derrota d’ouro

2008,agosto22,sexta-feira às 2:34PM | Publicado em caderno de esportes | Deixe um comentário
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Qual foi a derrota mais bonita do Brasil até agora?
O futebol arte das meninas brasileiras com o Galvão falando “você não fez nada errado, Marta”, após a leitura labial confirmar que a camisa 10 plagiara a famosa frase “onde foi que eu errei?”, e lágrimas coletivas unidas a um Brasil em choro uníssono: prata,  também na disputa d’ouro pela derrota mais bela, o que talvez sublinhe então essa derrota dourada. Prata vale prata, e se chorar vale ouro.
E perder na disputa pela melhor perda é vencer autenticamente.
Porque o ouro é de Eduardo Santos: fez valer nos nossos nervos a máxima de que o que importa é competir. Fomentou um momento tão olímpico quantos os recordes Phelpsianos com 100% menos medalhas – porque competiu francamente.
E continuou franco ao falar (repeti daqui).
Bronze para o Diego Hypólito, que apesar das bobagens que falam dele (que importa isso) é homem o suficiente para encarar as dificuldades e  fazer com perfeição o que sabe fazer na hora que precisa, repetir o treino no jogo tanto quanto os vendedores de testosterona do basquete norte-americano. Mas mostrou que é humano o suficiente para tirar uma imperfeição precisamente na hora menos precisa sabe-se lá de onde.
E a feição dele após o erro vai para o dicionário na palavra decepção. Aquilo sim é decepcionar-se, não com a namorada, não com os pais, não com o emprego – mas consigo mesmo no que se faz melhor e na hora que mais precisa – isso é ouro em matéria de decepção, de possível depressão.

Mas isso é seriíssimo: todo atleta brasileiro (a não ser o de futebol masculino – não que não sejam, mas se o forem são-no por motivos diferentes) é vencedor nesta olimpíada, alguns batalharam mais, outros menos, mas são mesmo, todos, amantes do esporte, profissionais amadores (na conotação portuguesa, como explico aqui, que ama). Qualquer explicação que aqui desse sobre isso seria sublinhar o que todos que estiveram lá dizem, ou molhar no chuveiro, ou chover no molhado.

p.s.: A derrota dos EUA no quadro de medalhas não vale. Talvez a referência da simbologia à qual uma vitória chinesa nos remete deixe-nos saudades dos EUA (só um chute político, não pensei tanto a este respeito). E também porque, como disse no post anterior, eles não perdem não.

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