e se habacuc ao cusco desse um churras?

2008,junho2,segunda-feira às 12:29PM | Publicado em critica-se, Não classificado | 9 Comentários
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S

e Habacuc desse ao cão um banquete, um bolinho de carne que fosse, sei lá, e o deixasse comer livremente, engordar, brincar, continuaria a mostrar a hipocrisia à qual se refere (e que realmente existe), pois as pessoas felizes ao verem um bichinho salvo refletiriam a mesma omissão, sem que ele corresse o risco de virar um Hababaca. Mas ele queria que as pessoas abrissem o bico para poder lhes apontar o dedo. Se ele realmente pensasse a arte como uma maneira de atingir (em todas as conotações) as pessoas, teria sido uma maneira bem mais refinada esta de encher o cusco de comida.

Ou se soltasse o cão em determinado ponto, forjaria um happy end deixando mais sinuosa tal hipocrisia.

E da obra poderíamos tirar uma lição ainda, de uma imagem (de um miserável, seja animal ou gente) que gera sentimentos nobres nos observadores exibida na vida real, que mostra que se não poderia ver beleza alguma nesta gravidade.Mas o discurso dele é bem claro, ele quer mostrar a hipocrisia das pessoas. Então me parece que o escopo dele é polêmica mesmo. É a polêmica da qual poderíamos criar até uma modalidade ou corrente de arte, de tantas obras que – nascidas de idéias até boas – desvirtuaram-se em busca do caminho mais polêmico, mais gratuito, mais auto-promocional. E que subestima os iniciados sem nem mesmo incluir os leigos. E de polêmica nada necessário nos dias de hoje. E por mais que todos colaborem com a obra ao falar dela, este processo não é novidade nenhuma. Ele por si só é apenas um método, já antigo, e por si só não tem mérito nenhum (para quem quiser dizer que a obra dele não foi compreendida em sua totalidade de fazer a sociedade se refletir (isso todos as coisas fazem a todo momento)). E a polêmica por si só é retrograda, é uma coisa de quarentas anos atrás.

Abaixo o Hababaca, por tirar uma vida assim por auto-promoção ou por não se esforçar numa linguagem mais sofisticada e mais marcante. Todavia sem grandes vivas para as campanhas contra ele, pois devo concordar nalguns pontos com este rapaz aqui.

 

Porém a piedade é instintiva, é quase uma dor física (e talvez aja fisicamente, numa esfera muito menos visível, em patamares infinitesimais, mas fisicamente, pelo fato de não se poder evitar, mas somente resistir, naquilo que se chama espírito ou equivalente, e por isso tudo doa conforme a resistência de cada um).

O que dá força a piedade é a indefensão das vítimas. E a dos animais (julgamos nós, ao menos, e com boas constatações científicas a respeito) vai além, abarca até a consciência.

A nossa compaixão no seu estado mais intenso é pela ignorância do animal. Pela forma abstrata com que ele sente, sem saber o porquê, ou mesmo de porquês – e na abstração as coisas são puras. Ele ignora. Sofre tão somente.

É como a ignorância do boi velho, do cavalo morto.

E por isso tudo eu sinto pena, grande pena, mesmo que seja desse recorte específico.

Se lançarmos um olhar isento (não sei bem de quê) sobre isso, talvez a pena não valha a pena. E de longe nada vale mesmo. A morte é comum, bem comum, e a crueldade também. De longe, até se fosse com a nossa mãe, amor da vida etc, em nenhum caso caberia piedade alguma, se ampliarmos o mesmo raciocínio que nos levaria a não se tocar pelo cão (se formos isentos – não sei bem de quê – em tudo). E a arte às vezes necessita também desta visão, deste plano geral frio, um ponto de vista de deuses, de desprezo pela vida (o politicamente correto, ou só o correto, não pode delimitar o terreno da criatividade, das constatações).

Então isso é arte, mas arte ruim (não má, não falo disso), pobre, de linguagem pobre (a reflexão boa gerada pela obra é mérito de quem a pensa e não está no sistema criado pelo artista, por mais que quem o defenda supervalorize sua dimensão extra-galeria (novidade nenhuma, como dissera)).

Mas por mais que se tente ver com uma mão na cabeça, a outra fica no coração.

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9 Comentários »

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  1. Nao vou falar do ponto de vista ” ARTE” pq a partir do momento que se USA um ser vivo para fazer arte tendo que causar-lhe sofrimento e morte, isso nao é mais arte, na minha concepção, é assassinato. Nao ha como pensar em arte vendo um animal sofrer e morrer. Me desculpem os artistas, mas no meu ponto de vista, a arte que me enche de alegria é aquela onde a imaginação nao leva a morte, principalmente de um animal. Espero que na pxma vez, o ” artista” escolha um ser humano.

  2. Ana,
    a arte extrapola mesmo.
    Houve casos de artistas (especialmente às voltas dos anos 60/70) que morreram por sua arte -sem contar os que se auto-mutilam, auto-deformam entre outras coisas.
    A arte para ser arte mesmo tem que ficar meio que acima de qualquer moral.
    Mas que me dá muita pena do cachorro dá (e o resto está escrito lá em cima).

  3. O artista que cometeu este crime devia ser morto a TIRO de CAÇADEIRA.

    Pena que não seja cá em Portugal pois quem lhe trataria da saúde seria EU.

    Filhos da puta sem vergonha. HÃO-DE MORRER AFOGADOS NA PRÓPRIA MERDA.

    ESPANHA DEVIA TER VERGONHA NA CARA.

    EXPERIMENTEM VIR PARA PORTUGAL FAZER ESSA POUCA VERGONHA.

    E a todos aqueles que participem, sejam eles artistas, visitantes e afins: o meu maior DESEJO É QUE MORRAM TUBERCULOSOS E COM CANCRO EM TODOS OS ÓRGÃOS.

    DEUS É GRANDE. HÃO-DE PAGAR CARO AQUILO QUE ESTÃO A FAZER.

  4. Dear Friend!
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    Your friend Nikolay Kotev

  5. Então tá, querido “spam”.
    Your friend, joao~grando.

  6. verdadeiramente vergonhoso e VULGAR!! maus tratos aos animais, infelizmente são o “pão nosso de cada dia” da sociedade “pseudo-evoluída”.

    este artista de meia tigela assumiu-se como a vulgaridade da má formação e, pior do que ele, foi a organização da bienal que permitiu tamanha aberração e todos os que lá foram e nada fizeram para alterar o estado das coisas.

    auto-mutilação é, como o nome indica, auto… infligir mal aos demais, independentemente da espécie a que pertencem é algo mto diferente, é infligir, PROPOSITADAMENTE, sofrimento aos demais seres.

    é muito difícil fazer arte e isto, para mim é mta coisa, MENOS ARTE, é VULGARIDADE, NOJO…enfim…

    chamar artista a este senhor dá-me vontade de rir… ou de chorar, por tudo o que isso representa…
    enfim…

  7. Isto não é arte, é uma ABERRAÇÃO! Era fazer-lhe o mesmo a esse gajo, e as pessoas que viram semelhante coisa e não quiseram saber! Esse gajo que se mantenha longe de Portugal e do Porto, se o apanho na rua nem sei o que lhe faço!!

  8. Primeiro, “me encanta” o modo como vós portugueses “faleis”(?). Que aqui no Brasil torna-se um correto distante do povo.
    Quanto ao caso, parece cada vez mais uma unânimidade: feio, muito feio.

  9. Só tenho a assinar embaixo: belo texto


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