curtas sobre longas

2009,fevereiro5,quinta-feira às 9:07PM | Publicado em 2º caderno, critica-se, hojes | Deixe um comentário
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Atrasado: mas eis, num balanço geral e resumidíssimo de 2008, as obras-primas daquele ano que se foi, ou, para ser mais blasé, indicações (a ordem é para o caso de o mundo acabar e você poder assistir a somente um deles):

1) PARANOID PARK, Gus Van Sant [crítica]

2) THE HAPPENING (Fim dos Tempos), M. Night Shyamalan [comentário]

3) NO COUNTRY FOR OLD MEN (Onde os Fracos não têm Vez), Joel & Ethan Coen [comentário]

4) I’M NOT THERE (Não Estou Lá) (sobre este falarei uma hora destas, não gostei de algumas tomadas didáticas usadas para refrescar a memória de quem assiste, mas a reflexão sobre imagem artística/ personalidade, ou referência e referente, já o deixo suficientemente interessante para constar como uma boa indicação do ano passado).

E sobre 2009, comecei (no cinema) com O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON. A única chance que eu dei p/ o filme (atenção: pequeno spoiler) foi na cena do atropelmaneto, na qual a sequência então concluiu-se sabiamente sem mostrá-lo, exibindo o que poderia ter sido, embora já estivéssemos consciente do que realmente foi. Um belo recurso para mostrar a fatalidade, mostrar como não se pode voltar atrás, mesmo que se envelheça para frente. Mas aí, eles mostraram o atropelamento depois, para deixar tudo no seu lugar e assim. Pior que isso só o beija-flor ou o epílogo publicitário. É mais ou menos assim, se Patch Adams e Em Buscar da Terra do Nunca lhe agradaram, há mais chances de você gostar deste Curioso Caso de Benjamin Button.

Eu até tentei achar algum trabalho na relação imagem e conteúdo (um velho com um corpo jovem), mas isso não foi explorado pelo filme, dado que sua espinha se dá toda na sua proposta que, para além de ter se originado num conto de Fitzgerald, é também algo que todos já imaginaram. E é mais ou menos assim: se você abre mão da realidade (ou o compromisso com a realidade, já que cinema é sempre ilusão, é uma referência) você tem de ser responsável com isso (lembremos por exemplo do belo Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças). Quanto a Brad Pitt, já reconhecia alguma qualidade como ator (especialmente em Babel) e agora com o auxílio da maquiagem (já que “a academia” vê em transformações grandes méritos (vide estatuetas de Nicole Kidman narigudo, Charlize Theron monstruosa, Daniel Day-Lewis (será que eu tira o hífen?) deficiente físico, Hilary Swank homem, Marion Cotillard feia etc.). Até porque o Oscar, como as listas de 100 essenciais da Bravo, como a maioria das análises da Veja, Istoé, Folha de S. Paulo, Zero Hora etc., são distinções críticas destinadas ao grande público (o que deixa a função crítica num meio termo, numa versão light).

Caso alguém aí tenha visto o filme (ou somente de pensar na sua proposta) ou lido o conto, divido algumas reflexões sobre tempo e sobre velhice com alguns textos:

Idade Contemporânea

Da Graça das Coisas

Por fim, um texto de Luiz Carlos Oliveira Jr., sobre a sutileza ter sucumbido ao grito mais alto.

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lua vs. sol: a cor, o signo, o tigre

2009,janeiro16,sexta-feira às 8:07AM | Publicado em 2º caderno, bobajada, diário, hojes, joão-lírico | Deixe um comentário
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Áries vs. Libra, respectivamente meus signos de lua e sol no mapa natal, numa batalha típica (portanto épica) de cavalheiros, entre cavaleiros dourados: sentimento kamikaze no ar num céu de fogos de Copacabana.

E meio casca de ovo meio hulk surge o mestre, rasgando a fantasia do passado de pele roxa e, após 243 anos revela a paleta tatuada com um tigre para permanecer uns 4 minutos na série, mostrando que tem uma cosmo energia fantástica, que nos faz sempre pensar ser cada capítulo o último, cada cavaleiro o melhor.

Clique na imagem p/ ver o vídeo.
Talvez o mundo seja filosoficamente solipso, tal como me surgiu uma vez em meados de 2004/5 s/ estudo algum, e seja nossa criação, e este pequeno momento um nó de concentração, uma a reprise de uma(s) epifania(s), um Vale a Pena ver de Novo motivacional, um brinde do acaso, que tagueou os últimos posts todos.
Mas o signo, a cor, o tigre…
Embora meus cavaleiros de ouro favoritos, entanto todos sejam massa, sejam Escorpião, Touro, Gêmeos, e os golpes o pó-de-diamante e o metóro de págasu, exclusivamente pela coreografia que os antecedem, então isso tira a responsabilidade do Saint Seiya em si para abstracionar-se, para virar justamente aquele momento: a cor, o signo, o tigre.

stª tartaruga, donatela/ breve crer ou ñ crer

2009,janeiro13,terça-feira às 2:23PM | Publicado em 2º caderno, bobajada, cnvrg^nc, hojes | 5 Comentários

Voltar a começar a tocar violão> música> a beleza que a música pode e como causar> what a wonderful world> de chorar, de fundar um século> lembrei dela na voz do vocalista da banda mais importante desde os Beatles> ela, naquela voz, apareceu na propaganda da Coca> Beatles, Coca, Ramones, www este e o milênio que passou, que é onde vivo> acaso> que mundo maravilhoso

A questão é acreditar ou não em Deus. Ou e/ ou.
Quanto à existência, às vezes me parece que as provas de não existência é que são provas de existência.

Mas uma coisa eu sei. Ou, ao menos, desconfio.
Donatela é a verdadeira assassina. Salvem a flora.
Eu já vi ela (a Dª Tela) cometendo assassinatos num outro filmizinho aí.

donatela a favorita

Sta. Tartaruga, Donatela.
O que as suas companheiras Rafaela, Leonarda e Michelangela irão pensar?

Michelangelo nos leva à criação de Adão, e isso nos leva novamente a Deus e ao início do texto.

SOBRE DEUS: SOBRA P/ DEUS OU SOB DEUS?

Transcrevo abaixo meus últimos comentários no texto do Daniel Lopes no Amálgama (leiam lá p/ acompanhar a discussão, mas transcrevo aqui porque às vezes os links se perdem):

Este assunto é polêmico demais porque qualifica qualquer pessoa para o debate. Intelectuais, atletas, padeiros, mendigos (vocês entenderam), todos têm alguma consideração/ opinião sobre Deus, é um assunto que cabe a todos (vocês já entenderam).
Então é preciso restringir para isso aqui não se tornar um fórum de debate sobre a existência de Deus sem que seja considerado o que o texto principal (neste caso, o do Daniel) nos trouxe.
E o texto original do Daniel (bem complementado por todos os comentários que li até aqui) fala da questão da invisibilidade de Deus. E aí que as pessoas se separam (sem mal algum nisso): alguns crêem que têm de ver para crer, outros crêem que têm de crer para ver (sem conotação silas-malafaia alguma nisso, apesar do verbo crer em vez de acreditar). E este é o ponto de liberdade, o ponto de mistério, o ponto que ninguém pode dizer qual é o certo, o ponto “cada um, cada um”.

Mas precisamos ter cuidado com a prioridade que damos à lógica. Se falarmos em lógica, falaremos em razão, e razão leva a iluminismo, e iluminismo leva a modernismo e isso leva a pós-modernismo que me lembra que toda essa utopia moderna caiu, foi insuficiente. A razão é insuficiente. Serve para muitas coisas, mas não tem a complexidade que a vida tem. É um erro achar que a lógica é melhor (pior tampouco) que a intuição.

Discutimos, discutimos e paramos no ponto do mistério. E alguns tratam o mistério com lógica, outros com intuição.

A igreja católica é um gigante associação de bairro, a favor da família moralista.
A universal é uma competente empresa de auto-ajuda, mas que se estraga na hipocrisia ao usar o nome de deus (embora talvez por isso somente o seja).

Mas isso não é Deus, isso é religião. Ou associação, entidade etc. Então, nós podemos não acreditar em Jesus, em pecado, em destino, em inferno, mas isso não é Deus.
Podemos discutir tudo isso, pois isso é história, antropologia, psicologia, ciência além de um excelente exercício filosófico, mas o que discutimos são CONCEITOS DE DEUS. Na essência, somos incompetentes para dizer se existe ou não, pois esbarramos sempre num índice (paradoxalmente cada vez menor e cada vez maior) de mistério.

Caso exista Deus, ele (ou Ele, enfim) pode (e mais que isso, deve) não ser nenhum desses aí. Deus é um nominho que nós usamos para o mistério (o invisível).

O mistério é mistério, cada um usa como quiser.
Pode-se desprezá-lo e ser dono da própria vida. Ser auto-suficiente.
E a auto-suficiência é útil.
Ou pode-se acreditar em coisas além do que já se sabe e ter fé.
E a fé é também útil.

***

O fato de uma coisa estar provada cientificamente não tira seu fascínio. Talvez Deus explique a ciência e não o contrário.
O azul é azul por causa de raios luminosos, a física explica. Explica. Mas o azul já existe. O azul ainda é azul, ainda é fascinante.

Acho que o caso do cientista, Ju, embora não conheça, não é de filho drogado não.
É de fascínio. A inteligência de todas as coisas associadas, a vida (na mais abrangente complexidade da palavra) e seu sistema, o tempo, todos são fascinantes, justamente por usar das imperfeições para não deixar tudo exato. Perfeitas são as máquinas, que homens inventam. A natureza não se rebaixa a essa simplicidade. A natureza (a vida) é inteligentíssima.
E quem quiser chamá-la Deus não fará mal a ninguém.

***

Bem, um comentário breve, já que são pensamentos breves, até porque este assunto rende(ria) muito.

Antes, o Peterso falou uma coisa importante, a questão de nomear. E depois (mas antes de mim) a Adriana falou “(…) é um desastre, mesmo com tantas maravilhas”.

Isso já basta. Eu apenas uso estes dois comentário anteriores para dizer que para mim o absurdo está na pergunta ainda ser feita. A igreja católica é algo mais que religião, é uma entidade sócio-política até, não vale usá-la para debater Deus. E os ateus (ou muitos deles) dizem que não há Deus só porque ele (ou Ele, enfim) não é bonzinho, não deixa tudo mastigado e não dá paz para todo mundo.

Só na confusão de achar que um deus-mais-novo-testamento deveria agradar a todos para sê-lo (ou sê-Lo, enfim) e da interpretação bruta do que era para ser uma alegoria (o velho testamento) já se tem muito tempo a perder.

Se dermos uma voltinha no oriente ou mesmo ouvir certas pessoas s/ cultura e com um tipo de fé particular, teremos pontos de vista tão importantes quanto estes vindos do exercício filosófico que é debater esta questão.

Mas já que falei em exercício, vim aqui mesmo para comentar a forma da coisa, do escrever em si, já que um comentário serve bem para isso. E seu texto está bem escrito, deu conta do recado neste pequeno espaço.

involuntários [cnvrg^nc nº i]

2008,novembro12,quarta-feira às 9:53AM | Publicado em 2º caderno, caderno de esportes, cnvrg^nc, critica-se | 5 Comentários
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Genio es personalidad con dos duros de talento Picasso

Talento é paciência sem fim Gustave Flaubert

Gênio não é mais do que uma grande aptidão para paciência Buffon

Precisei trabalhar muito. Qualquer pessoa que trabalhar como eu pode chegar onde cheguei Bach

Genius is one percent inspiration, ninety-nine percent perspiration Thomas Edison

Beethoven já é mais generoso com o talento, aumenta em ponto percentual (o que talvez se neutralize com a margem de erro):

O gênio é composto por 2% de talento e de 98% de perseverante aplicação Beethoven

Mas aí temos Glauber com uma idéia na cabeça sem a câmera na mão:

A arte não é só talento, mas sobretudo coragem Glauber Rocha

Quando vi o Tcheco na capa gaúcha da Placar senti uma atmosfera de melancolia, no Tcheco feliz, na camisa tricolor, em mim, de que perdêramos a chance não na afobação do Figueira, mas durante o 2º turno todo e aquela cereja estragada tiraavante gremio tricolor

ndo o gosto de todo o bolo.
Mas no fundo, e o fundo compreende silêncio, imaginava uma coisa assim para ser como sempre é. A Geral apóia o tempo inteiro, os corneteiros largam a toalha a cada resultado não cumprido, mas em silêncio todos tinham fé na vitória contra o Palmeiras.
Jean, a última hipótese, foi um herói, até com o sacrifício no final, de expulsão pelo bem maior. As estréias todas seguras. O Grêmio seguro. Segure-se, São Paulo FC.
Tcheco precisava apenas acertar o gol, não importava a força, nada. São Marcos, íntimo de Deus, não fez nada: tinha de ser assim, ordens do patrão.

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Involuntariamente (ou Sean Penn foi muito sutil) Into the Wild encontra-se com Grizzly Man. Primeiro pela relação romântica do homem com a natureza selvagem ter um epílogo de falência ante ela: o homem quer se inserir na natureza e é consumido por ela. A natureza selvagem não é para homens. Até pela impossibilidade de ser completamente selvagem – o homem é homem por dominar a tecnologia, sem ela torna-se uma impossibilidade; o homem é homem por estar num processo contínuo de afastamento da selvageria.
Sean Penn romantiza seu personagem real, Herzog o desmistifica.
E aí temos o involuntariamente (ou sutileza) do encontro. O registro que temos das duas personagens é autobiográfico (direto, em Grizzly Man, e servido como base para pesquisa, em Into the Wild).
O destaque dado à frase Happiness is only real when shared dá a este último filme um status de cumprir a missão de Supertramp, mas involuntariamente denuncia que a história contada para ser lida é bem diferente da apenas contada.
É – para além das questões de homem inserido na natureza pura – um pensar sobre a construção de uma auto-imagem [há alguns bons textos de Ana Maria Mauad sobre o assunto relativ
amente ao Brasil e à história de sua sociedade].

Werner Herzog não tocou praticamente em câmera alguma, pois usou o material do próprio Timothy Treadwell; já no filme de Sean Penn temos um capricho na produção, um virtuosismo na fotografia, sendo utilizada como linguagem em muitos bons momentos (destaco a imagem em que ele confunde-se à plantação, sendo que a única coisa que o identifica é o modo de se mover, como se o caminhar (usaria andar, mas pareceria incêndio) estivesse isolado (por isso incêndio: “andar isolado”), até sumir na natureza (plantação)). Mais que umas imagens bonitas, é a fotografia em prol da linguagem, o que já não é (ou nunca foi) mérito por si só, em Miss Sunshine (uma espécie de comédia independente americana pré-fabricada) há uma cena assim em que a família ao fundo fica pequena e que os membros da família permutam no primeiro plano (numa relação de espaço captado semelhante à cena em que Alex/Chris está no topo da montanha e seu amigo velho mais abaixo). Ou seja, este recurso já é domado pela indústria e pela indústria de fazer filme com cara de independente, de arte. Ou seja, o cinema é mais que a qualidade das partes.

Mas ainda assim tem outras utilidades que escapam a seus feitores e conhecedores e pode-se utilizar o filme para outra função que não apreciar cinema, e usar assim de toda a idéia (Thoreau, Rousseau, paz & amor, ecologia) embutida no filme, tal como o rosto do ator se utiliza do personagem ou às vezes o contrário (Gael Garcia Bernal colaborando com o quê pop de Guevara).

O exagero observado pode ser dosado por quem não exagerou (tipo calibrar o chute ou um pneu sem o pré-estabelecimento de pressão no painel digital dos postos de gasolina atuais).
O exagero é útil.

E há de se usar um filme que não se gostou para não contabilizar nenhum tempo perdido (ou um tempo que não mereça ser contabilizada para o caminho para a nossa morte).

Mas agora refiro-me a outro. Acabei não sei por que assistindo Em Pé de Guerra. Fa-lo-ia em pé de guerra, mas usei meu otimismo para ver alguma coisa, já que a tentativa de usá-lo para não chamar ruim um filme sem pensar a relatividade dos adjetivo

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s: nalguns casos a dureza funciona melhor que a auto-ajuda, que a motivação, a aceitação, pois todo sabichão percebeu que por trás das piadas de sempre o Stifler melhorou por causa do homônimo do original e seu rival mr. Woodcock e os que tiveram a vida mudada pelo seu livro estavam como sempre – blá blá blá e ha ha ha pejorativos.
E o principal: tentar determinadamente resolver um problema dá nalguma coisa, dá numa solução, que pode não ser a solução do problema original, mas será uma solução original.

Algo como aquele filme O Mistério da Libélula – parecia estar resolvido, mas ainda havia no que remexer.
Um problema resolvido compreende satisfação, não aceitação.
A noção de catarse, orgasmo, alívio, eureka e coisas do tipo é indubitável.
É algo – numa certa medida – abrupto (em relação ao antes).

DETERMINAÇÃO, DETERMINACIÓN, DETERMINATION

Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo para vencer é tentar mais uma vez Thomas Edison

Cézzane teve sempre muita insatisfação em relação ao seu trabalho. Mas passou a pensar no resultado de sua pintura e passou assim a pensá-la diferentemente: abriu a linguagem dela para que todos pudessem explorar; Oswald de Andrade tinha dificuldades de escrever em métrica e se encontrou (mais que isso assumiu a causa) plenamente no verso livre; Van Gogh pintava daquele jeito meio no instinto; Garrincha, segundo ele mesmo (e talvez tenhamos aqui outro exemplo de construção de auto-imagem) dizia que ia para linha de fundo porque era fácil, nem sabia que era uma boa jogada; para que aprender a tocar se dá para fazer som com três notas? E temos Ramones olhando olhos nos olhos dos Beatles, do Pink Floyd.
Todos eles (numa visão simplificada) determinaram-se e fizeram de sua forma (mesmo incompleta, suja, nonsense, insuficiente) uma fôrma.
Há umas confusões na hora da direção tomada, mas talento nenhum é voluntário. Trabalho é outra coisa, neste sim se pensa. E assim que às vezes da nossa falta se faz um estilo.

E aí temos a estética desse ex-rapaz abaixo:

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As coisas viram cult. Eram nada demais, mas tomam, fora de seu contexto (o problema original, solução original) outra dimensão.
Como este movimento já enfadonho de trash voluntário caseiro.
O visual de Carlos Zéfiro/ Alcides Aguiar Caminha é atual. Foi até usado como capa para a Marisa Monte. O tosco com letras toscas hoje é buscado intencionalmente por designers (vide MTV) e realmente é um belo elemento para releituras. Carlos é mais uma vítima do retrô e evidentemente não falta quem já não economiza a palavra gênio.

Em sua obra desfilam termos da mais alta qualidade bagaceira, como grelhinho, racha, pirosca, numa atmosfera de vagabundas adormecidas em mulheres castas, à Nélson Rodrigues e à A Vida como Ela é no Fantástico, no qual a mulher é vitimada pelo próprio desejo, e daí se tem um universo de chifres, incestos e todas estas coisas proibidas que nos excitam tanto (porque as personagens são sempre objetos sexuais e isso não sabe de moral nenhuma, sabe-se somente de conceitos que os isolando os fortalecem).

As personagens às vezes mudam de rosto de uma página para outra e às vezes não estão bem de acordo com a situação. Muito provavelmente (não pesquisei a respeito) deve haver decalque de quadrinhos da época, como um advogado que parece clark kent, algumas marylins e posições de prazer com rostos de peças publicitárias.

E no meio da bagaçada toda rola (termo este usado com outra conotação por Carlos) uma palavra de amor:

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O hentai brasileiro honra antropofagias e é bem brasileiro mesmo, malandro, vagabundo, mal-feito.

Se eu tivesse 13 anos isso me seria muito útil. Mais eficaz que coisas produzidíssimas como as Pegadoras que se utilizam de moças reais. Porque no conjunto de suas insuficiências, exageros, licenças poéticas, anonimato, Carlos consegue uma coisa que a libido gosta bastante: promiscuidade. Porque o Milo Manara é harmonioso demais. Zéfiro põe as coisas como os meninos imaginam. É preciso ser mais sujo, mais exagerado, mais podrão.
O exagero às vezes é útil.

E, afinal, sempre se tem 13 anos embutidos nos outros mais que a gente põe na idade quando preenche um formulário.

[Pequeno update em 14/nov: mais um belo exemplo de talento involuntário para comédia e/ ou vítimas do retrô (ou de como este pessoal sem querer cria uma estética e humor originais), leia-se festas balonê e shows do Sérgio Mallandro lotados, enfim, vide alguns clipes do Fantástico resgatados por A. Inagaki] Quando tiver algum material para voltar, volto aqui e faço uma atualização linkando, para o caso de quem parar aqui buscando “carlos zefiro” ter na imagem acima um link para um bom site com seus catecismos e uma utilização minha para eles. Nada demais, uma coisa que até Rappin’Hood fez com Disparada do Vandré, que até o Gabriel (, o) Pensador fez com aquele disco que tinha aquela bela música Cachimbo da Paz (música do meu verão 98 (ou 99)), para citar tão somente os que não impressionam ninguém, pois a colagem (seu conceito, em verdade) é exaustivamente utilizada desde o cubismo e olhe lá.

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Aprofundar-me-ei mais além (porque no futuro e mais epistemologicamente – ou outro advérbio mais bem cabível) também nos textos de cinema e sobre o talento. Eles estão na cabeça, mas é muita coisa para escrever. Eu tenho um problema sério – que talvez tenha de canalizar para outras maneiras de expressão, como a música – de não terminar algo por sempre querer acrescentar algo. Então, como dizem tantas quotes, abandona-se. Por ora, isso.

E valho-me de novo e novamente da utilidade não-cinema de um filme:

Rather than love, than money, than fame, give me truth Thoreau

Num ponto de vista de relações humanas, a sinceridade pode ser cruel como a natureza, mas no fim é do que precisaremos e talvez nossa única saída.

Se eu tivesse 13 anos este vídeo teria grande utilidade.
Spears tem uma maneira bastante clara de ser sensual da cintura para baixo.
Eu valorizo muito as panturrilhas delicadas, mas um exagero às vezes é útil.

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Quem caiu aqui na busca não se preocupe, todas as fotos dão no mesmo vídeo, aliás, minha divulgação será importantíssima, posto que até a 1h21 de ontem (já hoje, no caso) ele havia sido assistido apenas (dispenso aspas, vós entendereis tratar-se de ironia em breve com o número a ser exibido agora) 11151269 de vezes (Ctrl C Ctrl V direto do TuTube para a precisão da estatística).

Eles não deixam to embed, mas no wordpress basta pôr .
Então embeba-se dela:

Ouça no volume mínimo.

Se tivesse uma parede na linha certamente a bola bateria nela. Porém é bom lembrar diretamente do germe do futebol brasileiro a pelada, o bater uma bola, o futebolzinho, daquele argumento que todo mundo usa quando a bola sai, mas a jogada é bonita, ou o time inteiro quando perde a partida: a bola tem de sair inteira. E tem mesmo. Então se a parede fosse no lugar exato onde a bola encostaria já estando fora da linha toda, acho que ela conseguiria passar bem rente à parede.

Pensava eu tratar-se de um escanteio, jurava que era, mas a bola foi lançada antes da linha do pênalti. “Só com elástico, Arnaldo”. É fisicamente impossível não digo, mas que é difícil é. Na sabedoria popular revelada pelos comentário, esta dádiva de hoje em dia, um rapaz chamado flyingvkusanagi falou em vento, outros defendem Galvão, outros comparam com gol olímpico… com isto concluo que Galvão estaria apenas vagamente errado, ou galvaobuenicamente errado, que é desprezar a hipótese de erro e achar-se certo em absoluto.

Galvão, involuntariamente, junto com o casal-âncora Sandra Anemberg e Evaristo Costa, é uma das grandes comédias da televisão brasileira. E para ser imitado, para ser visto no original mesmo. Não é um Sílvio Luiz, que sabe o que faz e que, reservada a contrastante proporção (que talvez já está implícita e contida na medida entre um narrador e um jogador) o garrincha dos narradores, com coisas como “tá todo mundo segurando o tchan”.

Quanto à afirmação física de Galvão, parece-me que ela se baseia quiçá na concepção de uma gravidade material/ visual de Einstein (o exemplo do sol num colchão e os planetas se aproximando a ele através da curva), ou na física quântica, ou do livro “o Segredo” (o jogador queria tanto a bola que ela voltou).
Mas o tira-teima procura, procura…

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Para quem ficou com dúvidas, aprecie o humor de seus colegas da Globo (e o pessoal que ficou no lugar do Roberto Marinho ainda paga o Casseta & Planeta):

O jornal Hoje já é comédia involuntária ao atender o aposentado sério, o pessoal que almoça em casa (como eu) e a dona de casa ao mesmo tempo, mais ou menos assim:

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2008,outubro3,sexta-feira às 3:01PM | Publicado em 2º caderno | 3 Comentários
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VMB08: MTV ACHANDO QUE ESTÁ SURPREENDENDO/ MARCOS MION DANDO UM JEITO DE APARECER PELADO/ MÚSICOS BRINCANDO DE HOLLYWOOD/ CHATOS QUE NEM EU CRITICANDO UMA COISA QUE É PARA ENTRETER/ UMA COISA BEM BOA: TIRARAM ALGUMAS ESCOLHAS DO POVO PORQUE ELAS DAVAM SEMPRE NO MESMO.

Colisorzão de Hádrons 2.0

2008,setembro15,segunda-feira às 9:40AM | Publicado em 2º caderno, bobajada, gente | 2 Comentários
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Dessa vez maior: 40 km de largura. 78 anos de feitura. Um projeto guardado em segredo por anos.
Mobilizou toda a comunidade estelar: várias celebridades que, embora não saibam por que estão ali, ganharam um ingresso vip e curtem o evento do ano com alegria e descontração.

 

No centro do debate (ou na intermediária, porque no centro estão os flashs e os mais sexy do ano), e da máquina, a cabeça: investigar os mistérios da cabeça – pois, como no espaço, a maior parte do espaço é vazio.


10¹ KB de memória para acelerar as partículas à meia-luz: a colisão do tico e o teco.
Para ver se eles se cumprimentam, dão dois ou três beijinhos, comentam do tempo e decidam fazer alguma coisa juntos.

palavra.imagem.pele

2008,setembro5,sexta-feira às 3:44PM | Publicado em 2º caderno, hojes | Deixe um comentário
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No Jô, ontem, três mulheres: uma linda, outra linda e outra linda: lindas.
Deu-me curiosidade.
Lançarei uma metáfora bagaça (brega) para explicar: plantar curiosidade é um dos adubos da beleza da mulher, como se a mulher fosse a terra do que planta (até não ficou tão brega).

Isso vale para tudo, mas neste caso considero o corpo. Ou melhor, considerando que o rosto faz parte do corpo, e assim sorrisos e olhos, a imagem, da curiosidade ligada à imagem (por isso o vestido é um das intervenções mais inteligentes na nudez).

Elas deram seu endereço na web.
Fui ao endereço.
Havia um banner delas no Paparazzo.
Fui ao Paparazzo.
Elas já estavam lá, todas, semi-nuas.

Se cedermos ao virtual e somente isso é tudo tão, tão fácil.
Mas a resposta do que é fácil é proporcional ao esforço.
“Oi, meu nome é João, sua panturrilha é tão bonita que eu moraria com ela” no virtual vira um comentário, na vida real não é bem assim. Aí de devermos aprender alguma com a gentileza do mundo virtual.
Mas não é isso: a imagem é somente a imagem e não o que representa, assim como a palavra é só a palavra, e não o que representa: porque o modo de mandar até uma cantada (que já é algo estranho) meio estranha (mais estranha ainda) é o determinante. Porque não são as palavras, mas a voz, a entonação, o momento, assim como é o cheiro, a pele, o movimento: claro que a ossatura (a imagem, as palavras) estruturam isso tudo, são um projeto – mas realizar relaciona-se a construir.
Porque mais que isso é o que damos ao que vemos – e aí entra nossa imaginação preenchendo o espaço que o virtual oferece. Levanta que eu corto, cruza que eu cabeceio, passa que eu chuto, alça que eu enterro.
O gozado (olha o abuso de frases com sentido ambíguo para cabeças maldosas (na conotação de mau tipo “dogão é mau”)) ainda é a permuta de funções: no caso da palavra a imagem pode fazer um papel de realização e a influenciar: voltando ao infame exemplo de cantada: muita mulher por aí ia se o Chico dissesse “tu é sempre assim ou tá fantasiada de gostosa?”.

Enfim, muita filosofia sobre o mesmo de sempre, então paro já.

***

es.tro¹
sm (gr oístros)
1. Entusiasmo artístico; veio, gênio, inspiração.
2 Época em que a fêmea está pronta a receber o macho.

oestrum/ oestrus/ estrus
sm
1. a regularly recurrent state of sexual excitability, heat.
2 inspiration, poetic inventiveness, talent.

Estro²
sm (gr oístros) Entom Gênero (Oestrus) de moscas no qual se inclui Oestrus ovis, espécie cujas larvas se desenvolvem normalmente na cavidade na¬sal dos carneiros; originária da Europa, intro¬duziu-se no Brasil.

oestrus,
do latim: abatão, a mosca das bestas (segundo meu amigo Filipe Rosseti, estudante de muitas línguas), aquela que pica e os bichos ficavam nervosos. Alguns dizem ser tão somente a mutuca.

***

Expointer, touros-riconceronte, porcos mansos, pessoal pegando trem na Luiz Paster a fim de evitar a estação Esteio lotada.
Um homem de gravata na TV dizendo que a pele da chinchila (que é muitíssima mais densa e macia que o cabelo humano – especialmente em relação ao meu – li na Wikipédia) é a mais valiosa do mundo, além de ser muito durável e reconhecível de longe…

E sabe no que a pele da Chinchila fica linda?
Na Chinchila.

***

Aquela coisa, né: as pegadoras (não porei isso de tag para não receber um ibope que não mereço), usando só uma pele de chinchila, dizendo pro Chico “dá para jogar uma bolinha de gude com esses olhos?” ele ia.

***

A pele na origem, a palavra na origem, a imagem na origem:
A palavra na imagem: a imagem na pele.

A mosca na velha, a velha a fiar.

amor e grande amor

2008,agosto25,segunda-feira às 7:41PM | Publicado em 2º caderno, gente | 5 Comentários
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O ator James Marsden é o ator daquele papel daquele cara que é foda, mas que se depara com um concorrante mais foda que ele. Seus adversários são feitos de aço, de adamantium, de descobertas adolescentes.
Ele é o homem comum que perde para o homem de cinema, mas que é uma opção mais segura que a aventura de cinema. Realidade e fantasia. Proibido é melhor etc.
Ou, nestas lições que o cinemão exagerando nos dá, a diferença entre amor e grande amor.
O verdadeiro, o cotidiano, a luta diária vs. a fantasia, o sonho, o que poderia ter sido.

Filmes: X-men, Superman, The Notebook.
Personagens: Jean Grey (Famke Janssen); Lois Lane (Kate Bosworth); Allie Hamilton (Rachel McAdams); Superman/ Clark Kent (Brandon Routh); Wolverine/ Logan (Hugh Jackman); Noah (Ryan Gosling); e a parte mais fraca do triângulo: James Marsden (Ciclope/ Scott; Richard White; Lon Hammond Jr.).

u de utopia

2008,agosto12,terça-feira às 3:39PM | Publicado em 2º caderno, critica-se | 3 Comentários
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O logo logo no início do filme já diz a que o filme veio. É a marca do Batman, está no céu, mas não é tal e qual como conhecemos: este logo do cinema está para o logo do quadrinho assim como o logo do quadrinho está para a imagem de um morcego em si. É uma referência, uma citação, uma inspiração, um conceito, mas é outra coisa, uma coisa nova que, por dentre as nuvens, quase imperceptível, abre o filme sombriamente.

Não é como a esfera amarela que encima a página 40 do primeiro álbum da minissérie Cavaleiro das Trevas, porque estamos numa sala de cinema e o que vemos é cinema. E Batman mesmo é quadrinho, é capa azul, cinto amarelo, uniforme cinza. O Batman fica negro por causa das sombras, não carrega o negro no uniforme.

Sempre é necessariamente uma adaptação toda obra que vira filme – na literatura tanto quanto, por isso é preciso desprender-se do original – a linguagem é outra, e a equivalência da obra não deve estar no conteúdo e sim na maneira como usa da linguagem (por exemplo, eu imagino que o filme La Mala Educación, do Almodóvar, teria alguns recursos parecidos com o livro Budapeste, do Chico Buarque). Porém geralmente o caso dos super-heróis é mais linear: a comparação se dá na narrativa mesmo, no conteúdo, porque o super-herói em si é um conceito narrativo a ser explorado, é uma descrição (argumento) a ser materializada.

Então há sempre uma adaptação mais aguda (em verdade, no caso dos super-heróis, esta adaptação é algo mais superficial do que falava (não num tom pejorativo), como já havia mais ou menos dito ao usar a palavra linear linhas acima) quando se busca realidade. Do contrário, ou temos a coragem visual de Burton ou, claro, ao seu tempo e à sua proporção, o real enquanto realidade de cinema, como no caso do clássico Superman de Donner.

A atuação de Health Leader teve um impacto tão grande por aí que ele até morreu para mitificá-la (agora é um saco ficar ouvindo “o Coringa roubou o filme” – mas a crítica popular deve ser desprezada, caso contrário daria para escrever um livro só para odiá-la). Diverti-me muito, especialmente imaginando a versão brasileira. Mas nada que me levasse a escrever compulsoriamente, como noutros casos.

Bom, este blá-blá todo é porque vi V de Vingança. E não foi no Sistema Brasileiro de Televisão, pois deu anteontem, eu havia assistido uns dias antes.

Chicago, ou melhor, Gotham City, precisa de um herói com face, diz Batman. Mas um herói com face é humano, e portanto não pode ser herói. Um herói sem face é o que temos em V de Vingança. E um herói cuja face pode ser de todos, por não ser a dele.

Sempre falo das metonímias do cinema, como disse aqui, de algum elemento fílmico (que toma de empréstimo tantos outros: palavra, imagem, movimento, som, teatralidade etc, e, às vezes, a convergência destes) que resuma o filme todo.

E temos a cena acima. Resume não só o filme todo como a própria idéia de revolução: Evey beija (uma concretização), mas beija a máscara.

A revolução é um cheiro que nos faz comer algo que não tem semelhante gosto.

Ela fala no homem e na idéia, e ela beija a idéia, pois não pode beijar o homem, que em verdade ela nem conhece, que em verdade não importa. Ela beija a máscara a qual cabe a qualquer um (a idéia) e isso é explicado verbalmente já no início da fita e novamente no fim, sem que fosse preciso (as pessoas (todas, até as já mortas) retirando suas máscaras no final. Assisti sem ter lido o gibi e neste filme também não escreverei criticamente – como o fiz no lugar que foi linkado antes – porque o que li a respeito já me foi suficiente, não tenho a acrescentar. Mas do recorte dele (independente das diversas camadas das quais se originou), esta bela cena resume a utopia da revolução: V era uma paixão intangível para Evey, mas a paixão dela a fez se mover.

E no fim de tudo Batman é bat, simplesmente.

olimpíadas

2008,agosto11,segunda-feira às 7:44PM | Publicado em 2º caderno | Deixe um comentário
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A voz do Álvaro José é a voz dos jogos olímpicos. Porque é a voz dele que passa as coisas que a Globo não passa. As coisas que não têm Brasil no meio, que não são suficientemente populares para romper a grade da Globo. Que são as coisas que me fazem lembrar que estamos numa olimpíada. E a voz dele é uma coisa que me lembra olimpíada. Ou Michael Jordan. E também porque ele (o Álvaro, mas o Michael evidentemente também) manja muito.
***
As olimpíadas nos fazem olhar ao seu país sede, e nos faz olhar coisas que já olháramos, mas nos faz olhar novamente. Como o Kung Fu, a muralha, os pandas (perdoem-me os que por busca de “Kung Fu Panda” pararem aqui). Ou eu simplesmente recebi um e-mail sobre o pós-terremoto com fotos de pequenos pandas-gigantes.

Os pandas não se parecem pandas; parecem crianças vestidas de pandas.
***
Os separatistas, como os clientes, sempre têm razão.

***
Ou é impossível fazer um urso de pelúcia de um panda.

p.s.: recebi essas imagens por um correio eletrônico.

faltou o robin ou versão brasileira

2008,agosto11,segunda-feira às 7:07PM | Publicado em 2º caderno, bobajada | Deixe um comentário
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Não a v. Herbert Richards, a versão brasileira mesmo, com brasileiros.
Orçamentinho estourado, fantasia da Renner ou senão da Ughini ou Courolândia Couroesporte.

Hipótese 1

Bruce Wayne: Marcos Pasquim (ou qualquer outro da linhagem dos Raís – pois todos sabem que estas personagens se enraízam no Raí da Quatro por Quatro, a de 94, do Carlos Lombardi, que é um cara mulherengo, bom de briga, bom de bola, órfão de pai, que no fundo é sentimental, que ama verdadeiramente uma mulher somente, que fala “isso eu fiz só pra tu”)
Rachel: Daniele Winitz
Coringa: Murilo Benício (?), no caso desta versão, o Coringa teria uma mulher que seria apaixonada pelo Batman
Mulher Gato: Abigail (apesar de não ter, a Betty Lago tem de estar se tem um Raí presente).
Uniforme adaptado de modo a aparecer o peito cabeludo.
O Batman come a mulher-maravilha, a Catwoman, a Electra, a Mary Jane (mesmo sendo do universo marvel).

Hipótese 2

Bruce Wayne: Wagner Moura
Duas Caras: Lázaro Ramos
Rachel: Dira Paes ou Leandra Leal
Coringa: Sélton Mello, ou Matheus Nactergale, ou Dan Stulbach
O Batman é cearense ou baiano.

Hipótese 3

Atores buscados em comunidades carentes.
A voz cavernosa é a mesma, mas, na hora do interrogatório por exemplo, as palavras são “a coisa fedeu pro teu lado, mané, Jim, busca a vassoura!”.
A vassoura do Batman não é simplesmente uma vassoura preta com o logo.
Ela adentra o interrogado e se abre, e tal qual uma hélice faz a limpa no delgado.
E logicamente, dotado de fina ironia, o Cavaleiro das Trevas começa varrendo a sala e diz que quer clarear, “limpar” as idéias do Coringa.
Batmóvel: Kadete Conversível GTI 94 adesivado.

Hipótese 4

Bruce Wayne: Reynaldo Gianecchini
Chefe da máfia: Stepan Nercessian
Com. Gordon: Tony Ramos
Alfred: Milton Gonçalves
(olha que elenco, olha que disputa pelo prêmio Contigo!)
Direção do Jorginho Fernando, aí os adultos conversam sobre sexo, falam “trepar”, traições, declarações de amor. Um Batman mais humano, mais próximo, gente que nem a gente.
Seria a única versão que teria o Robin, Filipe Dylon, ou Rafael Almeida, ou Cauã Raymond, ou Erik Marmo, qualquer um deles pegando tanta mulher quanto o Batman.
O vigilante da Lapa.
Ou o cavaleiro do sol, porque trevas não é coisa do Brasil.

***

Why so serious quase vira o novo Pede pra Sair.

***

Eu não vi a versão dublada, mas parece que ia ser o Ettore Zuim.
Se fosse animação ia ser o Miguel Falabella, o que é uma decisão sempre estranha pôr um famoso, que nem aquele elefante desgraçado, que cada vez que aparecia no gelo me vinha o Diogo Villela à cabeça.

***

Como fazer um filme do Batman s/ o Robin?
É que nem a Sandy s/ o Júnior, Piu-piu s/ frajola.
Robin é carnaval, Robin é Brasil (até a máscara), Robin é futebol.
Santa pretensão, hein Cristhoper?
O Robin podia salvar vidas enquanto o Bruce providenciava uma mega rede com todos os celulares (será que pré-pago entrava?) da metrópole. Ele podia pegar uma procuração do Bruce e assinar os B.O. p/ liberar o Batman.
O telefone vermelho, o Adam West ter sido recusado, o pau-de-sebo, o pingüim, tudo bem… mas o Robin?

***

Quer dizer que a regrinha do Batman de poupar vidas não vale p/ cães?
Esperamos uma resposta, Batman.
A menos que os pobres Rotweillers tenham permanecido vivos.

***

Aguardamos agora o filme do Space Gost, este sim um verdadeiro mascarado.

habemus vilã

2008,agosto7,quinta-feira às 10:35PM | Publicado em 2º caderno | 1 Comentário
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Depois que a Patrícia Pillar mandou o Walmor Chagas p/ o inferno, ela fuma, faz sexo por fazer sem musiquinha para tornar isso comédia e afirma a cada segundo que finge qualquer bondade. Adquiriu, em dois dias, hábitos condenáveis no universo teledramático.

Agora temos otários, agora temos dissimulação, agora temos um cristo pagando os pecados dos outros, agora temos quem faça o que fazemos para condernarmos nosso próprio reflexo. Agora virou novela das oito.

seu marcolino foi ao cinema

2008,maio23,sexta-feira às 4:56PM | Publicado em 2º caderno, critica-se | 1 Comentário
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MYBLUEBERRYNIGHTS

Seu Marcolino, meu avô, nascido brasileiro, mas ainda italiano-salame-vinho, gordão, rabugento, ainda que reconditamente doce (italiano, portanto).

Sempre que meu pai está de mau humor reclamando sem causas claras, minha mãe diz “tá bom, seu Marcolino” ou tipo “a sua chave está ali, seu Marcolino”, “a canete está na sua orelha, seu Marcolino”.

O seu Marcolino (ou o meu Marcolino, tipo o que há de Marcolino em mim, incrustado no DNA e nas estadias na casa do avô) assistiu My Blueberry Nights, de Wong Kar-Wai (aliás, para mim o cartaz e o título brasileiro são spoilers, ainda que pequenos).

 

O bom é que eu não havia visto nada de Wong Kar-Wai ainda e a excelente aula técnica de fotografia do Darius Khondji, a aplicação formal (que algumas vezes ou me não pareceu significar conceitualmente nada (um mero formalismo, portanto) ou somente elementos muito rasos, como personagens misturando-se a seus ambientes ou como a cidade a abstracionar-se em suas luzes, todavia os letreiros do bar sobrepostos às cenas iniciais ficaram visualmente bonitos – mas aí é a fotografia já elogiada), a utilização de elementos do imaginário americano assumindo os aspectos extra-cinema, aplicando elementos do projeto no filme em si, uma atitude de assumir esse hibridismo cultural como choque e pensá-lo, aliados aos lourosjá havidas nesta década e antes em torno deste cineasta deram-me vontade de conhecer suas outras obras.

Mas me não deu vontade de criticar criticamente.

 

Podia até ser tudo ironia, ou um pensar sobre certos estereótipos (o que em princípio invalidaria meu nariz torcido), e à medida que o tempo passa eu simpatizo mais com a memória que tenho do filme, mas, em linhas gerais, os diálogos, as super-atuações, as imagens de câmera de segurança, os fotogramas compondo elipses, parece-me que fracassaram todos, que apenas quiseram chegar lá.

 

Ou seu Marcolino foi ao cinema.

“explico:” ou observações breves sobre os cavaleiros do zodíaco

2008,abril18,sexta-feira às 3:45PM | Publicado em 2º caderno | 1 Comentário
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O Seiya enfrentou um cavaleiro que tinha um machado e era muito maior que ele, era parecido com ou o próprio Thor, na saga de Asgard, na qual os Cavaleiros de Odin (dentre os quais se encontra Siegfried, um dos guardiões mais afudês, junto a Cisne, Fênix e quase todos de ouro) estavam sob o domínio maléfico de Poseidon, e a Saori teve de tentar manter o gelo congelado com sua cosmo energia para que ele não derretesse e devastasse o planeta, posto que a responsável pela tarefa, Hilda (que segurava o gelo à base de oração (sim, eu também acho prudente os cientistas investigarem a hipótese de ela ter se convertido ateísta como causa fundamental do descongelamento vindouro), estava também sob as más influências do patrão dos oceanos). Para variar, o Seiya levava uma coça até perto de acabar o capítulo e no seguinte (ou no final do mesmo, não me recordo) resolve vencer. Mas desta vez não invocou a inspiração do sétimo sentido (que era um estágio sumaríssimo na categoria peso-pesado, ou seja, ouro), nem chamou o Ikki como o fazia sempre Shun, tampouco se fingiu de morto e voltou do inferno, da cegueira, dum golpe que mandava para uma viagem em outra dimensão ou qualquer outro problema medonho que sempre acometiam o Shiryu (que só se fodia, mas sempre voltava com grande importância e era um exemplo para o grupo – tipo o Ronaldo na copa de 2006). Bem, dessa vez não me lembro se foi após algum golpe do Seiya ou o que, sei que o gigante deu tipo uma tropeçada (melhor: não um tropeço, mas uma desequilibrada), donde que deu aquele efeito sonoro característico dos animes, análogo ao de uma lâmina, a imagem em zoom rápido encontrou os grandes e marrons olhos de Seiya, saíram hachuras deste olhar e ele mandou seu meteoro de pégaso finalizando o oponente.

A coisa da moça foi escrita há um (ou muito/ relativo – mais p/ muito) tempo atrás.

Vejam vocês a minha malandragem à época, posto ter escrito meteoro, mas não de socos. Vejam como eu era malandrão! =B

jogador camisa 8 e 1/2

2008,abril10,quinta-feira às 4:45PM | Publicado em 2º caderno | 6 Comentários
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Nem falarei muito agora para não falar muitíssimo – fá-lo-ei em outra hora – posto que posto a fim de divulgar o abaixo assinado para assinarmos e assassinarmos a idéia de unificação da língua portuguesa, porque o objetivo não será cumprido (dentro do Brasil mesmo se falam portugueses diferentes).

Não conheço a história dos abaixo assinados, não sei qual é seu desempenho médio, mas sou fã dos acentos gráficos (todas as proparoxítonas devem ser acentuadas graficamente) que não devem ser alterados, mas outras regras importantes talvez serão.

O engraçado é que o site é in english, ou seja, Name Required etc. Mas é porque é um site (sítio!) mundial.

Ei-lo.

E aqui eis a proposta de alterações, para ninguém assinar sem ler.

E aqui o que está em vigor.

São alterações que mudam mais a gramática lusitana, que penso deve ser preservada como está – até porque efetivamente não oferece nenhuma dificuldade para o entendimento dos brasileiros e é coerente com a pronúncia usada naquele país – e continua sendo uma forma de identificar se o que tu lês é brasileiro ou não.

A língua portuguesa é uma ferramenta perfeita, as regras têm grande coerência entre si e as regras lusitanas definem a maneira de pronúncia correta das palavras, como havia quase acabado de dizer.

Aliás, se é para unificar, já existe o inglês que unifica até japoneses e argentinos.

E realmente não precisa, é como querer unificar Pelé e Garrincha num só jogador, que seria, pela média, o camisa 8,5. Não dá.

Foram usados textos de Oswald de Andrade, Fernando Pessoa e João de Lobeira para a composição da imagem.

cqc p/ q…

2008,abril10,quinta-feira às 4:38PM | Publicado em 2º caderno | Deixe um comentário
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Vi somente um pedaço do CQC ontem. Embora o anseio por polêmica misturado ao humor possa ser uma armadilha conceitual, eles talvez prestem bom serviço ao Brasil: basicamente, pelo que vi, eles têm unido os métodos da dupla Vesgo & Sílvio em prol da fiscalização política (entre outras coisas só humorísticas). Em vez do Galvão dançar a dança do siri, alguns deputados e corruptos homens públicos sofrerão merecidos constrangimentos – como no caso do figuraça Sílvio Pereira, o homem do Jipe.

Verdade que eles dão uma manipulada no material (divertida, aliás, sobrepondo animações e sons ao material original), pois a pergunta do comediante Stand-up Rafinha Bastos feita ao Alrindo Chinaglia acerca da reforma tributária fora muito bem respondida pelo deputado. Então o risco é somente colaborar para a imagem que já se tem de que político é tudo ladrão. Por outro lado, é preciso manipular um pouco mesmo, jogar na mesma moeda (que alguns jogam). A despeito do cuidado necessário de isso não virar tão somente comédia, eles cumprem um papel importante que talvez abra alguns olhos. Esses caras não devem ficar em paz mesmo.

stones, scorsese, stop com essa de UAU ele é louco

2008,abril9,quarta-feira às 5:42PM | Publicado em 2º caderno | Deixe um comentário
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Aposto que se o Keith Richards fosse liso que nem o Juan Carlos Ramírez Abadía versão boneco de cera do Freddie Mercury iam falar piores coisas ainda.

Falar-se-á muito em Stones por causa do filme do Scorsese. Não vi ainda, não falarei do filme, nem dos Stones, mas deve ser bom, porque O Aviador (p/ não falar de tantos outros) é magnífico e Let it Bleed (para não falar de tantos outros) idem. E se Scorsese e Dylan foram uma dupla de ataque fazendo golos para a história americana, Martin e os linguarudos o serão para a irreverência e revolução – de quem tem revolução na paleta há tempos. E claro que os Rochas Rolantes, assim como Romário, têm uma influência comportamental (não tanto quanto a musical) importante também. Agora “UAU! ELE É LOUCO” porque Keith Richards cheira (cheirou ou cheirava) as cinzas do pai é BBB. Maior cara de gozação isso. E uma caralhada de gente fala nisso por aí, e quando eu digo gente, eu digo veículos de comunicação. Essa resposta tem maior cara de gozação (não cara de gozo). E, se for verdade, porque mesmo isso seria polêmico? Deve ser muito menos nocivo que outras coisas que ele cheira (e diametralmente menos estimulante). Além do que, se pensarmos bem (pensemos): é uma ligação de uma intimidade com o pai que poucos podem ter, especialmente em se tratando de um pai morto. Aliás, semelhante relação só pode ser alcançada através do canibalismo ou por técnicas canibais associadas às da carniçaria e putrefação.

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