rosa

20085MaioSegunda-feira at 7:09 pm | In femme, joão-lírico | 2 Comments
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A ROSA

Fala-se em haver (nos olhos, na boca, na vagina, no coração)
rosas.
Quando ela é uma
orelha.

Quando nela
se escondem os
cabelos como laços
que se voltam sugados um pouco
para trás dela, como se o corpo fosse
um lençol com um peso (ela, afinal) em cima.

Em suma, como se o corpo estivesse sempre deitado,
olhe a orelha:

se falasse, falaria
como criou o corpo todo
ao ouvir cada instrução, para cada parte que,
a partir dela, cega e muda, fora construída. Uma flor, de fato,
semeando.

Ou, se falasse, confessaria
que fora posta no final,
como um adorno último,
que também é uma ferramenta
para o corpo se saber quão belo.

Como um beijo, posto rosa,
não se pode saber ao certo se
veio antes ou depois.

Que com um beijo na orelha
inicia-se tudo, ou com o mesmo
se consagra tudo.

Olha, com calma:
se não falar, ela deixa olhar.
Se falasse, a orelha não seria
rosa.

Ora
se a orelha não fala
é fato que seja rosa:
seu cheiro em sentido inverso
o som.

flor

200815FevereiroSexta-Feira at 11:06 pm | In femme, joão-lírico | No Comments
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Quando distribuíram as flores do prazer, os homens, invejosos,
usaram da força para ficar com as maiores, deixando
somente as muitíssimo pequenas para as mulheres.
Ela, com sua calma, plantou esta flor menor e desta,
com o pólen dela mesmo, brotaram muitas outras muito
menores ainda.
A mulher exibiu a pequena – mínima -, e guardou dentro de si mesma
as menores ainda.
Os homens, ainda com a força, tentam levá-las.
As mulheres, ainda com calma, conseguem guardá-las
e multiplicá-las às escondidas.

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