rapsódia dominical atrasada de atraso justificado
20085JulhoSábado at 2:27 pm | In crônica, diário, hojes, opinião, tempo | No CommentsTags: 11705/08, 11705/2008, 9503, amy whinehouse, brasil, caes, cao, codigo de transito brasileiro, contemporaneidade, contemporaneo, cotidiano, crônica, ctb, diário, direito, filosofia, governo, lei, lei 11705, lei 11705/2008, lei 9503, lei seca, lei seca no transito, modernidade, mussum, opinião, ordem, pensamento, pensamentos, polêmica, progresso, prosa, rilke, rosa sem espinhos, selvageria, texto, tigre, tigres, tolerancia, tolerancia zero, transito, tv
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a Eliana (a dos dedinhos, a de se pôr a mão inteira, as palminhas também) de domingo último (que já não é mais o último, ao longo do texto explico) um cão adestrado, que são cães que não comem carne, somente ração, não no chão, mas na mão (as paupérrimas rimas – ou riquíssimos ecos – são para reforçar o tom de sempre que se tem nisso, poema pobrão, pobraço – e probidade, aproveitando a deixa, que se tem nisso), a fim de que equivalha a um prêmio. Por outro lado, a lei 9.503, o CTB, Código de Trânsito Brasileiro, alterada pela lei 11.705/2008, não determina que se dê dinheiro ou que se dê isenção (e normalmente não se dá nenhum dos dois, no máximo um descontinho no IPVA antecipado) para quem sempre foi certinho, para quem, quadrado, nunca bebeu uma gota de álcool porque ia dar uma volta na quadra (à esquerda 4x ou à direita em igual nº) para secar o carro. O fato que a única coisa que eu sabia que fazia as pessoas não beberem era o antibiótico. Agora esta lei.
No domingão do Faustão (paupérrimas rimas calham aqui também) tigres que não comem carne, tigres domesticados, que são tigres de Kanchaburi, que são tigres cuidados por monges, se é que são os mesmos constantes na revista Discovery Magazine de outubro de 2004 (um ano que durou mais de um ano para mim) edição nº 3 (3 de outubro eu nasci, mas não de 2004, pois teria 4 anos ou este ano faria 5 na data dita, o que me tornaria um fenômeno do crescimento) por cuja posse paguei oito reais e noventa centavos (R$ 8,90). Digo isso porque eu via o imortal se firmando como líder do campeonato num aparelho televisivo, e isso dos tigres aparecia no outro, pois estava num bar por não ter querido ir ao campo naquele dia, e bares têm mais de uma TV, e distribuídas em mais de um canal pois nem todos são gremistas, e nem todos gremistas querem ver o jogo do Grêmio. E vi porque tigres são fascinantes, fascinantes, são cânceres da natureza, então digo tudo isso pois assisti à matéria sem som, e com a atenção (tensão não houve, pois os tigres estavam dentro da televisão e o tricolor vencia fácil) permutada entre uma TV e outra.
No ZH, Marcos Rolim mui oportunamente falava da vergonhosa demissão do motorista do Palácio Piratini. Vide vós que andei pelos veículos populares (não me refiro aos carros mil, ou carros mis, se houvesse plural neste mil-adjetivo) e sim a isso que me referi (TV aberta, jornais de maior circulação em suas terras).
Em suma, aqui são episódios de domingo último, dia vinte e dois de junho de dois mil e oito (22/06/2008), portanto um texto atrasado, mas o tempo me não importa muito, não nesse sentido, de sucessão, de ordem, de medida, de mensurar informações, pois elas cá estão ainda. E se me proponho a falar do ônus da ordem nada melhor que me livrar dele.
E finalmente o atraso justificou-se justamente por causa dele: hoje, já quinta-feira (que devido a novo atraso não é mais hoje, mas sim semana passada, e agora, neste momento, terça, dia 1º de julho de 2008), já passadas mais de 96 horas do domingo (e agora horas e horas), antes de sair de casa ouvi uma reportagem que quem via era outra pessoa a respeito de uma rosa que nascera espontaneamente sem espinhos em Fortaleza.
Uma rosa sem espinhos.
Chamam-na Iracema, homenagem à sedosa pele da célebre personagem de José de Alencar (s/ “de” é o Ilmo., ou V. Ex. a., ou ainda “apenas” Sr. Presidente em exercício quando o Lula não está, ou simplesmente o vice).
É certamente umas das metáforas-chave, essa da rosa ter espinhos.
E neste caso ela não tem. Uma subversão-chave, diria, com propriedade de quem disse o que agora mesmo disse.
Era uma verdade, uma regra quebrada. E neste caso, a regra quebrada metaforiza a regra instituída: tirar os espinhos da rosa.
Voltando àquele domingo, no domingo meu, de vida privada, meu avô, o seu (não seu de teu, seu de Sr. (ou V. Ex. a., ou Ilmo., tanto faz, tipo seu Madruga) Marcolino, disse (o que era para ser epígrafe deste):
“Se eu bebo um copo de vinho não me muda nada.
Agora, se eu tomo um tanto assim (indicou com o dedo o equivalente a menos de 100 ml, acredito) de cachaça, não é que me dê sono nem nada, me dá coragem.”
Seu Marcolino
Meu patrão na repartição disse o seguinte na segunda seguinte àquele domingo:
“Eu não gastei um centavo este final de semana (isso num contexto que, mais que dar a entender, dizia (entanto sem todas as letras) que foi porque teve de dirigir e portanto não bebeu). ”
Meu patrão na repartição
Vide vós as vantagens da vida regrada. Do cão não comer carne.
A colheita da lei (da ordem) já aparecendo. E da ordem para o progresso, como diz a nossa bandeira, ou pelo menos a bola (esfera) azul que há no meio dela, segundo a qual eles, a ordem e o progresso, podem ser mesmo considerados uma dupla, enfim, dela para ele é um tapa.
Já vislumbro novas leis: a proibição de quaisquer tamanhos (e não somente a mini, que por sinal nem é proibida) de saia para evitar brigas em bares, para evitar ciúmes e conseqüente atos violentos e conseqüente homicídios culposos e/ ou dolosos.
A proibição de garotas (algumas) gostarem de rapazes rebeldes (alguns), a fim de evitar que rapazes empinem motos, bicicletas, pipas (o perigo da rede elétrica), executem saltos mortais em piscinas (perigosíssimo) e tantas outras façanhas apaixonantes dignas dos mais interessados e interessantes olhares femininos.
É certo que a estética canina carrega consigo o sacrifício, vida de cão, underdog, cão do caralho, eu não sou cachorro não, e o sacrifício remete a treino, que talvez seja a palavra que eu deveria ter usado, claro, sacrifício para alguns, mas confinamento de atividades num modo geral. Então o cão do lobo foi-se disciplinando (uma miríade de anos treinando, até na sua indisciplina, de cometer erros, aproximando-se dos humanos e à imagem e semelhança (em tentativa) desses) até tornar-se cão. E os cães são potencialmente piores que crianças, são piores até que a Casadovinho (tema a ser abordado em seguida), e o que os faz ficar bem é o cumprimento das ordens, é o que, oprimindo-os, torna-os melhores.
E além disso a lei incentiva o transporte coletivo, o táxi (uma coisa meio NY), posto que ninguém quer ser motorista, especialmente conduzir ébrios no próprio carro sem poder se tornar um deles – nem a opção de, na impossibilidade de ir contra, juntar-se ao inimigo. E talvez o mesmo faça com a boêmia local, ir a festas a pé no próprio bairro, até o momento de proibirem andar na rua bêbedo (ok, está foi uma ironia exagerada e, portanto, devido à semântica dessa palavra, desnecessária). Já não se bebe mais em estádios no RS, e quase tivemos ano passado Grenal campo único, quase vira no seio de seu espetáculo maior só GRE ou só NAL. Pois sim, se não bebermos quando dirigirmos não haverá problemas.
Algumas abstenções sempre fizeram bem aos budistas, aos militares, aos abdominais definidos entre outros felizes exemplos.
Mas há ossos do ofício. Há mesmo mortos do ofício.
O rei do Chapolin, o rei que ganhou a roupa que só os inteligentes podiam ver, que em verdade me fez lembrar o Hans Christian Andersen, que em verdade tal rei, o Rei Nu, era seu, e fora adaptado por Roberto Gómez Bolaños, assim como o foram Chaplin (ou melhor, Carlitos) e Peter Sellers (ou melhor, Inspetor Jacques Clouseau), por isso, sem desmerecer o grande trabalho do Chave del Ocho, eu prefiro o Carlos “Quico” Villagrán, que aliás fez, e muito bem, o papel do rei pelado, pelado de inteligência, inclusive, pois não via o tecido, ou astúcia, pois não percebeu a fraude, porém, voltando ao que dizia, penso que não se tratava efetivamente de tal rei, pois o monarca que eu tentava lembrar e lembrei o rei nu, era em verdade um rei que fazia uma lei conforme as coisas sucediam e é bem famoso justamente por este hábito e me ocorreu que como eu confundi talvez confundira-se o Hans Christian Andersen ao pensar que o rei de Roma cuja roupa o rato roera era o rei da roupa fraudulenta de sua imaginação tão fértil que teve esta imagem semeada como se idéia dele mesmo fosse.
Uma colega minha cujo nome não citarei mui oportunamente me informou que eu deveria trocar meu carro, o qual eu adquiri em 2006, apesar de ser modelo/ano 2005, e mesmo na concecionária e 0 o quis assim, atrasado, pois era o modelo de minha preferência, enfim, o meu, o Trovão Azul (homenagem a um peixe beta morto pela sua esposa na infância em vista da nossa ignorância em relação aos hábitos acasalares de tal espécie), já teve seu 2º aniversário comemorado, beira os quarenta mil km, já tem suas marcas, por isso tudo oportunamente me disse a inominada colega que ano que vem vem o novo modelo, que na Europa já seria velho, ou ao menos sabido, mas sabido, no outro sentido, é o meu, que sabe me deixar o levar aonde eu quero quase automaticamente e já esconde as coisas que eu esqueço quase como se soubesse isso também. Virão novos Clios (que também é uma das nove musas, aquela que carrega um moleskine escrito Thucydide na capa, que inventou a guitarra, e que pode bater no peito de dizer eu sou a musa da criatividade e da história – essas duas realmente andam muito próximas, se pensarmos na invenção de histórias, bem como nos atos que fazem alguém participar da versão real da história, aquela ciência humana, no caso). Sim, novos Clios virão, mas não novos trovões, pois trovões são meio que raios, e portanto não repetem seus fracassos, sucedem num lugar só, seu sucesso muito se deve a seu fracasso, então, a este tipo de fracasso sempre inédito, então novos trovões não vêm, ou o ditado está errado, ou foi ditado errado.
Se eu acatasse o conselho dado (e não vendido) pela minha colega, isso me deixaria mais rico, mais avançado, mais progredido – tudo o que uma nação ou qualquer lugar que mantenha uma bandeira gostaria de ser. E me deixaria sem meu Trovão.
Trovão é chamado também o rugido dos tigres.
Mas a quem e para que ruge um tigre vegetariano, ou onívoro, ou mantido a rações, que seja? Que, nascendo, tendo sido planejado para matar, não mata?
Um tigre sem garra é uma coisa triste demais; porém um tigre com garras que as olhando se pergunta para que as tem talvez seja duas vezes mais triste, ou talvez pior ainda o tigre que caça bolas e nem sabe que poderia estar vivendo do que brinca, estar caçando um antílope, ou até um búfalo, ou até um urso, com a emoção de ter de vencer para comer, ter na caça a vida em vez do hobby, e este é o caso mais triste destes três tigres tristes e porquanto seja três vezes mais triste, já que antes foram duas e simples.
A Amy Casadovinho está p/ lá da casa do caralho, ou para lá de Bagdá, ou Marrakesh, enfim, isso segundo a imprensa, e me surpreende até que haja surpresa nisso, que isso não é novo, e os jornais chamam-se NEWSpappers, embora em português seja Jornal (diurnale, de diário – e, sabemos, nem todos os dias são diferentes). Enfim, novamente, a moça de voz tão bonita (ou a voz de uma moça tão inquieta) faz coisas que a maioria das pessoas não acha bonito, mas para ela creio que seja, senão não faria. O prazer sempre é bonito para quem o sente, mesmo que por fora possa parecer feio ou ridículo. “Deixa ela (sic.) quietis”, diria Mussum, ou beberia mui felizmente da sua bebida (hic)(de soluço). Coisa que nenhum dos dois deveria ter feito tanto (e tampouco Vinícius, e todos os exemplos que vêm em flash nas nossas cabeças), mas talvez se não tivessem feito não falaríamos deles agora, ou daqui a pouco, que seja.
A (in)conseqüência da vida selvagem, do tigre comer carne.
Sua ordem é a selvageria. É com a selvageria que os animais se organizam melhor do que nós, a menos que nosso caótico sistema seja um organismo organizado se visto de fora, sem as sensações de quem o sofre por dentro, stress possivelmente dividido pelos animais também dentro de seu sistema que externamente parece perfeito (como dizem, a natureza é perfeita).
Se a ordem comum dominasse a Whinehouse talvez ela prendesse sua poderosa voz, seu harmonioso trovão. Muito do que ela faz é proibido. Mas a quem quiser lhe ordenar, ela ruge:
No, no, no.
Não, não, não.
Na, na, na,
ni, nã, não.
Havia um velho que sempre passava o dedo no gargalo da garrafa de azeite de oliva. Sua esposa igualmente sempre dizia que era uma falta de educação para com os outros presentes à mesa. E é em defesa dele que eu falo um pouco – a coisa brechtiana de margens opressoras com caras de santinha.
Como o punir?
Se ele faz o que lhe é de instinto fazer, exerce seu prazer.
Tire as crianças da sala, não mude a sala por causa delas.
As crianças que sejam protegidas. Os não-fumantes que fiquem nas salas fechadas. Os incomodados que se retirem.
Porém no escuro de cinema eu ainda mato um mastigador exagerado de pipoca.
Então o chupador de azeite de oliva incomoda.
Como o punir?
Aí vem a lógica do velho do saco. E quem quiser o desafiar que desafie.
Controle da selvageria tem de ser moderado, para que a selvageria se modere espontaneamente, sob pena de, oprimida, ela, como uma mola, voltar-se mais e mais forte contra quem a impede, contra quem a impele não poder ser.
O bom senso cuidaria disso. Mas no Mc, se sai um pedido errado, eles jogam no lixo, jogam dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebolas, pepinos e pão com gergelins novinhos direto no lixo. Do contrário o pedido errado seria objeto de ocorrência intencional com fins de benefícios ilícitos, do tipo levar um nº 1 grátis, ou uma batata média, ao menos. E eu aposto com vocês que ia dar muito. Infelizmente. Então nosso bom senso precisa ser censurado, sob pena de virar bagunça. Ou espinhos, talvez.
Precisamos da lei. Evidentemente. Precisamos de punição severa para quem se torna uma arma letal no trânsito (ou em qualquer outro lugar). A parte da tolerância zero não é boa, aliás, a tolerância zero à parte – tolerância zero é piada, e piada da cômica personagem do cômico finado Milani.Tolerância existir sempre é bom, o seu excesso é tão ruim quanto qualquer excesso, e sua falta é tão ruim quanto qualquer falta.
Alguma alcoolemia ao trânsito não nos fará mal. E querem resolver com a lei a várzea que era até agora. Pouco puniram indivíduos realmente assassinos em carros com o rigor que vem sendo punidos os copos de cerveja, as taças vespertinas de vinho que fazem bem à saúde e os brindes de champanha.
A minha colega é super legal, mas como ela vem se meter na minha vida?
Como esta lei da porra me aterroriza?
Não mais (talvez) poderemos tomar uma e voltar para casa devagarzinho, quase parando, tomando cuidado.
gancho = metáfora : trovão tigre três coragem outubro (revolução) proibido atraso mudar ordem progresso atraso bola opressão tolerância selvageria flor nascida espinhos rosa domingo tv regrada quebrada erudição etc
Eu pensava no fim do (daquele, agora) domingo no poema I, 3 dos Sonetos a Orfeu, porque o havia lido, na rima ABABCC (na tradução de Augusto para o português BR, a língua brasileira, que o próprio Augusto vem ajudando a construir) vs. ABACBC (original de Rilke), e na materialidade, ou somente no movimento mesmo, das palavras próximas alento/ vento, Verrint/ Wind. E num poema quase seguinte a este, o I, 11, da conjunção dos astros e alegria por crer na ilusão. “Vem que a felicidade mora aqui, tudo é ilusão” cantaram também no domingo popular da televisão aberta do nosso Brasil, Didi e Dedé, juntos novamente, como a ordem e o progresso. Agora falta só o Dadá Maravilha, o Dodô artilheiro dos golos bonitos e algum Dudu por aí, e daí teremos um quinteto vogal, que poderá ser vocal ou de qualquer outra atividade.
E no fim da grade televisiva comercial daquele domingo um programa local o Tele-Domingo (o qual há tempos não assistia por me deixar depressivo ao lembrar-me da segunda-feira vindoura e conseqüente tédio incutido nela por causa de um sistema rotineiro de aquisição de dinheiro), que, aliás, talvez seja o que de melhor a RBS nos dê, dava uma reportagem sobre eutanásia animal, e eu penso que o cão pela incondicionalidade com que se entrega é realmente o melhor amigo do homem, e não poderia o Uísque ser sua versão engarrafada, posto eu ter pensado (e citado – o nome, não alguma frase) em Vinícius lembrei-me disso, pois antes disso o homem é o melhor amigo do Uísque, até por ter lhe dado a vida ao lhe libertar dos grãos, o contrário do que fez com o cão, de cujo qual privou-lhe a selvageria (mas talvez tenha o libertado do lobo e talvez o uísque também seja incondicional).
E parei em amigos pois falávamos (se considerarmos isso uma conversa) em cães, e falei (ou falamos, então) em Didi e Dedé, Quico e Chaves, amigos que foram e voltaram, que são mas não foram muito tempo e hoje aqui no centro de Canoas cantavam a música Amigos para Sempre naquela versão brasileira, aquela da primavera ou qualquer das estações, e isso, hoje, 4 de julho, ajude a justificar o atraso. E o atraso é também um recurso conceitual que lanço mão não espontaneamente mas me apropriando do acaso como Pollock talvez tenha feito da tinta e tantos outros exemplos, pois a maioria do que aqui escrevi relativo à lei seca no trânsito foi no calor da hora, e isso permanece atual, há notícia todo dia, é a Isabella Nardoni do momento.
E o Hababaca, fora a coisa de nos trazer o drástico de Bufallo Bill para nossos tempos, fora a coisa de mostrar que a realidade da morte não é tocante, pensemos no exemplo do cão: o cão não se sabia preso.
Talvez não saibamos o quanto estamos presos.
Ou não valorizamos o saber de estarmos vivos. E livres, do que se pode dizer ser vivo por excelência.
Então é preciso viver urgentemente. Ou libertar-se para isso, também urgentemente.
Transformar a pressa em prática, em coragem continuada em vez de pessimismo adquirido, ou invés mesmo, pois isso semanticamente simboliza o contrário (ao invés de ir, voltou, descer, subiu) para poder desamarrar-se, para não morrer.
Pois amarrados morreremos. E morremos aos poucos.
O que faz do ser humano ser mais humano?
O ser humano vem sendo domesticado.
O cão é mais cão quando é mais lobo ou quando é mais gente?
O cão é cão porque não é completamente lobo e porque não é completamente gente.
O ser humano para matar ou para criar uma obra-prima desvia-se do mesmo modo do comum.
Abster-se do comum para se extremar. Abster-se do comum imposto.
E ainda assim humano.
E emerge do coração uma necessidade de erudição, de se livrar da TV aberta, da janela aberta que nos encerra nela. Uma jovem nua para um jovem padre. Uma doce flor aflorando bonita e cheia de adjetivos e pleonasmos. Para verter o processo contrário, e resgatar verdades da profundidade atemporal e não imprimi-las em superfícies sazonais. O sacrifício pela beleza, nem que seja uma beleza que sirva a mim mesmo, somente, o sacrifício de criação.
A Arte é uma ferocidade.
A maneira de achar felicidade é a ferocidade de cada um.
Du mußt dein Leben ändern.
A abstinência faz dos cães mais cães e dos tigres menos tigres.
olho (ou olho por olho) no Bida
20089MaioSexta-Feira at 2:41 pm | In opinião | No CommentsTags: brasil, assassinato, noticias, culpa, geral, crime, castigo, ultimas, justica, bida, freira, dorothy stang, para, fazendeiro, dorothy, irma, irma dorothy, vitalmiro bastos de moura
O Bida, o tal Vitalmiro Bastos de Moura, foi absolvido da acusação de ser o mandante do assassinato de Dorothy Stang esses dias, não sei se não foi anteontem. O fato de este resultado ser exatamente o contrário do de antes (ou seja, a acusação) é no mínimo estranho. Não acompanho o caso, mas uma coisa eu sei: o casal Nardoni provavelmente não ia matar mais ninguém, mas estes fazendeiros que mandam (notem que não usei vírgula, especificados, os fazendeiros, portanto) à sua maneira nas terras setentrionais continuarão fazendo o que querem lá. Então é muito perigoso. Então se há vestígio de alguma impunidade aí, atentem-se, reclamem-na tanto quanto possam, a freira velhinha recebeu abrupta e covardemente o termo de sua vida também. Pobre dela. Peçamos JUSTIÇA, no sentido burocrático e na esfera social, neste caso ela será muito útil.
faz-me rir, brasil-zil-zil
20085MaioSegunda-feira at 7:06 pm | In gente, hojes, opinião | No CommentsTags: brasil, isabela nardoni, nardoni, caso nardoni, isabella nardoni, caso isabella, noticias, isabela, cotidiano, noticia, geral, domingo, atualidades, ronaldo, travestis, adelir de carli, padre voador, povo, atualidade, hoje, semana
Sabe o que ia ser muito engraçado? Se descobrissem que realmente houve uma terceira pessoa no Nardoni’s defenestrações. E nem precisava ser o André travesti do Ronaldo. Imagina a voz do povo (enquanto voz de deus) gritando “puta que pariu, linchamos as pessoas erradas!” Aí o povo teria de gritar em coro (como gritou Lula lá porque o Lobão chamou no domingão em 89, como gritou Collor, Collor no Raul Gil no tirando o chapéu) para que eles ressuscitassem, contando que sua (ou Sua?) voz realmente possuísse o status da do todo-poderoso – nem que fosse para chamar Jesus, tipo “filhão, dá um jeito nessa porra aí p/ o Pai”. Mudemos de assunto, o assassinato já deu o que tinha de dar. Afinal, tão incomum quanto um pai matar a própria filha é um pai amar a própria filha e constituir família com ela. Ou terremoto no Brasil. Ou um padre voar 5.000 m com balões. Ou o Ronaldo, com aquela namorada, com tantas outras na lista, ir dar um rolé com uns parceirões. Que coisa o Ronaldo, hein? Provavelmente ele não sabia que elas, os travestis, estavam travestidos de mulheres, mas não eram mulheres. Aliás, uma curiosidade é que é “o” travesti, mas todo mundo fala “ela” – penso que para ser democrático(a) com os dois gêneros dentre os quais visualmente flutua. Mas foi, segundo o próprio, o pior erro da vida de Ronaldo, que anunciou ontem em rede nacional que é humano. Mas sem chance, o povo não perdoa: castigo para ele também, junto com o padre, que quis voar (aliás, Bartholomeu de Gusmão deve estar se retorcendo no túmulo a fim de deixar o mesmo e correr atrás dos seus direitos de uso da alcunha padre voador), e com o Rubinho 257 GPs Barrichello, que apesar de nunca ter se envolvido publicamente com a prostituição, especialmente com colegas de cromossomos Y, é um péssimo exemplo por não ter substituído Senna à altura, missão, aliás, que qualquer brasileiro, como vencedor que é, faria s/ maiores dificuldades. Qualquer um no lugar do Rubinho venceria todas e desobedeceria aos patrões – como todos fazem dia-a-dia atrás de seus sonhos em cada atividade trabalhista ao longo do nosso Brasilzão; ninguém no lugar do Ronaldo correria atrás de um pouco de promiscuidade, especialmente os jogadores de futebol e os ricaços, eles nunca fazem isso. Aliás, realmente não sei como há tanta demanda de prostituição se a procura praticamente inexiste. E ninguém também sairia irregular com seu próprio veículo, como o fez o fiel depositário do próprio mal o capitão que naufragou uma galera na floresta Amazônia ontem – ponto para os certinhos. Ontem também, na sua revista eletrônica semanal, o Fantástico, houve uma matéria sobre uma faculdade do Rio de Janeiro à qual não irei citar pois a Globo – que tem um Ibope relativamente maior que o meu – já tratou de queimar o filme (mas é a Unigranrio) que teria uma porção de alunos do ensino fundamental estudando lá se fosse possível os matricular pois eles conquistariam vaga no vestibular se tivessem capacidade legal para usufruir da aprovação nele como já havia dito. Mas fica a pergunta: onde os burros, os que têm preguiça de estudar, os azarados, os que não tiveram condições e outros tantos fariam faculdade? E quem preencheria as vagas de funções medíocres que o mercado demanda? Como cumprir funções que exigem a mesma falsidade com que foram conquistadas? Onde os profissionais medíocres especializar-se-ão em mediocridade? Pensemos. E esperemos pelos próximos heróis e vilões do povo, e pela permuta entre estas duas condições das personagens que o povo vai ou não com a cara (ou vê ou não na imprensa). O Brasil é engraçado, ouve-se muito isso. O Pânico na TV fez uma tomada na frente do puxadinho da Hebe (medido em quarteirões). Cada carro que aparecia… Tudo bem o Michael Jackson ganhar tanto dinheiro, mas tinha uns ali que não havia explicação. E muito do povo nem se fala. Nem precisava o Vesgo e o Sílvio lá para ser engraçado.
O Brasil é engraçado, mas o resto do mundo o é também (donde temos a manchete da semana).
nardoni vs. richthofen
200822AbrilTerça-feira at 2:38 pm | In gente, opinião, religião | 8 CommentsTags: brasil, hipocresia, opinião, isabela nardoni, nardoni, alexandre nardoni, matricidio, parricidio, suzane von richthofen, suzane richthofen, caso richthofen, caso isabela, caso nardoni, isabella nardoni, caso isabella, alexandre alves nardoni, anna carolina jatoba, assassinato, policia, noticias, isabela, isabella, culpa, quem matou isabela, quem matou isabella, noticia, imprensa, geral, crime, castigo, confronto, vs
Imaginem se fosse Alexandre Richthofen ou Suzane Nardoni? Ou seja, se fossem pai e filha? Quem seria o mais rápido? Quem levaria a melhor? Qual técnica prevaleceria, o arremesso de descendentes ou o sono eterno dos ascendentes conquistado a ferro? Matricídio + parricídio vs. defenestração de cadáver infantil?
Alexandre Nardoni
vs.
Suzane von Richthofen
Outras questões a serem refletidas: quem você levaria para o céu?
Quem você perdoaria? Em quem você meteria um chumbo na cabeça? A quem você daria a prisão super-perpétua, aquela que dura até a eternidade, até a vida após a morte? Quem merece o dente por dente, olho por olho? Quem você traria na próxima encarnação de parente p/ o seu pior inimigo? Quem é o melhor coadjuvante, os irmãos cravinho cravando ou a madrasta pior que a madrasta da Branca de Neve? Quem teve mais cobertura da imprensa? O que vale mais, omitir um erro brutal ou matar por “amor” (entre muitas aspas)?
p.s.: segundo dizem, ou Jesus, ou a Bíblia, ou a igreja, ou a moral e os bons costumes: não julgueis. E se for dirigir, não beba.
jogador camisa 8 e 1/2
200810AbrilQuinta-feira at 4:45 pm | In 2º caderno, opinião | 4 CommentsTags: 1990, abaixo assinado contra, acordo ortografico da lingua portuguesa 1990, acordo ortográfico, acordo ortográfico da língua portuguesa, brasil, cultura, lingua, lingua portuguesa, linguagem, ortografia, polêmica, portugal, portugues
Nem falarei muito agora para não falar muitíssimo - fá-lo-ei em outra hora - posto que posto a fim de divulgar o abaixo assinado para assinarmos e assassinarmos a idéia de unificação da língua portuguesa, porque o objetivo não será cumprido (dentro do Brasil mesmo se falam portugueses diferentes).
Não conheço a história dos abaixo assinados, não sei qual é seu desempenho médio, mas sou fã dos acentos gráficos (todas as proparoxítonas devem ser acentuadas graficamente) que não devem ser alterados, mas outras regras importantes talvez serão.
O engraçado é que o site é in english, ou seja, Name Required etc. Mas é porque é um site (sítio!) mundial.
E aqui eis a proposta de alterações, para ninguém assinar sem ler.
E aqui o que está em vigor.
São alterações que mudam mais a gramática lusitana, que penso deve ser preservada como está - até porque efetivamente não oferece nenhuma dificuldade para o entendimento dos brasileiros e é coerente com a pronúncia usada naquele país - e continua sendo uma forma de identificar se o que tu lês é brasileiro ou não.
A língua portuguesa é uma ferramenta perfeita, as regras têm grande coerência entre si e as regras lusitanas definem a maneira de pronúncia correta das palavras, como havia quase acabado de dizer.
Aliás, se é para unificar, já existe o inglês que unifica até japoneses e argentinos.
E realmente não precisa, é como querer unificar Pelé e Garrincha num só jogador, que seria, pela média, o camisa 8,5. Não dá.
Foram usados textos de Oswald de Andrade, Fernando Pessoa e João de Lobeira para a composição da imagem.
brasil
200820FevereiroQuarta-feira at 10:47 pm | In máximas/aforismos | No CommentsTags: brasil, o brasil e o pais do futuro
O Brasil não é o país do futuro porque o futuro é agora e o Brasil eu conheço não é de agora.
Ó PÁTRIA AMADA
200710DezembroSegunda-feira at 3:09 am | In 2º caderno, gente, risos | No CommentsTags: brasil, dom pedro, gente, historia, patria, patria amada, pedro II, personagens do brasil, política, portugal, princesa isabel, tiradentes
mãe maldita retardada tem de morrer
200712OutubroSexta-Feira at 8:38 pm | In crônica, femme, gente, opinião | No CommentsTags: abandono, bebe, brasil, castigo, crianca, crime, crime e castigo, culpa, dia das maes, filho, hipocresia, mae, mae maldita, noticia, opinião, televisao, tv
Logo cedo dia desses, o apresentador dizendo que não entra na cabeça dele como uma mãe abandona o filho (evidentemente uma mãe havia abandonado um filho em circunstâncias suficientemente desumanas para virar notícia, e ele comentava a respeito).
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