uma aura ambígua, para exigir coragem, instala-se como anseio guia, tal como um anseio vital, de sobrevivência, e obriga a busca oprimindo infelicidade a seus componentes; em suma, de como dá um jeito de fazer com que seus envolvidos dêem um jeito.

Em suma, de como ele inevitavelmente não é evitável.

Au revoir, later

seu marcolino foi ao cinema

2008,maio23,sexta-feira às 4:56PM | Publicado em 2º caderno, critica-se | 1 Comentário
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MYBLUEBERRYNIGHTS

Seu Marcolino, meu avô, nascido brasileiro, mas ainda italiano-salame-vinho, gordão, rabugento, ainda que reconditamente doce (italiano, portanto).

Sempre que meu pai está de mau humor reclamando sem causas claras, minha mãe diz “tá bom, seu Marcolino” ou tipo “a sua chave está ali, seu Marcolino”, “a canete está na sua orelha, seu Marcolino”.

O seu Marcolino (ou o meu Marcolino, tipo o que há de Marcolino em mim, incrustado no DNA e nas estadias na casa do avô) assistiu My Blueberry Nights, de Wong Kar-Wai (aliás, para mim o cartaz e o título brasileiro são spoilers, ainda que pequenos).

 

O bom é que eu não havia visto nada de Wong Kar-Wai ainda e a excelente aula técnica de fotografia do Darius Khondji, a aplicação formal (que algumas vezes ou me não pareceu significar conceitualmente nada (um mero formalismo, portanto) ou somente elementos muito rasos, como personagens misturando-se a seus ambientes ou como a cidade a abstracionar-se em suas luzes, todavia os letreiros do bar sobrepostos às cenas iniciais ficaram visualmente bonitos – mas aí é a fotografia já elogiada), a utilização de elementos do imaginário americano assumindo os aspectos extra-cinema, aplicando elementos do projeto no filme em si, uma atitude de assumir esse hibridismo cultural como choque e pensá-lo, aliados aos lourosjá havidas nesta década e antes em torno deste cineasta deram-me vontade de conhecer suas outras obras.

Mas me não deu vontade de criticar criticamente.

 

Podia até ser tudo ironia, ou um pensar sobre certos estereótipos (o que em princípio invalidaria meu nariz torcido), e à medida que o tempo passa eu simpatizo mais com a memória que tenho do filme, mas, em linhas gerais, os diálogos, as super-atuações, as imagens de câmera de segurança, os fotogramas compondo elipses, parece-me que fracassaram todos, que apenas quiseram chegar lá.

 

Ou seu Marcolino foi ao cinema.

paranoid.park

2008,abril9,quarta-feira às 5:37PM | Publicado em 2º caderno, critica-se | 6 Comentários
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Alex está no chuveiro. Baixa a cabeça. A imagem escurece. A música numa escala crescente intensifica-se: zoom nos seus cabelos banhados. O plano torna-se abstrato. As imagens do azulejo (os pássaros) ganham vida através do som agregado à música, o caos se instala – a imagem (o plano) torna-se ela mesmo o conceito do terror, da paranóia. Uma referência à clássica cena de Psicose (refilmado por Van Sant), embora com outra construção formal: em termos narrativos, ele está apenas no banho, não há praticamente ação nenhuma e não há nenhum corte, ou seja, uma seqüência de feitura diametralmente oposta à da cena do filme de Hitchcock. A referência (não só pela admiração que Gus Van Sant nutre pelo cineasta) é pertinente, pois se trata de um filme de terror, do terror da culpa. Portanto o terror de Alex é íntimo, revela-se mais agudo quando ele está sozinho, só ele e o terror, ele e a lembrança do terror. Assim, se o terror não está nas ações (e quando está Van Sant o filma privilegiando isso, como na cena em que nos é revelado visualmente o acidente através da imagem do homem repartido (um relato visual contaminado pela emoção do protagonista) de forma grotesca, bem como a maneira casual com que nos é mostrado o acidente que o originou o trauma) e sim nos humores da personagem central, não é com a ação filmada, do movimento, tampouco nas palavras, e sim com o tratamento que se dará a essa captação da imagem: as informações não são passadas pelos meios narrativos tradicionais (ações e falas), pois eles não significam tanto numa situação em que a problemática se passa somente na cabeça do protagonista; será passado pelos meios de narração expressiva, e nisso entram todos os elementos do cinema: a fotografia, o enquadramento, o som, a música.

A música: esta se relaciona com o humor da personagem (por isso a inconstância) e com o ambiente, já que esses dois relacionam-se entre si consequentemente. Assim, no shopping a música é alegre, fraternal, como um suspiro de normalidade. Mas logo se torna confusa, intensa, inconstante, irregular, como está o humor do protagonista. Numa outra cena, Alex está andando num cenário tranqüilo: há uma árvore sob uma luz crepuscular, uma praça. Repentinamente a música, que estava igualmente tranqüila, torna-se sombria. Quem nunca teve um problema não resolvido que, uma vez temporariamente esquecido, toma-nos de assalto a mente novamente?

O terror vem da culpa, mas isso não é tão determinado assim. Pois nada é sólido o suficiente nesse filme. As informações nos vêm como as imagens de super-8: são fragmentos desorganizados, mas que têm sua significação. Assim como as lembranças de Alex vêm caoticamente, mas têm sua significação. Se em Elephant Gus Van Sant colava a câmera na nuca de personagens chaves para investigá-las e desse modo simboliza a impossibilidade de transpor seus pensamentos, desta vez o pensamento de Alex é a estrutura dinâmica do filme: os fatos vêm como vêm na sua cabeça, pois o filme é Alex e ele está passando por um momento confuso.

A função do filme, através da união dessas imagens, é organizar tudo o que cerca o fato, como o faz concomitantemente Alex ao escrever a carta homônima ao filme e ao lugar da problemática central da história. É um estudo da ação da culpa, assim como foram estudos Elephant e Last Days: este foi uma investigação da relação de pureza como característica não humana, e portanto uma afirmação de genialidade; aquele, um estudo para provar a impossibilidade de buscar uma causa para um fato trágico, uma verdade.

A montagem fragmentada (em Elephant o conceito e o motivo do título do filme) investiga a partir de alguns elementos desconexos, como o faz o detetive ao querer entender a comunidade dos skatistas: a “comunidade”, que se nega como tal, não dá nenhuma resposta efetiva ao policial, mas a reação debochada dos mesmos já é uma resposta: como as imagens de super 8 feitas não revelam nenhum mistério, tampouco a cena na qual o grupo vem caminhando de frente p/ a câmera: mas têm muita informação – é preciso interpretá-las, ou melhor, inferir conclusões, pois as respostas não virão diretamente e talvez sequer existam: Van Sant não pode afirmar nenhuma verdade, pois tem o mesmo que nós temos: somente as imagens.

A maioria das coisas aqui foram escritas no dia seguinte à sessão do filme. Mas queria organizar melhor. Fiquei com um pouco de preguiça, então deixei as considerações meio soltas mesmo.

nota 9

evidentemente que é relativo isso de notas, mas não aguento a tentação de guardar o 10 para sabe-se lá que filme.

 

…E O OSCAR VAI PARA….

2008,fevereiro25,segunda-feira às 12:57AM | Publicado em 2º caderno | Deixe um comentário
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