1 minuto antes das 13h há 4 anos, 2 meses e 1 semana atrás
20085JulhoSábado at 2:36 pm | In alt+3 ou ♥, femme, joão-lírico, tempo | 2 CommentsTags: amor, texto, poesia, poema, paixao, declaracao, vinhos, vinho, sensibilidade, violino
—–Mensagem original—–
De: Joao Grando
Enviada em: quarta-feira, 28 de abril de 2004 12:59
Para: ****************
Assunto:
Esta mensagem é efêmera, tem validade somente por esta tarde, caso não lida no prazo certo, cumpra-se uma regra agora arbitrariamente posta: determina-se que não haja prescrição nos casos de entrega de pão quente e flores recém colhidas do mato, bem como correios eletrônicos enviados em virtude de tardes muito bonitas, aplicar-se-á o mesmo para anotações explicitadas verbalmente, em qualquer hipótese. Também, que a tarde hoje será bonita, já que a manhã já foi e eu irei almoçar brevemente para degustá-la, isso, aliado à noção não oficial do que lhe é indiscutível e patente, obrigou-me a fazer um comentário um tanto vago, muito lírico, um pouco óbvio: se tudo é metáfora, então nos resta não fumar, dançar diariamente [teu amigo "Nitch"¹] e andar bastante de pés descalços.
Há uma sensível diferença entre os vinhos, mas é a sensibilidade que faz o violino tocar.
sobretudo sob nada
200819JunhoQuinta-feira at 8:19 pm | In crônica, femme, hojes | 1 CommentTags: Add new tag, agua, canoas, cotidiano, crônica, frio, gelo, hoje, moda, mulher, nudez, ranho, remelo, roupa, roupas, sobretudo, temperatura, tempo, tendencias, texto
4ºC em Canoas anteontem. 4 “cê”, 4 centígrados. 1, 2, 3, 4, mais nem um. Lembro-vos que a água (aquele líquido que bebemos um pouco para ñ morrer e muito para viver) congela, vira pedra, vira em cubos uma ferramenta para gelar a própria água com quatro pontos menos. Imaginem no Chile, nos Andes, na Antártida, em Dublin há uns meses atrás.
Os poucos Celsius mudam a paisagem, mas, no caso de Canoas, sob cujo céu durmo e muitas vezes acordo, sobre a qual não neva (mas já nevou na década de 50, segundo os velhos) muda mais a paisagem vetorial, que são os seres, vivos, obviamente, mas também porque não os mortos que talvez durem um pouco mais (?).
Ex.: mulheres. Um padrão se determina: põe-se mais roupas. Umas aproveitam para ficarem ridículas, outras para ficarem capas de revista. Isso se se falasse como o povo pensa, pois é o que os olhares (refiro-me aos olhares de intenções instintivas, ditas más, e não àqueles que tiram das coisas outras coisas que não estão tão evidentes (sim, a poética etc.)). As “ridículas” se parecem crianças, bebês cheios de roupas, empacotados com o CUIDADO FRÁGIL que nem na propaganda antiga. E não raro usam moletons do Mickey falsificado (ou moletons falsificados do Mickey verdadeiro).
E assim elas ficam bonitinhas (que não é feia bem arrumada como dizem, é bonitinha, um bonito não tão urgente de consumação, ou ainda uma consumação homeopática).
Então não só uma questão de invólucros: a beleza está também na disciplina de se erigirem indefectíveis e assíduas numa manhã que começaria só ao meio-dia de acordo com a vontade dos cobertores (um acórdão, pelos comentários hoje foi foda sair da cama das pessoas); há também na insegurança em não sair mais desarrumada, na noção estética da escolha das roupas ou ainda na manipulação das tendências captadas em revistas ou noutras moças. Ou está justamente no ponto contrário, no desprezo a isso tudo, ou numa esfera ainda mais relativa na boa ou má sorte da exceção: não só a de quem não teve tempo e saiu um dia com um ramelo gelado no olho ou um ranho congelado no nariz, como também a da virada para lua de quem resolveu sair bem para arrasar (a partir de) hoje (no caso, naquele dia, dia 17 de junho).
E, claro, sobretudo no que está sob todas as roupas, e em como estas todas sobre ela influenciarão na noção que se terá sobre ela quando ela estiver sob nada (s/ sobre ela que ia ficar bagaça a fu).
Uma orelha não pode ser alterada. E poucas coisas o podem numa mulher, especialmente sem um intervalo de tempo devido, que é o existente entre vê-la com e sem roupa, geralmente. Nestes dias frios, a nudez é como a menor boneca de uma boneca russa, abaixo de vários outros modelitos que se revelam conforme o dia fica menos frio.
Sob nada elas seriam o que são. Sob nada que elas podem guardar surpresas. Pouco muda, neste caso (nesta paisagem), devido ao estado atmosférico: uma veia, uma coloração mais ou menos rosada ou vermelha por causa da temperatura. O que muda é a temperatura mesmo, o humor, e aquelas coisas que os olhares (não os instintivos, não o do pessoal que olha as bundas como eu deixei subentendido com a palavra instintiva umas linhas (quiçá parágrafos) acima) captam. E, voltando ao visualmente, tudo o que ela fez e escolheu antes, pois a nudez só fica nua depois de se despir do que provoca, do que a faz se fazer necessária.
POSTS PARECIDOS:
rosa
20085MaioSegunda-feira at 7:09 pm | In femme, joão-lírico | 2 CommentsTags: flor, flores, mulher, orelha, poema, poesia, rosa, som
A ROSA
Fala-se em haver (nos olhos, na boca, na vagina, no coração)
rosas.
Quando ela é uma
orelha.
Quando nela
se escondem os
cabelos como laços
que se voltam sugados um pouco
para trás dela, como se o corpo fosse
um lençol com um peso (ela, afinal) em cima.
Em suma, como se o corpo estivesse sempre deitado,
olhe a orelha:
se falasse, falaria
como criou o corpo todo
ao ouvir cada instrução, para cada parte que,
a partir dela, cega e muda, fora construída. Uma flor, de fato,
semeando.
Ou, se falasse, confessaria
que fora posta no final,
como um adorno último,
que também é uma ferramenta
para o corpo se saber quão belo.
Como um beijo, posto rosa,
não se pode saber ao certo se
veio antes ou depois.
Que com um beijo na orelha
inicia-se tudo, ou com o mesmo
se consagra tudo.
Olha, com calma:
se não falar, ela deixa olhar.
Se falasse, a orelha não seria
rosa.
Ora
se a orelha não fala
é fato que seja rosa:
seu cheiro em sentido inverso
o som.
da moça que sempre passa por mim
200818AbrilSexta-Feira at 3:47 pm | In femme | 1 CommentTags: mulher, cotidiano, femme, menina, moca
Hoje ela deu não um tropeço, mas uma desequilibrada enquanto vinha imponente como sempre vem no alto do seu salto (às vezes de tênis, mas sempre do alto, e sempre imponente).
Enfim, hoje ela desequilibrou-se.
Se eu fosse o Seiya eu dava um meteoro de pégaso nela. Mas não de socos.
nudez
200828FevereiroQuinta-feira at 10:06 pm | In femme, joão-lírico, máximas/aforismos | 1 CommentTags: a nudez é detida não escondida, nudez, poesia erótica, joão-lírico
A nudez é detida, não escondida.
regras de xadrez - peão
200819FevereiroTerça-feira at 12:21 am | In caderno de esportes, femme, gente, risos | No CommentsTags: suzana vieira, suzana vieira e seu marido, marido de suzana vieira, marido, casamento, marcelo silva, xadrez
No xadrez, sabe-se que:
a) O peão pode mover-se para uma casa, imediatamente à sua frente, na mesma coluna, que não se encontre ocupada.
b) o peão pode mover-se para uma casa ocupada por uma peça do adversário, que esteja diagonalmente à sua frente, numa coluna adjacente, capturando aquela peça.

Ou seja, peão só anda para frente, não tem como voltar atrás e a única maneira de trocar de caminho é capturando uma peça.
Ou seja,
para mudar de caminho, um peão precisa comer alguém.

nudez aparecida
200815FevereiroSexta-Feira at 11:07 pm | In femme, joão-lírico | 1 CommentTags: erotico, nudez, nudez aparecida, poesia erótica
As roupas no chão.
O cobertor retirado.
A nudez está coberta pelo desejo.
No coito, coberta ainda, de prazer.
Somente depois a nudez fica despida.
flor
200815FevereiroSexta-Feira at 11:06 pm | In femme, joão-lírico | No CommentsTags: poesia erótica, flor, mulher, poesia, flores, ela, homem
Quando distribuíram as flores do prazer, os homens, invejosos,
usaram da força para ficar com as maiores, deixando
somente as muitíssimo pequenas para as mulheres.
Ela, com sua calma, plantou esta flor menor e desta,
com o pólen dela mesmo, brotaram muitas outras muito
menores ainda.
A mulher exibiu a pequena – mínima -, e guardou dentro de si mesma
as menores ainda.
Os homens, ainda com a força, tentam levá-las.
As mulheres, ainda com calma, conseguem guardá-las
e multiplicá-las às escondidas.
fruto
200815FevereiroSexta-Feira at 11:05 pm | In femme, joão-lírico | No CommentsTags: fruto, mulher, poesia, poesia erótica
O mesmo fruto que o homem tem, a mulher tem também, porém aberto e
despedaçado.
Por isso esse aspecto de quebra-cabeças: é preciso montar a mulher,
juntar as suas partes.
O fruto do homem é casca, sente lá alguma coisa.
Mas se intensifica deveras quando a seiva de
seu fruto toca-lhe as paredes internas.
O fruto da mulher: todo interno.
Saber-se sabor.
roupagem
200826JaneiroSábado at 1:14 pm | In crônica, femme, tempo | 4 CommentsTags: cronica de joao grando, zenao, seta de zenao, anos 90, redtag, roupagem, moda, mulher, beleza, crônica, texto, cronicas, textos de joao grando, texto de joao grando, textos
Paralelo básico: a arte. Sempre reinventando uma maneira de aplicar suas criatividades (ao ritmo da seta de Zenão). Sempre lirismo, sempre criatividade, porque não talento atrás de cada manifestação, por mais que se queiram isentar do artista isso as constatações pós-modernas. Nunca falta filosofia, sempre sobra volúpia. De volta ao assunto (voltando ao assunto): elas, as que impuseram suas belezas e também as que deixaram à disposição da moda a mesma, estiveram sempre bonitas: com os cabelos curtos e calças centro-pê dos anos 80, os vestidões dos anos 50, os pêlos não tratados da idade da pedra lascada, os redtags com meias de futebol na pré-adolescência burguesa dos anos 90.
dois
200722DezembroSábado at 6:02 pm | In alt+3 ou ♥, femme, joão-lírico, máximas/aforismos | 2 CommentsTags: amor, casal, dia dos namorados, dois, dois em um, dois em um doi sem um, namoro, poema, poesia, poesia concreta, um
mãe que balança o berço
200712OutubroSexta-Feira at 8:57 pm | In femme, joão-lírico | No CommentsTags: mao que balanca o berco, mae, poesia, filho, familia, mao, berco, dia das maes
a mão que balança o berço não é a mesma que fizera o berço;
a mão que fez o cobertor não é a mesma das mãos nenhumas anteriores.
para o habitante do berço entanto toda mão e tudo mais é mãe.
mãe maldita retardada tem de morrer
200712OutubroSexta-Feira at 8:38 pm | In crônica, femme, gente, opinião | No CommentsTags: abandono, bebe, brasil, castigo, crianca, crime, crime e castigo, culpa, dia das maes, filho, hipocresia, mae, mae maldita, noticia, opinião, televisao, tv
Logo cedo dia desses, o apresentador dizendo que não entra na cabeça dele como uma mãe abandona o filho (evidentemente uma mãe havia abandonado um filho em circunstâncias suficientemente desumanas para virar notícia, e ele comentava a respeito).
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