s. (sim, sem, são, ser) joão

200824JunhoTerça-feira at 3:11 pm | In hojes | 1 Comment
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S. João

= sem João; sai, João (já ouvi muito); sim, João (nem tanto ouvi); som, João (se fosse DJ); sir João; saco, João etc.

Ser João.

Bach, d´arc, do Pulo, Lennon, Cruyff, Guimarães Rosa, Ford, Paul Jones, Cabral de Mello Neto, Simões Lopes Neto, Gilberto, Wolfgang von Goethe, Jack, o estri(estu)p(r)ador do bairro Whitechapel, Jack, o Nicholson, Carpenter, Coltrane, Connor, -Batiste Debret, -Luc Godard, Nash, Vermeer, Pessoa, Evangelista, Batista, Paulo II, II de Valois, o bom, rei da França, s/ braço, bobo, Ivan IV, da Rússia (ou IVan), Jacques Rousseau, Bardeen, Locke, Henri Dunant, Travolta, Depp, -de-barro, Brion, & Maria, & o Pé de Feijão.

Eu sou e eles também

são João.

a waltz for a night

20084JunhoQuarta-feira at 10:30 pm | In alt+3 ou ♥, cri-critica-se, crônica | 3 Comments
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Spoilers, spoilers p/ caralho (mas nada que atrapalhe quem gosta de cinema).

1. Before

Em tudo (e no cinema, que faz parte de tudo, como tudo) há partes que resumem os todos. A mão pode resumir um corpo todo; um dedo, um corpo todo; a íris, idem etc. Ou o código genético, para ser mais científico, menos verborrágico e menos repetitivo. Neste processo metonímico, um fotograma (como Rypley atrás de um espelho que reflete Dickie, ou Matthew substituindo Theo também no espelho em the Dreamers, a anamorfose na ponte em Indiana Jones e a Última Cruzada, e outros tantos exemplos mais eruditos), um plano (skatistas-ícaros em câmera lenta voando até a falência em Paranoid Park, como muito bem observou Luiz Carlos Oliveira Jr.), uma cena, um diálogo ou qualquer outro elemento fílmico pode resumir o filme todo. Em Before Sunrise, é uma história que Jesse conta a Celine, sobre o arrebatamento ao ver um bebê nascendo, sobre o encantamento ao o ver respirar pela primeira vez vs. a constatação de que, um dia, ele irá morrer: uma visão inocente (semelhante à que o gato Che de Celine tem diariamente de seu jardim), portanto pura, e por isso justa com ambigüidade das coisas: deleitosa, mas desde sempre melancólica por ser sabido seu fim. As duas verdades gritantes da vida (a própria vida (milagre) e a morte) sob um olhar puro.

Eu sempre havia ouvido falar muito de Before Sunrise. E pensava (mas não com tom desafiante) no que o filme poderia ter de mais. Afinal, visto por fora, pela capa do DVD (ou pelo cartaz, para quem teve a boa sorte de assistir num cinema) são somente duas pessoas conversando.

Falarei dos motivos depois, primeiro do impacto: para ficar somente no cinema (embora tudo pertença a tudo, repetindo sempre) vale lembrar a anedota que Hitchcock contou a Truffaut, que me não lembro se li um trecho na livraria ou se li num livro de Mamet (mas com certeza ninguém me comentou, pois eu li), ao falar sobre roteiros relativamente à direção: ele conta de um homem que sonhou um filme que lhe parece fascinante durante o sono e ao acordar e anotar a história do sonho recém sonhado escreve apenas “homem se apaixona por mulher”.

Então se me fez intuitiva e subitamente óbvia a consistência que Ítalo Calvino proclamaria, mas não pôde proclamar como queria, para o próximo (este) milênio.

Há uma série de elementos quase independentes que o cinema combina. Ele acontece devido mais à combinação e menos aos elementos em si (e digo todos os elementos: produção, elenco, fotografia, orçamento, impacto nas revistas de fofoca, argumento, roteiro etc.). A lógica acadêmica (acadêmica no sentido de Oscar) de um todo ser bom e suas partes serem destacáveis (melhor fotografia, melhor som etc.) para o qualificar (própria da indústria (linha industrial) nalguns casos) imita uma lógica que se usa na vida mesmo para diversas escolhas pré-estabelecidas (a famosa “preferência”), como gostar de morenas, ou loiras, ou ruivas, ou magras, altas, tímidas, ricas, inteligentes etc. Porém se sabe não haver fórmulas: o processo de estimação é mais sofisticado.

Evidentemente muitas vezes é possível enumerar os elementos que chamaram a atenção por cumprirem um padrão predileto. É como quando se conhece uma moça (ou um moço, para as moças, ou para os moços que gostam de moços): às vezes se acha o que se esperava, mas noutras um dos pré-requisitos para arrebatar é surpreender.

E para se surpreender os padrões não funcionam. Ou funcionam, justamente por oprimirem o quadro da surpresa, como se empurrassem molas. Exemplo: para alguns a música seria dispensável no cinema (e muitas vezes ela é puro enfeite mesmo), para outros até o som seria dispensável (Vinícius de Moraes defendia que a única forma de cinema era o mudo quando era crítico, apesar de ser amigo de Orson Welles), como o pessoal do Dogma 95. Mas como dizer que cinema não pode ter música, se num filme como O Quarto do Filho, de Nani Moretti, o seu uso estabelece uma significação narrativa que, tal qual um canhão de luz num teatro, foca o estado subjetivo dos fatos narrados, complementa a história?

Então pode haver um esquema para cada idéia. Então a fotografia, o roteiro, até a montagem (que seria o elemento mais cinema do cinema, segundo Kubrick, Glauber e seu mestre Eisenstein, para ficar só nos populares e paradigmáticos) subordinam-se ao filme como obra (conceito). As coisas se estendem de maneira honesta a partir do conceito (ou idéia e/ou anseio) que as lançou, como numa geração espontânea, ou, contrapondo esta idéia e inda assim parando no mesmo lugar, o cumprimento de um destino: elas arranjam seu espaço e tornam-se o que são.

E este é o caso deste projeto. O casal se afirma como idéia um ao outro; e o(s) filme(s) afirma(m) a idéia de casal, o encontro das duas idéias anteriores e a reação delas em tal estado – tudo então é justo com isso, os planos-sequência, os enquadramentos, a música, a montagem – uma intervenção mínima para os registrar.

Um amante se tornando como tal é um processo de existência paralelo. Os amantes vivem num mundo próprio, de espaço e tempo particulares, definidos pelo movimento de seus atores, que são vetores que delimitam tal universo. E todos estes universos incontáveis que existem no mundo são belíssimos. Os amantes todos vivem coisas que precisariam de filmes para registrar. Mas bastaria uma câmera. Então aí está o fino filmar: criou-se uma realidade para a registrar, com as intervenções justas. O cinema (um possuidor de câmera(s)) simulou e registrou.

Então, cinema puro.

 

2. Sunrise

“Eu me confesso meio incomodado de estar em casa véspera de feriado, mas este filme salvou-me”, assim começava meu esboço inicial.

E tal frase me veio à cabeça na cena já perto do fim, que há um homem tocando cravo, que eles vêem pela janela: é cedo, ele está só, e, por alguns segundos, ele fica só no fotograma, ganha seu espaço único na montagem: aquele momento é dele: a arte repletando todo o espaço, a arte lhe bastando por valer por tudo.

Emocionei-me. Então me perdoem as elucidações ingenuamente didáticas, tais como as interpretações simbolistas, as considerações extra-filme, o ponto de vista de espectador. O Amor é Filme, de Lirinha, é o que, numa linha menos reta, me vem à cabeça.

Pelo conteúdo cênico, esta foi a montagem ficcional mais próxima que eu já vi da inalcançável realidade de se estar embebido numa atmosfera de descobertas, de se conhecer e ser conhecido por outra pessoa, de se maravilhar com as combinações e contrastes, e de perceber estes todos combinações e aquelas todas contrastes; de uma levíssima condição de se exercer a criatividade quando ela vem, de exercer-se como se é, de fazer piadas após declarações de amor oblíquas, ou ubíquas, por estarem presentes em cada replica e tréplica, amalgamá-las por vezes, de se não ver o tempo passar quando ele passa mais que antes e menos que depois.

Lembrou-me algumas coisas vividas e certamente a outros também.

Pelos referenciais, a história pontua uma mudança de era (já no início do filme Jesse fala sobre a idéia que teria para um programa, algo semelhante a um reality show, Celine replica dizendo-lhe que simplesmente acompanhar a vida real seria muito chato – operação que acabara de se iniciar no filme) – uma era que passa a se voltar para a realidade como tal, sem idealizações, o “fantástico” do cotidiano.

Porquanto é por excelência o conto de fadas contemporâneo: heróis de dentes não tão brancos.

Das coisas como são (podem ser). De um lirismo mais pé atrás. Uma linguagem mais Jorge Macchi e menos Oliviero Toscani.

Menos Romeu & Julieta, mas rivalizando em intensidade com eles. Em intensidade e em teor: estão ali a magnificência, o mistério, a ambigüidade e todas as coisas cabíveis ao amor, mas demonstrados num cenário crível, cético, ordinário: contemporâneo, na conotação de ainda presente, que ainda não morreu: na conotação de vivo.

Um encontro ao vivo.

Registrou-se um encontro.

O encontro entre o garoto de 13 anos que sonhava em começar a fazer as coisas e a senhora no leito de morte, para a qual a vida é uma lembrança revivida – ambos olhavam para o meio do caminho, mas o americano não se vislumbrava sair do início; a francesa já se sentia no fim.

Um encontro entre a França e os EUA (muito mais rico que em The Dreamers, por exemplo, a despeito do apelo visual e referencial daquele filme). A França encanta-se, romantiza, critica, protesta. Os EUA são mais práticos. O poema dado pelo mendigo e a quiromancia, após uma atmosfera mágica que nos leva a crer que ambos creram juntos por alguns momentos, são investigados racionalmente por Jesse, contrapondo a paixão com que a francesa se lança: ela supõe magia; ele, um processo cínico.

E assim eles vagam como pontos de vista personificados sobre questões das quais não se pode estabelecer uma verdade.. dão dois pontos de vista para os mesmos fatos. Compõem ambigüidades.

A vida (num de seus estados extremos) sob olhar puro.

Também o velho e o novo mundo, o feminino e o masculino, o oriente e o ocidente (se pensarmos geograficamente é como os países se relacionam relativamente um ao outro).

Entanto um encontro como o símbolo Yin e Yang, com um com um pouco do outro também (Jesse não resistiu à roda gigante).

Encontram-se as desconfianças, as necessidades, a bagagem pessoal de cada um, e uma intenção mútua e abstrata de continuar, que se afirma acima de tudo isso, punge como desejo, solicita realização.

E, por fim, um final (embora não no fim mesmo) comparável ao final de Sociedade dos Poetas Mortos, ao seu ritmo, seu ritmo de afirmação de rebeldia em formato clássico; comparado ao final de Cinema Paradiso, ao seu ritmo, como ode à memória e saudade conseqüente, como ode à inocência irrecuperável; comparável ao jogo de cinema, de metalinguagem, de brindar o espectador pelo seu poder de saber mais que as personagens sabem ou manipular seu ponto de vista, tais quais os finais clássicos de Cidadão Kane (mesmo que a questão Rosebud seja um jogo lúdico – e também por isso virtuoso – ante toda o mérito formal) e Vertigo (de pensar a imagem como fonte de verdade e a partir disso tornar ambas relativas); ou comparável ao impacto som x silêncio, no sentido de contraste de formas, como o epílogo primeiro sensorial e em seguida completamente silencioso como não o foi o Filme Falado de Manoel Oliveira (a barbárie é som, silêncio; a civilização, palavra).

Quando o casal despediu-se (au revoir/ later) despediram-se de um tempo, um tempo que permitia cada um levar apenas lembranças e esperanças (como a foto não tirada por Jesse). Fosse depois de 1995 (a era que terminava), salvar-se-iam num mundo virtual, em MSN, blogs, correio eletrônico, e-mails, Skype, MySpace, Twitter, Flickr… talvez se inseririam num meio-termo ausência/presença, subvertendo a prova de resistência do tempo à chama, deixando-a apagar aos poucos, por não a alimentar nem a deixar consumir-se.

Salvar-se-iam talvez no mundo virtual, ou se matariam como acabo de dizer.

Salvar-se-iam do mundo que lhes deu apenas um dia, dum mundo de sonhos impedidos por aviões, trens, faculdades, residências e dessas coisas desse mundo ao qual se convencionou chamar real.

Por tudo isso, Before Sunset tornou-se uma questão mitológica, tão esperado quanto O Retorno do Rei pelos que usam orelhinhas de elfo para ir às estréias com filmes de elfos.

 

3. Sunset

c: Maybe we should meet here in five years or something.

j: All right, all right, five year- Five years! That’s a long time!

c: It’s awful! It’s like a sociological experiment!

“L’absence diminue les médiocres passions, et augmente les grandes, comme le vent éteint les bougies et allume le feu.”

François de La Rochefoucault

São-nos apresentadas as imagens dos lugares de Paris por onde eles passarão, invertendo o processo do filme passado.

Logo essa inversão de fluxo consecutivo eu concluo se dará também na história: se antes houve a construção primeiro para a lembrança depois, agora a esperança antes para a (des)construção depois.

(Prematuramente) pensei: a realidade irá os enfrentar e eles perceberão que o que tiveram foi singular por ter surgido de uma situação singular, pois o laço que os uniu por algumas horas brotou de uma atmosfera absurda em cuja somente qual sentimentos utópicos podem brotar (lembrar Romeu & Julieta para ser mais clichê). Seria a situação, não eles.

E a realidade fatalmente os enfrentou e a tal inversão fatalmente estava certa.

E eu errado: they’re for each other, ils sont fait l’un pour l’autre.

Esperança antes, construção depois. Sem des.

Eles já se sabiam, eles já se esperavam. E se concluiriam.

Eles (e consequentemente o filme) retornam ao encontro anterior. Até porque seu reencontro só se dá devido ao registro da história do encontro anterior (o pequeno best seller de Jesse). Até porque eles são o filme, a ponto de forma e conteúdo se fundirem: a história contada é influenciada pela forma como fora contada: eles discutem se tiveram ou não uma relação sexual (tão importante naquele contexto quando a traição de Capitu), referenciando o fato de isso não ter ficado claro para os espectadores pelo filme anterior. Questões pendentes que interessam tanto aos dois quanto a nós (aqui não sabemos nada a mais que eles, descobrimos as coisas ao mesmo ritmo) são visitadas e revisitadas. Põe o papo em dia, falam dos planos, do que fizeram, e ficam cada vez mais perto, cada vez mais à vontade, cada vez mais com vontade, cada vez mais os mesmos daquele dia (quase inteiro) em Viena.

A felicidade recôndita de se saberem infelizes longe um do outro é intermitentemente revelada (as mulheres fingem, diz Celine, e ela mesmo finge se importar com a felicidade alternativa de Jesse, finge não se importar com a nova despedida porvir). Diante desse jogo, eu, de início, se fosse Ethan Hawke, teria dito já ao encontrá-la que a curiosidade que um pelo o outro nutriam suportaria a ascensão do espaço e que se extinguisse quando o acontecesse valeria a pena. Se primeiro foi tomar um lanche, depois foi descer do trem, e passar a tarde, que virou dia, noite… o tempo aumentou e eles o ocuparam, mas não gasosamente (ocupando o espaço dado), e sim solidamente (crescendo junto), mantendo a intensidade. Então era um medo o de acreditar no mérito do absurdo do encontro sem acreditar que o absurdo como elemento missionário. Porém os minutos passam, e eles não trocam telefone, nem e-mail, blog, Flickr, Twitter.

Eles têm suas vidas. Cada qual tem seu cônjuge: Jesse tem filho e esposa, Celine tem um namorado. Mas eles são coadjuvantes. Suas vidas separadas são coadjuvantes. O agente de Jesse, seu motorista, o corredor que os ultrapassa na praça, os vizinhos… coadjuvantes, coadjuvantes, coadjuvantes. Até a avó de Celine é coadjuvante (embora seja a menos coadjuvante (e por isso mesmo uma das poucas que aparece como imagem individual – à semelhança do tocador de cravo do primeiro filme)). Há somente os dois. Há, no máximo, Paris, mas Paris é uma extensão de Celine (uma metonímia ao contrário, a cidade representando sua habitante, a despeito de “”Oh it’s so French. It’s so cute.” Ugh! I hate that!”), a qual se vai revelando ao mesmo ritmo da cidade: à medida que Paris se descerra, Celine o faz no mesmo ritmo. Vê-se de fora, pelo viés de turista, de estrangeiro, até aproximar-se de sua faceta íntima, seus bairros, seus lares, suas gentes. A cidade de Paris enquanto Pasárgada de Jesse torna-se real. À medida que se aproxima de casa, Celine se abre mais e mais. Abertas as portas de seu apartamento. Celine abre-se.

E lá (ali) ela canta. Ela imita oficialmente a atitude de palco de Nina Simone após a ter imitado o filme inteiro.

Em vez do beijo desesperado (a caída de, ainda que inofensivas, ainda que pequenas, máscaras) à porta do trem no filme anterior, uma valsinha (mais leve, mais aliviada, mais tranqüila que os violinos que encerra o filme anterior).

A sensação agora não é o desespero. A sensação é o alívio.

Valsarão, definitivamente. Foi tacitamente decidido, definido, definitivamente.

Tanto pelo título, tanto pelo conceito do filme anterior, tanto pela perene ameaça do final vindouro, resistia-se. Mas Celine quebra a regra principal do projeto: “você vai perder o seu vôo”. Um pequeno zoom, close-up nele, que sabia. Ela sabia. Eles sabiam. Nós, no fundo, também.

Definitivamente, usada linhas acima, pode significar que define, mas pode significar algo que não mais se alterará.

Pode ser uma situação que ficou definida (e vai durar), pode ser uma situação que foi definida (foi decidida, vale para o momento). E do final, do depois do final, não sabemos.

E o final nos diz isso. Definitivamente.

Porquanto, por excelência, um filme de amor: de como ele inevitavelmente se instala, de como ele abrange uma combinação de acontecimentos e buscas (ou de todos os elementos) que nutrem a e nascem da sua contigüidade. Da fatalidade com que se consorcia.

De como ele, sempre sob uma aura ambígua, para exigir coragem, instala-se como anseio guia, tal como um anseio vital, de sobrevivência, e obriga a busca oprimindo infelicidade a seus componentes; em suma, de como dá um jeito de fazer com que seus envolvidos dêem um jeito.

Em suma, de como ele inevitavelmente não é evitável.

Au revoir, later

ryu sei ken (meteoro de pégaso)

200818AbrilSexta-Feira at 3:42 pm | In Não classificado | 1 Comment
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Interessante salientar que o referido golpe chama-se Ryu Sei Ken no original (e “meteoro de pegasuuuus” no popular), que num repente me lembra Ryu e Ken, o que pode remeter a duas idéias, ambas favoráveis à superioridade do cavaleiro de bronze em relação àqueles participantes de Street Fighter: que Seiya sabia Ryu e Ken juntos, ou seja, dominava a técnica de ambos, e se observarmos, o meteoro de Pégaso não deixa de ser um Shoryuken e Hadouken ao mesmo tempo. Ou ainda que Seiya implicitamente dizia Ryu? Ken? Sei… logicamente se referindo ao fato de ambos serem a mesma pessoa no SFII, já que tinham apenas quimonos e perucas diferentes, e o Ken dava uma volta a mais quando arremessava o adversário, disfarces estes que me parecem muito piores que os óculos, o jeito de falar lesado, o cabelo lambido para trás e as gírias rurais de Clark Kent relativamente ao seu alter-ego Super-Homem.

jogador camisa 8 e 1/2

200810AbrilQuinta-feira at 4:45 pm | In 2º caderno, opinião | 4 Comments
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Nem falarei muito agora para não falar muitíssimo - fá-lo-ei em outra hora - posto que posto a fim de divulgar o abaixo assinado para assinarmos e assassinarmos a idéia de unificação da língua portuguesa, porque o objetivo não será cumprido (dentro do Brasil mesmo se falam portugueses diferentes).

Não conheço a história dos abaixo assinados, não sei qual é seu desempenho médio, mas sou fã dos acentos gráficos (todas as proparoxítonas devem ser acentuadas graficamente) que não devem ser alterados, mas outras regras importantes talvez serão.

O engraçado é que o site é in english, ou seja, Name Required etc. Mas é porque é um site (sítio!) mundial.

Ei-lo.

E aqui eis a proposta de alterações, para ninguém assinar sem ler.

E aqui o que está em vigor.

São alterações que mudam mais a gramática lusitana, que penso deve ser preservada como está - até porque efetivamente não oferece nenhuma dificuldade para o entendimento dos brasileiros e é coerente com a pronúncia usada naquele país - e continua sendo uma forma de identificar se o que tu lês é brasileiro ou não.

A língua portuguesa é uma ferramenta perfeita, as regras têm grande coerência entre si e as regras lusitanas definem a maneira de pronúncia correta das palavras, como havia quase acabado de dizer.

Aliás, se é para unificar, já existe o inglês que unifica até japoneses e argentinos.

E realmente não precisa, é como querer unificar Pelé e Garrincha num só jogador, que seria, pela média, o camisa 8,5. Não dá.

Foram usados textos de Oswald de Andrade, Fernando Pessoa e João de Lobeira para a composição da imagem.

I ♥ BBB

200826MarçoQuarta-feira at 11:55 am | In 2º caderno, crônica, diário, filosofia, gente, opinião | 3 Comments
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bbb8

Ou melhor, I ♥ final de BBB.

O ♥ não era p/ tanto. Mas eu gosto da final. Aceitei isso ontem. Quando apareceu a Pitty, deu até vontade de cair no clichê, falar mal dela, dos participantes, chamá-los medíocres , da manipulação (às vezes eu perco a paciência e penso que quem se deixa manipular pela TV merece ser manipulado) etc. Mas ontem, não sei se era o bom humor, mesmo os greatest hits da Pitty estavam divertidos, a despeito de suas verdades adolescentes à matrix de “pane no sistema”.

Ontem a fraqueza das personagens (concordo com o pessoal que ninguém em tese mereceria levar uma cifra de 7 dígitos assim, mas por outro lado, expor-se dessa maneira é preciso no mínimo coragem, ou um tipo de coragem, que seja, e muita boa sorte) privilegiou a final, a indecisão na decisão (que pode ser tudo armado como muitos dizem, assim como pode haver leptospirose nas latas de alumínio). Mas, no fim, gosto do rosto da Gyselle (com y e dois l) com uma cara de emburrada, triste e emocionada enquanto Bial a comparava com as feras, ao dizer que elas (e ela) só comem e dormem, e só não o fazem quando vão à caça – o que me fez lembrar que aquele rosto dos olhos negros e então entristecidos encabeça o mesmo corpo que dança incansável e furiosamente, um corpo belo, popularmente belo.

No último capítulo eles editam a história (real, de fato) que se passou e isso que me agrada. São recursos de narração os mais óbvios possíveis, de cinema despretensioso (no mal sentido) água com açúcar. Em verdade, os recursos de edição são os mesmos de uma colação de grau, com a diferença de que o material tem bem mais horas a serem editadas. E não tem de agradar família alguma. Só as felizes famílias regadas à pipoca após as aparições justamente de Juvenal Antena: aí valem as fofocas, barracos, corpões etc. E se na formatura eu me emociono ao mesmo tempo em que acho tudo meio brega, tenho a mesma sensação no BBB.

Lembro de quando o Rafael declarou-se para Mariana dizendo que não poderia a beijar pois estava com um problema no dente, ou ele sendo flagrado olhando para ela com candura depois de tanta promiscuidade (ele se aliviava individualmente sob os edredons), com sua voz em off dizendo o quanto gostava dela; ou o Dhomini dando uma de Romário na copa de 94 e ganhando o Brasil à base da marra; o nerd xaropão Tirso (que tornou-se adjetivo por uns tempos) desbancando um bonitão lá - é vida real empacotada, ou melhor, enlatada e artificializada, como uma lata de sopa de tomates Campbell.

Falando nisso, se o formato do programa submetesse-se ao seu conteúdo, aí seria moderno, e talvez por isso ultrapassado; mas ele é pós-moderno, consagra conceitos de tribalismo, superficialidade, caos, despretensão, igualdade de ofícios, falta de autoria. Trata a fama como magia. É a acomodação do que fora antecipado por Warhol (não se preocupem não irei mandar a dos 15 minutos) e por outros. Uma tribo de sonhos oficialmente assexuada, mas ordenada pela sensualidade, ratos de laboratório do esquemão George Orwell. E, no fim, paradoxalmente, seus atores são como poesias concretas, de forma e conteúdo convergidos; são como a eliminada Juliana, de uma beleza à qual não precisa se submergir, uma sedução menos de casa; é superficial da superficialidade da imagem, do rosto de Gyselle, que sorri, deixa de sorrir, até chora, mas sempre está a tentar ganhar 1 barão de barões.

Uma pequena tribo fútil, que só vê quem quer, e possui uma lógica própria que premia a casualidade (afinal muitos de nós se ficassem à vontade lá poderiam ser fenômenos nacionais, e vi tantos candidatos ótimos terem sido eliminados logo de início e outros pamonhas virarem lendas, até porque o BBB é feito de gentes comuns, tanto que é só comparar a Casa dos “Artistas”), ao mesmo tempo em que valoriza a reação mais que a técnica, que o talento, como numa Copa do Mundo. E como numa Copa do Mundo, as fórmulas se reformulam dentro dessa lógica própria, e certos desvios de sorte valem muito. O que enche o saco é o reflexo de uma popularidade chata, óbvia, que se vê na preferência do povo, especialmente quando se tem algum candidato favorito pessoal que não vence. Eu cheguei a esse ponto só uma vez: fui fã do Professor Aloprado. Àquela época eu acompanhei toda a parte final (TV aberta). Quando aparecia o Endemol Globo eu ficava até triste. Tanto que a edição posterior àquela, a do superestimado Alemão, eu abandonei. Donde só retornei na reta final dessa, mas sem a mesma assiduidade.

Agora, como uma coisa pode emburrecer, daí eu não sei. O Big Brother é um produto e como tal pode ser consumido como se queira: é como a coca (cola). Você pode ler Guimarães Rosa, ser mestre em xadrez (com o mesmo critério que faz de BBB um índice de superficialidade, dá para fazer de índices de certa erudição – tão clichês também) e assistir BBB. Xadrez também é um produto e pode não ter todo seu potencial utilizado. Evidente que João e o jogo milenar (para não repetir nomes) podem ser considerados abridores de mente por excelência, ao passo que o Reality Show (a fim de não reprisar títulos) pode confinar além de jovens sarados a mente dos mais bobinhos. Pode-se emburrecer com qualquer coisa. Assim como se pode se encantar com Rilke e João Cabral, com Décio Pignatari e tantos outros, eu gosto da poesia pop do Bial direcionada a dois nervosíssimos cidadãos sedentos por fama e dinheiro.

O Reality show joga limpo: eles estão ali para ficarem sumariamente milionários e todo mundo sabe, todo mundo aceita. Pior é quem ligava para dar 1 milhão para a Mara achando que estava fazendo uma boa ação, ô boa ação fácil. Mas que bom que ela pode ajudar a filha dela agora.

Mas não é p/ tanto (estou a me repetir hoje, em todos os níveis). Mesmo que pareça exagero o pessoal que passa o dia no Paper View e que trata cada paredão como reveillon, não é muito diferente de quem mergulha na obra e quer ler tudo que Balzac escreveu em detrimento de todo o resto. Estou me repetindo, mas só para afirmar que cada um faz o que quer.

Evidente que se a TV tivesse mais qualidade, manipular-se-iam as mentes para elas se não permitirem manipulação. E repito os parênteses lá de cima: quem se deixa manipular pela TV merece ser manipulado.

Só que a questão é essa: não dá p/ se exigir tanto. Como qualquer outra coisa que faz muito sucesso, o BBB gera ódio em muitos dos que não colaboram para tal sucesso. Eu mesmo tinha um anteprojeto de fazer um estêncil bbb6 no qual o 6 contaminava os b e virava um 666 – vi num livro de estênceis argentino uma idéia semelhante em relação à Xuxa (xxx, six, six, six, como dizem haver na música marquei um xis, um xis...).

E se hoje o Chaves del Ocho é clássico, é cult, o Big Brother Brasil o será nalguns anos.

E mesmo que seja um produto não da, mas para a burrice (quem se arrisca a definir burrice?), basta usar com moderação: uns instantes de “burrice” fazem bem, acalmam a cabeça.

Porém, no final do programa, eu enjoei um pouco mesmo, e hoje pela manhã recalculei o peso da exposição total na idéia de enviar um vídeo para a nona edição. Mas cogitei, afinal, eu sou brasileiro. E no fim (mas uma repetição – notem: BBB formato repetido, Campbell’s Soap, clichês… a repetição acabou tomando forma conceitual), foi só uma espiadinha (muito bagaça esse final, hein?).

Um bJoão e/ou um Grando abraço.

POST nº 2: 1º POST

200713SetembroQuinta-feira at 3:41 am | In crônica, editorial, filosofia, opinião, tempo | No Comments
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(ou post de estréia)

A vontade que me dá (e eu que a ela dou sustentação) é fazer uma retrospectiva 2007 e até mesmo 2006, parcialmente, ao menos, a fim de falar de todos os assuntos que eu perdi de falar aqui por não ter começado o aqui propriamente dito antes: William Bonner e o debate com maior número de regras da história; Campos de Carvalho; campos de futebol; Maria Augusta e Michael Moore, com inaplicável confronto dando larga vantagem àquela; superestimações; cotidiano impressionante; decepções; Bruce Lee; violência; cinismo por causa da violência; hipocrisia; coisas boas também; coisas bonitas também; Wittgenstein e a trasnvanguardia; Brasília; Rio de Janeiro; etc etc etc.

Enfim.

Bem da verdade que eu poderia decretar neste espaço um espaço-tempo indefinido e por tempo indeterminado, e é o que farei: entretanto perdi o fio da meada das notícias aquelas, embora deixe estabelecido por ter achado uma boa idéia o negócio do espaço-tempo. Portanto, feliz natal. (Já que natal é tempo de boas ações, fiquemos nele). Em suma, falar sobre tudo. Mas não agora, posto que o espírito da estréia (e isso é uma estréia) é estrear, é perder o medo de estreante e conhecer outros que não se sabia antes. Assim não tem nada que ver com a importância das palavras (1ª vez que eu escrevo palavra aqui – a estréia tem dessas coisas). E ela (a estréia, não a palavra) tem de ser cheia de erros (eros, se fosse um erro, aí faltando um r, erado, no caso, mas que Eros também é importante numa estréia). Pouco se lembra da estréia, então esse post ficará abandonado tal como um posteabandonado, mas com a lâmpada funcionando (essa invisibilidade da estréia me permite certas “tentativas”, para ser eufêmico, a propósito, 1ª vez que usa aspas aqui). Ou então teria de aqui fazer uma introdução: aí vão umas: “pois bem, não sei se vocês lerão ou não leram, se bem me querem, mal me querem, mas é de grátis, eu sou livre e posso falar. Pode ser uma notícia, uma crítica de qualquer coisa (até de uma crítica), uma imagem bonita”; ou aquela coisa “aconteceu? Pá. Eu boto lá (aqui, no caso)”, mas não seria o caso de tudo, pois há agências etc para esse tal de tudo; ou se fosse irônico “por bem (ou por mal) já que está aqui, leia. Ou ao menos veja, olha só, tem um monte de letrinhas”, ou se quisesse discorrer sobre isso diria “cada uma delas foi pensada por nações e povos inteiros para pertencerem a cada palavra. Cada uma destas se submete a regras, e as que estão aqui foram porque eu as aloquei assim”, ou simplesmente se eu fosse de citar Drummond eu diria “(…) e contempla as palavras” mas todas essas tentativas se verteram frustradas, pois não era eu e até mesmo este “não era eu” tem seu percentual alto de clichê, um pouco mais que o restante que divide também tais elementaridades. Donde quase seria levado a concluir (e a crer) na súmula de não ter o que falar – “pensa e só, boca fechada não entra mosca”. Pára e recomeça. Em tempo: próspero ano novo.

Renovar o sopro vital, ou simplesmente usar as resoluções reveillônicas (próprias de reveillon) p/ equivaler inércia a constrangimento e coagir mudanças. Honestamente eu queria mesmo um estado de espírito tão eufórico que me seria permitido almoçar chocolate sem os ônus químicos dessa ingestão incomum. Um estado de espírito do revés do stress (talvez a popular euforia), mas com um pouco de stress para não ser só euforia, entende? Evoluir (e isso não é uma ONG). Em vez de vestir-se no escuro ou usar a mão esquerda no mouse, utilizar o superestimado lado direito do cérebro (e o não menos lado esquerdo do peito) em planos de metas subjetivas, preocupar-se com as emoções. Ver o mundo de fora por estar tanto tempo dentro do próprio (ou mundo de dentro), o popular “seu mundinho”, do tipo “sai do seu mundinho, guri”. E eu, que posso ter quase 25, ou quase 30, ou 40, ou 90 me não importaria (como aquele correio eletrônico com power point espalhado pelo mundo e perdido nalgumas caixas de entrada que tem uma mensagem pregadora de atitudes pós-modernas inseridas na despreocupação que as mulheres mais velhas têm especificamente em relação à representação generalizada das mais jovens apresentadas nos slides anteriores, já que aquelas mais velhas usam chapéu roxo), eu aqui.

Fato: na minha própria esfera eu me sinto um amador (na conotação lusitana, inclusive, a mesma que chama desenhista de desenhador) em busca do que um amador (ainda em todos os sentidos) busca. Buscas (com o mesmo sentido de evoluir antes usado). Avante. Num vôo certeiro, em vez de um sistema de degraus, numa aventura vetorial que jamais ousaram ousar. E também defender a natureza. Salvar o Congo, a Amazônia, os tigres, a arte. Daí me vem e me cai a ficha da normalidade. E fica tudo normal, bem normal.Você já pode ter me visto no centro, por exemplo. Ou você já pode ter me visto como exemplo, por exemplo. Saber-se-ia daí que eu existo. Mas eu existo mesmo (pois penso, logo…), e uma prova disso é eu estar escrevendo isso (e você lendo, talvez). Mas o que dizer nesse espaço enorme (a tela em branco)? Posso dizer: há gente que vive de vender frutas. Ou colaborar com mais um relato pessoal e diário (ou quase diário, no que “constante” substituiria bem) para a nouvelle historie, ou estabelecer um canal em minha consciência, ou dizer-lhes que irão conseguir e que, mais que isso, e antes disso, eu vou conseguir. Há coisas (e aí eu repito o que era lá de cima que foi usado numa hipótese que não foi usada): pode ser uma crítica, uma cena, uma pessoa etc, há coisas que eu vejo/ ouço/ sinto/ penso/ percebo etc que me dão vontade de contar, opinar, nas quais eu me sinto mesmo um amador – isso vos garanto de meu próprio punho. Dia desses, por exemplo, achei um xampu com cheiro que me lembra alguma coisa, alguma coisa mesmo.
Um bJoão e/ou um Grando abraço

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