a chuva

20085JulhoSábado at 2:52 pm | In joão-lírico | 2 Comments
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a chuva

sempre um bom sinal

ainda há água

há céu

há chão

1 minuto antes das 13h há 4 anos, 2 meses e 1 semana atrás

20085JulhoSábado at 2:36 pm | In alt+3 ou ♥, femme, joão-lírico, tempo | 2 Comments
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—–Mensagem original—–
De: Joao Grando
Enviada em: quarta-feira, 28 de abril de 2004 12:59
Para:
****************


Assunto:

Esta mensagem é efêmera, tem validade somente por esta tarde, caso não lida no prazo certo, cumpra-se uma regra agora arbitrariamente posta: determina-se que não haja prescrição nos casos de entrega de pão quente e flores recém colhidas do mato, bem como correios eletrônicos enviados em virtude de tardes muito bonitas, aplicar-se-á o mesmo para anotações explicitadas verbalmente, em qualquer hipótese. Também, que a tarde hoje será bonita, já que a manhã já foi e eu irei almoçar brevemente para degustá-la, isso, aliado à noção não oficial do que lhe é indiscutível e patente, obrigou-me a fazer um comentário um tanto vago, muito lírico, um pouco óbvio: se tudo é metáfora, então nos resta não fumar, dançar diariamente [teu amigo "Nitch"¹] e andar bastante de pés descalços.

Há uma sensível diferença entre os vinhos, mas é a sensibilidade que faz o violino tocar.

choro, dou-lho

200811JunhoQuarta-feira at 9:09 pm | In joão-lírico | No Comments
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Chorar, ao inchar, aumenta o olho de quem chora.
Incha o olho de quem olha o choro, como,
ao se inchar, infla a dor de quem o inchou e olhou-o.

E embora o(s) olho(s) inchado(s) diminua(m) a visão
tampouco adiantaria o contrário:
o olho inchado não enxerga
o que não é choro ao seu redor.

trezentos quilos de leveza

20086JunhoSexta-Feira at 10:53 am | In joão-lírico | 1 Comment
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“Nur manchmal schiebt der Vorhang der Pupille/ sich lautlos auf -. Dann geht ein Bild hinein,/ geht durch der Glieder angespannte Stille -/ und hört im Herzen auf zu sein.”

Der Panther, Ranier Maria Rilke

 

 

 

Trezentos quilos de leveza

num pequeno mar de carne que

olha as grades

e pensa ver nestas estranhas listras

tão retas

um sinal de evolução

de um tigre bem maior

que oprimiu sua agressividade

sem fazer barulho algum ou mesmo se mexer.

 

Lanço um olhar de quem só pode olhar

e, sem saber pôr no papel,

tiro uma foto

 

deste poema bem maior que

lança um olhar de quem só pode olhar

e, sem querer rugir,

boceja.

 

 

 

João Grando

 

(embora como disse tudo aqui escrito é meu, a não ser se indicado o contrário, como o caso do Rilke acima, parece-me que havia de se acabar este com meu nome (ou parte dele que é de todo João Ricardo Lopes Grando) embaixo).

about delay ou recado para mim

200815MaioQuinta-feira at 10:08 am | In diário, joão-lírico, tempo | No Comments
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desse jeito

você chegará em junho

desse jeito

ainda

 

(a)rtig(o)s

20087MaioQuarta-feira at 12:55 am | In joão-lírico | 3 Comments
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Atenção, escreverei um artigo:

o.

Atenção, escreverei outro (a inspiração é grande hoje):

a.

Cordialmente, obrigado e desde já agradecido, atenciosamente e a todos, sem mais

rosa

20085MaioSegunda-feira at 7:09 pm | In femme, joão-lírico | 2 Comments
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A ROSA

Fala-se em haver (nos olhos, na boca, na vagina, no coração)
rosas.
Quando ela é uma
orelha.

Quando nela
se escondem os
cabelos como laços
que se voltam sugados um pouco
para trás dela, como se o corpo fosse
um lençol com um peso (ela, afinal) em cima.

Em suma, como se o corpo estivesse sempre deitado,
olhe a orelha:

se falasse, falaria
como criou o corpo todo
ao ouvir cada instrução, para cada parte que,
a partir dela, cega e muda, fora construída. Uma flor, de fato,
semeando.

Ou, se falasse, confessaria
que fora posta no final,
como um adorno último,
que também é uma ferramenta
para o corpo se saber quão belo.

Como um beijo, posto rosa,
não se pode saber ao certo se
veio antes ou depois.

Que com um beijo na orelha
inicia-se tudo, ou com o mesmo
se consagra tudo.

Olha, com calma:
se não falar, ela deixa olhar.
Se falasse, a orelha não seria
rosa.

Ora
se a orelha não fala
é fato que seja rosa:
seu cheiro em sentido inverso
o som.

dueto

20084AbrilSexta-Feira at 5:27 pm | In joão-lírico | 1 Comment
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I

Teu silêncio às vezes grita, e tu só consegues ficar calada com isso.

Mas te calas pois não ouves o que diz ele.

Quando ouvires, ah, ouvirás que ele em verdade canta.

Então tu conseguirás falar.

Mas olha, ou melhor, ouve:

tu estarás em verdade a cantar junto dele, a mesma letra, a mesma melodia.

II

Seu silêncio às vezes grita, e você só consegue ficar calada com isso.

Mas se cala porque não ouve o que diz ele.

Quando ouvir, ouvirá que ele em verdade canta.

Então conseguirá falar.

Mas olha, ou melhor, ouve:

você vai estar na verdade cantando junto dele, a mesma letra, a mesma melodia.

Isso era para ser um comentário deste post, da Layla “Luar”. Mas resolvi anotar já aqui. Não sei se está bem pronto, e não sei se uso você ou tu, na dúvida, pus os dois.

mar

200826FevereiroTerça-feira at 4:04 am | In joão-lírico | No Comments
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na frente do mar está o céu

que está deitado

de frente para o mar

flor

200815FevereiroSexta-Feira at 11:06 pm | In femme, joão-lírico | No Comments
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Quando distribuíram as flores do prazer, os homens, invejosos,
usaram da força para ficar com as maiores, deixando
somente as muitíssimo pequenas para as mulheres.
Ela, com sua calma, plantou esta flor menor e desta,
com o pólen dela mesmo, brotaram muitas outras muito
menores ainda.
A mulher exibiu a pequena – mínima -, e guardou dentro de si mesma
as menores ainda.
Os homens, ainda com a força, tentam levá-las.
As mulheres, ainda com calma, conseguem guardá-las
e multiplicá-las às escondidas.

fruto

200815FevereiroSexta-Feira at 11:05 pm | In femme, joão-lírico | No Comments
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O mesmo fruto que o homem tem, a mulher tem também, porém aberto e
despedaçado.
Por isso esse aspecto de quebra-cabeças: é preciso montar a mulher,
juntar as suas partes.
O fruto do homem é casca, sente lá alguma coisa.
Mas se intensifica deveras quando a seiva de
seu fruto toca-lhe as paredes internas.
O fruto da mulher: todo interno.
Saber-se sabor.

mãe que balança o berço

200712OutubroSexta-Feira at 8:57 pm | In femme, joão-lírico | No Comments
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a mão que balança o berço não é a mesma que fizera o berço;
a mão que fez o cobertor não é a mesma das mãos nenhumas anteriores.
para o habitante do berço entanto toda mão e tudo mais é mãe.

(letra/música: Korda/ Guevara)

200710OutubroQuarta-feira at 12:07 am | In 2º caderno, gente, joão-lírico | No Comments
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letra/ música: Korda/ Guevara)

Sobre o alvíssimo,
uma janela abriu-se pelo tempo bastante para
que cada fio de luz marcasse sua cara
em prol de uma cara maior.

Não era um papel
(nem camiseta, biquíni, adesivo),
era o rosto.
Tampouco este,
face haver faces ali.

Ele poderia estar piscando, gargalhando,
irritado, em dúvida ou fazendo uma careta,
o cabelo mexendo, o charuto na boca,
uma brincadeira com o charuto usando a careta.

As possibilidades que antecederam e as que se seguiriam.
O mistério: igual.
A fúria: igual.
A felicidade: igual.
Todos iguais num berçário.

Hoje em dia não há tempo para igualdades,
o que repete ou se repete fica um só, o resto se elimina.
Um só representando. Ali, ele.

Ali, ele e o potencial de riso, de fúria, de surpresa.
Na face séria, as faces todas repousadas,
podendo ser a qualquer momento.

O longe: para receber o olhar;
o botão: para receber o dedo:
a morte de cada fio de luz por uma vida maior,
morta por uma vida maior.

Uma vida menor ante uma bandeira
(camiseta, biquíni, adesivo).

E nós, de inteligência superior à da fotografia,
vemos os adultos mortos que na vida da foto
nem nasceram ainda,

que morreram em outubro, nove do dez de sessenta e sete,
mas reencarnaram seus espíritos
sob a forma de outro corpo:

1968

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