sobretudo sob nada

2008,junho19,quinta-feira às 8:19PM | Publicado em crônica, femme, hojes | 1 Comentário
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4ºC em Canoas anteontem. 4 “cê”, 4 centígrados. 1, 2, 3, 4, mais nem um. Lembro-vos que a água (aquele líquido que bebemos um pouco para ñ morrer e muito para viver) congela, vira pedra, vira em cubos uma ferramenta para gelar a própria água com quatro pontos menos. Imaginem no Chile, nos Andes, na Antártida, em Dublin há uns meses atrás.

Os poucos Celsius mudam a paisagem, mas, no caso de Canoas, sob cujo céu durmo e muitas vezes acordo, sobre a qual não neva (mas já nevou na década de 50, segundo os velhos) muda mais a paisagem vetorial, que são os seres, vivos, obviamente, mas também porque não os mortos que talvez durem um pouco mais (?).

Ex.: mulheres. Um padrão se determina: põe-se mais roupas. Umas aproveitam para ficarem ridículas, outras para ficarem capas de revista. Isso se se falasse como o povo pensa, pois é o que os olhares (refiro-me aos olhares de intenções instintivas, ditas más, e não àqueles que tiram das coisas outras coisas que não estão tão evidentes (sim, a poética etc.)). As “ridículas” se parecem crianças, bebês cheios de roupas, empacotados com o CUIDADO FRÁGIL que nem na propaganda antiga. E não raro usam moletons do Mickey falsificado (ou moletons falsificados do Mickey verdadeiro).

E assim elas ficam bonitinhas (que não é feia bem arrumada como dizem, é bonitinha, um bonito não tão urgente de consumação, ou ainda uma consumação homeopática).

Então não só uma questão de invólucros: a beleza está também na disciplina de se erigirem indefectíveis e assíduas numa manhã que começaria só ao meio-dia de acordo com a vontade dos cobertores (um acórdão, pelos comentários hoje foi foda sair da cama das pessoas); há também na insegurança em não sair mais desarrumada, na noção estética da escolha das roupas ou ainda na manipulação das tendências captadas em revistas ou noutras moças. Ou está justamente no ponto contrário, no desprezo a isso tudo, ou numa esfera ainda mais relativa na boa ou má sorte da exceção: não só a de quem não teve tempo e saiu um dia com um ramelo gelado no olho ou um ranho congelado no nariz, como também a da virada para lua de quem resolveu sair bem para arrasar (a partir de) hoje (no caso, naquele dia, dia 17 de junho).

E, claro, sobretudo no que está sob todas as roupas, e em como estas todas sobre ela influenciarão na noção que se terá sobre ela quando ela estiver sob nada (s/ sobre ela que ia ficar bagaça a fu).

Uma orelha não pode ser alterada. E poucas coisas o podem numa mulher, especialmente sem um intervalo de tempo devido, que é o existente entre vê-la com e sem roupa, geralmente. Nestes dias frios, a nudez é como a menor boneca de uma boneca russa, abaixo de vários outros modelitos que se revelam conforme o dia fica menos frio.

Sob nada elas seriam o que são. Sob nada que elas podem guardar surpresas. Pouco muda, neste caso (nesta paisagem), devido ao estado atmosférico: uma veia, uma coloração mais ou menos rosada ou vermelha por causa da temperatura. O que muda é a temperatura mesmo, o humor, e aquelas coisas que os olhares (não os instintivos, não o do pessoal que olha as bundas como eu deixei subentendido com a palavra instintiva umas linhas (quiçá parágrafos) acima) captam. E, voltando ao visualmente, tudo o que ela fez e escolheu antes, pois a nudez só fica nua depois de se despir do que provoca, do que a faz se fazer necessária.

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ico, maLLu magalhães, maria paula

2008,abril2,quarta-feira às 2:17PM | Publicado em diário, gente | Deixe um comentário
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Passo por uma banca quando leio na capa da Caras, ou daquela Quem que é de layout parecidíssimo: “Maria Paula diz “quero ter meu filho de cócoras””.

Muitos posts falando sobre MaLLu Magalhães, informando que ela toca mais de um instrumento, tem quinze anos, faz um som Dylaniano e por causa disso dizem ser um fenômeno.

Canoas – RS pára por causa da gravação do programa Patrola – ao menos o Ico Thomaz está no calçadão com um câmera e dando megafone para as pessoas se manifestarem – descobri que é o tal do “boca no trombone”.

Mas isso tudo não é em tom de crítica (e isso não é em tom irônico): talvez alguém passe e tenha a idéia de ter o filho de cócoras, e daí para se reencontrar com um modo de vida natural não leva muito;

talvez a MaLLu Magalhães simboliza a democracia na mídias dos nem tão novos tempos;

talvez alguém fale alguma coisa boa no megafone e venha a se tornar uma nova MaLLu Magalhães.

Pequeno update de 18/10/2008: vi a MaLLu numa apresentação pela (m)tv. Tudo bem que o Bob Dylan tinha o Woody Guthrie, e ter uma referência é saudável, e mais que isso fundamental ou inevitável, mas a MaLLuzinha imita o Bob Dylan. Não falo nem da gaita, nem do folk (isso seria ainda referência), mas ela lança as pupilas para cima como ele, e às vezes canta olhando para cima que nem ele. Se ela fizer algum sucesso, certo que vai começar a dar respostas sinceras para os repórteres. Ou de repente ela se acha no caminho.

uma coisa mais leve e muitíssimo maior

2008,março24,segunda-feira às 11:49AM | Publicado em crônica, diário | Deixe um comentário
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A sexta santa foi calor. A noite foi daquelas noites que só nela é possível encarar a rua (tal como uma personagem masculina de Machado de Assis que preferia a noite ao dia, cujo conto a que pertencia não me recordo pois havia confundido com Miss Dollar, que li também em 2002, possivelmente), embora durante dia inteiro tenha sido pouco possível ficar em qualquer lugar (aí se inclui a casa) sem esquentar muito.

Ideal p/ aventuras noturnas. Eu imagino na praia, à qual este ano não fui. Sábado o mesmo: mormaço, noite tropical.

E comemorava-se nesta época Cristo morto. Porém nenhum silêncio.

O domingo em si, o dia da ressurreição, foi cinza.

Nenhum barulho.

Cristo está de volta. E volta a melancolia, a reflexão.

* * *

Ontem, fazendo o caminho POA-Canoas, presenciei o incêndio na fábrica de fertilizantes Yara, que segundo a minha mãe era de velas. A fumaça preta já alcançava muitos metros. Claro que deixarei bem claro que não é uma coisa boa incêndio, vai ter problema para muitas pessoas, embora graças a deus (que estava comemorando seu 1975º aniversário de ressurreição) não houve ferido algum, mas essa desgraça toda, poluição causada, isso tudo é horrível etc.

Mas a sensação era a de ver uma nuvem do mal de perto. Era de ver o poder do fogo.

E era fascinante:

uma coisa muito maior, muito mais leve e muito mais poderosa que nós, mexendo-se, no céu.

Tanto que uma porção (talvez até uma multidão) de curiosos aglomerou-se nos arredores do infortúnio.

Hoje faz uns 28ºC e está nublado. Passou por mim hoje no centro de Canoas um cara igual ao Shyamalan, ou ao menos igual (no sentido de “lembra”) a todos os outros descendentedes de indianos.

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